Depois de ajudar Lula a chegar ao poder, os militares cometeram novo erro ao apoiar Bolsonaro

Faz 43 anos: O dia em que Golbery levou Geisel a dar o passo certo - CartaCapital

Golbery (Com Geisel) foi o grande estrategista militar

Carlos Newton

Em meio à esculhambação política reinante, a constatação é de que, como diz o velho ditado, todos reclamam e ninguém tem razão. Trata-se de uma experiência nova, porque nunca se viu nada igual na História Republicana. O país vive um retrocesso institucional sem precedentes, e desta vez as Forças Armadas também estão incluídas.

E tudo começou lá atrás, conforme o próprio presidente Jair Bolsonaro se encarregou de revelar, na recente comemoração do Dia do Exército, quando destacou a importância da participação do então  comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, no episódio do impeachment da destrambelhada presidente Dilma Rousseff, em 2016.

UMA SURPRESA – Bolsonaro fez essa surpreendente declaração, quebrando uma promessa que havia feito no início do mandato, quando prometeu publicamente ao general Villas Boas que jamais revelaria os segredos que guardava, mas acabou fazendo exatamente isso, porque é um boquirroto, não consegue se conter.

Até então, não se falava nesse envolvimento do Exército na política e Bolsonaro levantou apenas a ponta do iceberg. Em tradução simultânea, dá para entender que os militares pretendiam voltar ao poder, mas desta vez pelas vias democráticas, aproveitando o enfraquecimento do PT, com Lula nocauteado pela Lava Jato.

E Bolsonaro foi trabalhado para ocupar o espaço, numa programação que começou no mesmo ano do impeachment, pois foi em 2016 que o pastor Everaldo Pereira, criador e dono do PSC, levou Bolsonaro e os filhos para o batismo  evangélico nas águas poluídas do Rio Jordão, próximo a Jerusalém.

VOLTA AO PODER – Da mesma forma como os militares cumpriram o plano do general Golbery do Couto e Silva, projetando Lula como líder sindical para enfraquecer o trabalhismo de Brizola, os militares da nova era apoiaram Bolsonaro para as Forças Armadas voltarem informalmente ao poder, e realmente conseguiram.

Detalhe: o general Golbery jamais poderia imaginar que Lula chegasse ao poder e morreu muito antes que isso acontecesse. O objetivo alcançado era apenas neutralizar Brizola, para que o poder não trocasse de mãos e ficasse sempre com os políticos civis conservadores.

Com Bolsonaro no Planalto, foi um verdadeiro festival. Nem mesmo na ditadura os militares tiveram tantas benesses e preencheram tantos cargos dos primeiros escalões administrativos, recebendo salários em dobro. 

NÃO DEU CERTO – Mas houve um erro de avaliação. Bolsonaro não aceitou a supervisão dos generais e resolveu governar a seu jeito. Desde o início, desperta preocupações terríveis, prejudica a imagem do Brasil no exterior, comporta-se como um destrambelhado, é uma espécie de antimilitar, que o então presidente Ernesto Geisel classificou de um “mau militar”.

Agora os dois projetos políticos arquitetados pelos militares, ambos fracassados, defrontam-se na polarização, num exemplo vivo de que a política deve ser entregue aos civis, o papel das Forças Armadas é completamente diverso, não se deve misturar as coisas.

Agora, o último suspiro do projeto Bolsonaro é colocar outro general de vice, como se isso fosse manter no poder os generais e resolvesse alguma coisa. O pior é que a gente tem de aturar tudo essas maluquices, como se todos os brasileiros fossem imbecis.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –  Por tudo isso, é preciso que a maioria silenciosa eleja um candidato da terceira via, que tenha apoio de civis e militares de boa vontade, como dizem os verdadeiros cristãos, aqueles que são como o brigadeiro Eduardo Gomes, que dividia seu soldo com famílias pobres de Petrópolis, onde morava na velhice. (C.N.)

15 thoughts on “Depois de ajudar Lula a chegar ao poder, os militares cometeram novo erro ao apoiar Bolsonaro

  1. Prezado CN: seu artigo me deu imensas saudades, dado que conheci o Brigadeiro Eduardo Gomes pessoalmente. Aquele sim, era um homem competente, corajoso, honesto e capaz de fazer um governo notável !!! Se tivesse sido eleito, o Brasil de hoje não seria essa palhaçada da qual o mundo inteiro zomba.

  2. Enfim, por causa do pagamento de salários dobrados para alguns generais, algo que JÁ EXISTIA na prática para alguns civis, é melhor retornar à velha bandidocracia narco-socialista, o regime protetor dos corruptos, bandidos, traficantes e assassinos.

    Passo, prefiro o Presidente que “desperta preocupações terríveis” (na imaginação da minoria barulhenta), mas mantém um mínimo de zelo pelo uso do dinheiro público e pela defesa inegociável das liberdades e da democracia.

    Com a “queima” da candidatura do ex-juiz Sérgio Moro, a terceira via reduziu-se à corruptocracia demo-tucanalha. E, como vem afirmando os caciques da terceira via, no segundo turno (se houver), todos eles estarão abraçados ao LADRÃO petralha, Lula da Silva.

  3. O zelo pelo dinheiro público foi tanto que o clã Bolsonaro não confiava em seus assessores, por isso que eles tinham que devolver seus salários (dinheiro público) para que o clã “administrasse”.

    Vai pastar!

  4. Vou votar numa terceira via porque as duas vias que aí estão não valem um tostão – furado.
    Precisamos ser mais empáticos com a maioria de desafortunados. O país é belo, rico de natureza, tem uma miscigenação invejável, climas de todos os tipos – temos tudo para sermos grandes, ricos, felizes. Mas somos medíocres, burros ao escolher os que nos representam.
    Quanto ao que me toca, voto numa terceira via que me traga essa esperança de grandeza para a nossa terra. Lula e Bolsonaro nem que a vaca tussa! O lugar deles é o xilindró.

  5. Você esqueceu de dizer que o brigadeiro Eduardo Gomes foi um golpista em 64, se não me engano, foi Ministro da Aeronáutica e foi o responsável pela destruição da Panair do Brasil, cassando as linhas durante a concessão e entregando-as ilegalmente para a Varig, para quebra o empresário Simonsen que era contra o golpe dos militares e também era dono da TV Excelsior, destruída pelos militares para favorecer a Globo. De positivo nessa figura foi ter ficado do lado do capitão Sérgio Miranda de Carvalho no episódio da tentativa de explosão do Gasômetro contra o Brigadeiro Bournier que era um homem muito perigoso.

  6. Faltou-lhe humildade para reconhecer que o golpe contra a Dilma foi um erro, Moro era parcial, o processo do tríplex era uma fraude, que os EUA estava por trás de tudo, e que não deveria ter apoiado o Bolsonaro. Ainda dá tempo, para não cometer outro erro. Talvez o último tempo.

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