Depois de anunciar que viria se tratar no Brasil, Chávez muda de idéia e retoma o tratamento em Cuba. Desta vez, outra surpresa: deixou o vice Jaua assumir o poder.

Carlos Newton

Não dá para entender o presidente venezuelano Hugo Chávez. Quando já estava praticamente tudo acertado para ele vir fazer tratamento contra câncer (radio e quimioterapia) no Hospital Sírio e Libanês, em São Paulo, na sexta-feira Chávez pediu licença ao Congresso venezuelano para retomar o tratamento, mas de novo em Cuba, ao invés do Brasil.

No sábado, o Congresso aprovou, por unanimidade, a permissão solicitada pelo presidente, que, há duas semanas tinha anunciado a retirada de um tumor maligno na região pélvica, na primeira internação em Cuba.

A mudança de rumos levou a especulações de que Chávez será submetido a mais uma cirurgia, que é um dos pontos altos da Medicina cubana, enquanto no Brasil os tratamentos de combate ao câncer são mais avançados do que Cuba.

A nova viagem do presidente também voltou a acender no Congresso venezuelano o debate sobre o status jurídico de Chávez durante sua estadia em Havana. Integrantes da oposição voltaram a defender que a viagem do mandatário configurava “ausência temporária”, com a posse automática do vice-presidente no cargo. Mas os governistas insistiram que o presidente seguiria governando, pelo tempo que seja necessário, em Cuba.

O acalorado debate da Assembleia, então transmitido pelos canais estatais, foi interrompido pelo presidente Chávez, que ordenou a convocação da cadeia nacional de todas as rádios e TVs para transmitir a sua reunião com ministros.

A Venezuela acompanhou, quando autorizado por Chávez, as falas dos deputados – da situação e da oposição. Com tela dividida ao meio, se via a Assembleia e também os rostos de ministros e do presidente reagindo às declarações dos parlamentares.

No final, Chávez recuou. Ao invés de continuar na Presidência governando por telefone e e-mail (a estranha Constituição venezuelana permite), desta vez ele deixou o vice-presidente assumir. Trata-se de Elias Jaua, ex-líder estudantil e considerado um dos “duros ideológos” do governo, que está na vice-presidência desde janeiro de 2010. Na Venezuela, a estranha Constituição estabelece que o cargo de vice é de livre nomeação pelo presidente.

O vice é uma espécie de Chávez júnior e tem amplos poderes. Além da prerrogativa de expropriar bens, o vice-presidente também aprovará a compra de divisas – estratégica num país com controle cambial – e poderá nomear vice-ministros.

Antes de viajar, Chávez agradeceu a centenas de pessoas que saíram às ruas para se despedirem dele. Vou, estarei, virei e seguirei transitando nesta nova parte da minha vida. Me comprometo a seguir vivendo junto à nação venezuelana nestes tempos de ressurreição. Não é tempo de morrer, é tempo de viver, vida para todos”, exclamou o presidente, que viajou para Cuba na companhia de sua filha mais velha, Maria.

O presidente venezuelano não anunciou a data de seu retorno ao país. “Espero que não seja um período muito longo de (ausência)”, disse.

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