Depois de uma trégua, Jair Bolsonaro retoma ataques ao Supremo e a outras instituições

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Daniel Gullino
O Globo

Depois de um período de armistício com o Judiciário e as instituições, o presidente Jair Bolsonaro abriu o ano eleitoral voltando a atacar integrantes do Supremo Tribunal Federal e abrindo uma trincheira contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na última semana. Os alvos da vez foram os ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, do STF, e, na outra frente, o presidente da autarquia, Antonio Barra Torres.

Ao atacar os ministros do STF, Bolsonaro manifestou mais uma vez sua preocupação com o rigor da Justiça no sentido de reprimir práticas de desinformação durante as eleições — ele se considera alvo preferencial de ministros por sua atuação nas redes sociais.

FAKE NEWS – Bolsonaro responde a inquéritos no Supremo por ter disseminado fake news sobre a pandemia e a lisura do processo eleitoral brasileiro. O presidente já demonstrou temer que tenha conta nas redes sociais bloqueadas pelas plataformas ou pela Justiça e nesta quarta-feira citou uma decisão de Moraes sobre o combate às fake news.

Bolsonaro fez os novos ataques ontem durante entrevista ao canal do YouTube Gazeta Brasil. Ao discorrer sobre a atuação de Moraes e Barroso, o presidente os acusou de terem uma atuação contaminada por supostas preferências políticas pelo PT.

O chefe do governo reabriu seu arsenal de ataques depois de passar aproximadamente quatro meses sem protagonizar grandes embates com representantes de outras instituições. Acossado por cinco inquéritos no STF, quatro deles relatados por Moraes, e por um procedimento administrativo no TSE, tocado por Barroso, o presidente também se vê pressionado na esfera política.

CRÍTICAS A FACHIN – Na segunda-feira, as críticas presidenciais sobraram para outro membro do Supremo, Edson Fachin, por ter suspendido uma lei estadual de Santa Catarina que vedava a utilização nas escolas da chamada linguagem neutra — termos que podem designar uma pessoa independentemente do gênero, como “meninx”, em vez de menino ou menina.

— Que país é esse? Que ministro é esse do Supremo Tribunal Federal? O que ele tem na cabeça? O que ele… É “eu quero”? Virou “eu quero”, “eu não quero”? — questionou Bolsonaro.

Nas pesquisas de opinião, ele aparece atrás do seu principal adversário na corrida eleitoral, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu governo é mal avaliado por 53% dos brasileiros, segundo o Datafolha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG  –
A trégua de Bolsonaro começou em 8 de setembro, depois de ter sido enquadrado pelo Alto-Comando do Exército, quando tentava o golpe para se eternizar no poder. Quatro meses, no desespero devido à queda nas pesquisas eleitorais, o presidente tenta começar tudo de novo. É claro que não vai dar certo. Bolsonaro deveria procurar um terapeuta, mas as Forças Armadas são muito carentes neste tipo de atendimento. Ao invés de psicanalistas, eles mandam logo um psiquiatra, que  imediatamente decide dopar o paciente com festival de tarja preta. Aí é que não vai dar certo, mesmo. (C.N.)

7 thoughts on “Depois de uma trégua, Jair Bolsonaro retoma ataques ao Supremo e a outras instituições

  1. Tudo combinado!

    O sistema Bolsonaro, cumprindo ordens dos seus patrões, tentando passar a imagem de anti-sistema.

    Enquanto isso a dupla Bozo- Paulo Guedes vai destruindo as indústrias e economia brasileira!

  2. O cara não se aguenta. Longe dos seus amigos milicianos ele sente saudades de armar algum fuzuê. Pelo menos ainda não colocou bomba no Alvorada. Ele está melhorando.

  3. O presidente que entregou o orçamento ao Ciro Nogueira. Vai ser um lava para o centrão.

    Sobre o assunto do texto, acho que, é uma nova estratégia para ver se dá um golpe., pois ele (Bolsonaro ) vai rodar nas eleições.

  4. Quanto à crítica a Fachin…concordo!
    Não gosto do Bolsonaro, mas concordo com a confusão dessa linguagem neutra, desnecessária.

    Que mudem as orientações sexuais, mas deixem o português em paz. A língua muda por si, por cultura, não por imposição.

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