Depois do mensalão

Carlos Chagas

Pode demorar, mas um dia terminará o julgamento do mensalão. Esta semana completa-se a quinta fatia do processo, com os votos que faltam dos ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ayres Britto a respeito dos petistas agraciados com dinheiro do esquema. Depois virá a manifestação do Supremo sobre os pagamentos feitos ao publicitário Duda Mendonça. Em seguida as acusações de formação de quadrilha e, até o fim do mês, as sentenças finais. Mais a fixação das penas para cada condenado, a redação do acórdão de mil páginas, sua publicação do Diário da Justiça, a apresentação dos embargos pelos advogados dos réus, finalmente o “transitado em julgado” e a marcha para atrás das grades de quantos a tenham merecido. Coisa para terminar em meados do ano que vem.

A pergunta que se faz é: e depois? Depois do mensalão, não se duvide, aumentará o ânimo punitivo, ou melhor, a tentativa de derrocada da impunidade. No Ministério Público, nos partidos de oposição, em associações da sociedade civil e até pela voz rouca das ruas, continuarão as denúncias de irregularidades passadas.

Haverá quem pretenda envolver o ex-presidente Lula, com base no seu conhecimento do escândalo já então julgado, da distribuição de dinheiro público e privado para a compra de apoio parlamentar. Aparecerão também os interessados em ressuscitar malfeitos na votação da emenda da reeleição, dos tempos de Fernando Henrique. E muita coisa a mais, desde uma devassa no reino do caixa dois, mesmo já tendo havido a prescrição na maioria dos casos passados.

Em suma, o país deve estar preparado para conviver com um vasto acerto de contas que, salvo engano, vai virar fumaça. Mas manterá acesas as brasas da opinião pública e municiada a mídia para cada denúncia levantada, uma espécie de caça às bruxas que podem mesmo ter sido bruxas, hoje sepultadas pelo esquecimento.

Logo virão a Copa da Mundo de futebol, a sucessão presidencial e as eleições gerais de 2014, para virar o jogo e certamente fornecerem material para novas lufadas de moralidade. Ainda bem.

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AMPLIAÇÃO DO FIRMAMENTO

Na hipótese da permanência de Fernando Haddad na pole-position e de sua vitória dia 28, são amplas as hipóteses e até as promessas de que o ex-ministro da Educação permanecerá na prefeitura até o final de seu mandato. Exclui-se, assim, as possibilidades dele candidatar-se ao governo de São Paulo, em 2014.

Como o novo prefeito estará brilhando feito cometa que gira ao redor do sol (imaginem quem é) logo surgirão no sistema os candidatos a grandes planetas, ou seja, os companheiros ávidos de disputar o governo do estado. Aloísio Mercadante, ministro da Educação, Marta Suplicy, ministra da Cultura e Alexandre Padilha, ministro da Saúde, tentarão tornar-se Júpiter, Vênus e Saturno, mas ninguém garante que o astro-rei não venha a escolher um novo e surpreendente cometa nos céus sob sua influência gravitacional.

Do outro lado, nessa ampliação do firmamento paulistano para firmamento paulista, José Serra parecerá então um planeta do tipo Plutão, que acaba de ser rebaixado pelos astrônomos. Geraldo Alckmin só não se candidatará a um novo mandato se conseguir superar Aécio Neves na corrida presidencial. Restará esperar a surpresa desses novos corpos celestes que sempre aparecem, do tipo Celso Russomano, Soninha e o Paulinho da Força.

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