Depois do vendaval no STF, os corruptos presos só têm o caminho da delação

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Charge do Algeli (Folha de S. Paulo)

Pedro do Coutto

A decisão do STF na madrugada de quinta-feira transformou-se num verdadeiro vendaval para os que estão presos e que contavam com a concessão do habeas corpus ao ex-presidente Lula para que, em seguida, pudesse recorrer ao Supremo na busca de tratamento idêntico relativo à prisão somente depois do trânsito total em julgado. Seria uma enxurrada de recursos seguindo os caminhos sinuosos da legislação, saltando de degrau em degrau. Mas não foi isso que aconteceu.

O Supremo Tribunal Federal, ao negar o habeas corpus a Lula, fechou o caminho para que ações semelhantes seguissem a trajetória pretendida, jogando com a hipótese de adiar de maneira indefinida a execução das penas aplicadas.

JURISPRUDÊNCIA – Analisando-se bem a essência do julgamento, verifica-se que a jurisprudência confirmada impede praticamente as instâncias inferiores de concederem habeas corpus àqueles que se encontram condenados pela Justiça e também os que cumprem prisão preventiva. Para todos só resta o caminho da delação premiada, com objetivo de reduzir o cumprimento das sentenças a que foram ou forem aplicadas.

O Supremo, na realidade, blindou a sucessão dos recursos de sempre, utilizados principalmente pelos criminosos de colarinho branco e também pelos ladrões de casaca. O STF, na verdade, secou uma fonte de honorários cobrados pelos advogados que redigirem os recursos. Foi esta a consequência maior do julgamento que se estendeu pela noite de quarta-feira.

PRISÃO DE LULA – No momento em que escrevo este artigo é divulgada a notícia de que, cumprindo a decisão da Corte Suprema, o juiz Sérgio Moro expediu a ordem de prisão contra o ex-presidente Lula da Silva. A ele foi dado o prazo de se apresentar espontaneamente à Justiça até as 17 horas de hoje, sexta-feira.

E quando é expedido o mandado de prisão contra um ex-presidente da República, torna-se ainda maior a aplicação de atos idênticos para os réus da Operação Lava Jato. Alguns estão presos. Outros ainda não, porém dificilmente a partir de agora poderão se considerar afastados da perspectiva da perda de liberdade.

Assim caminha mais um capítulo da história do Brasil, desta vez apresentando sombras contra aqueles que se achavam imunes às consequências e penas da lei.

MUITOS ATINGIDOS – Luiz Inácio Lula da Silva, ontem , não foi o único a ser atingido pela prisão. Outros o acompanham na etapa que não se extingue hoje e, ao que tudo indica, vai prosseguir com maior intensidade e velocidade.

Ontem escrevi sobre o espaço aberto no quadro político. Nesta sexta-feira, fecha-se a área de atuação solitária do PT. A liderança de Lula passa a ser disputada por quase todos os candidatos, menos Bolsonaro, que faz questão de se caracterizar como o antilula da Silva.

Não é este somente o capítulo que hoje começa. Estamos na sexta-feira, dia em que Joaquim Barbosa assina o ingresso na legenda do PSB. Daí para frente, vamos aguardar novas pesquisas do Ibope e do Datafolha.

4 thoughts on “Depois do vendaval no STF, os corruptos presos só têm o caminho da delação

  1. Lula foi preso.

    Agora falta o Temer ser cassado !

    A PGR Raquel Dodge terá que fazer a 3ª denúncia contra Temer.

    Caso contrário ela estará cometendo crime de prevaricação !!!

  2. Acho que os eleitores de Bolsonaro nao mudam o voto. Escreveu bem quando versa que os votos de lula possam ser disputados pelos outros, menos Bolsonaro. Neste quesito, entendo que facilita, mais ainda, a vitoria em primeiro turno. O Problema , como sempre escrevo, e que não vejo NENHUM de esquerda reclamar, são as famigeradas urnas eletrônicas, uma bomba potente nas mãos dos inimigos. Urge desativá-la!

  3. “O Supremo, na realidade, blindou a sucessão dos recursos de sempre, utilizados principalmente pelos criminosos de colarinho branco e também pelos ladrões de casaca. O STF, na verdade, secou uma fonte de honorários cobrados pelos advogados que redigirem os recursos. Foi esta a consequência maior do julgamento que se estendeu pela noite de quarta-feira.”

    A meu ver abstraido os aspectos político e jurídico, com a mudança da jurisprudência ao sabor das conveniências dos ministros, sem duvida este foi o grande resultado daquele julgamento. O frenesi dos causídicos, submetendo-se inclusive a situações vexaminosas e humilhantes deixou bem claro o que estava em jogo.

    • Concordo. O mins Barroso e Fux foram contundentes na crítica aos recursos sem fim que têm por finalidade retardar o final do processo.
      Infelizmente os juizes vendidos ao crime organizado foram claros e acintosos na tentativa de proteger os meliantes: Marco Aurélio foi e continua ridículo em suas posições; Celso de Mello provou mais uma vez que é um zero a esquerda e um chato de galocha; Toffoli e Lewandowsky não surpreenderam – continuam medíocres e fiéis ao PT.

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