Depressão de Rosemary se agrava e preocupa Lula e os dirigentes do PT

Carlos Newton

Como se sabe, o fim de ano é a época que mais provoca depressão. No caso de Rosemary Novoa Noronha, ex-chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo, a chegada do período de festas só fez agravar sua situação, o que é bastante compreensível.

De uma hora para outra, Rose perdeu tudo. Era uma mulher bem sucedida e poderosa, que influía na administração federal e nos governos estaduais e municipais geridos pelo PT. De repente, perdeu o emprego e a família despencou, com o ex-marido, o atual e uma filha, todos demitidos preventivamente pela presidente Dilma Rousseff, assim que eclodiu o escândalo da Operação Porto Seguro.

Os planos da companheira Rose vieram por água abaixo justamente no final de ano, quando haveria motivos para grandes comemorações, entre eles a criação de uma escola de línguas, com filiais em várias cidades, em sociedade com o cúmplice Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas, também demitido no arrastão da Operação Porto Seguro.

O estabelecimento de ensino seria registrado nos nomes das filhas da ex-assessora da Presidência, Meline e Mirelle, esta última exonerada do governo federal após o escândalo da corrupção nas agências seguradoras. A escola teria um capital inicial de R$ 100 mil reais e seria sediada no escritório do ex-marido de Rosemary, José Cláudio de Noronha, também demitido, nessa tragédia familiar que vem transcorrendo ao estilo de Nelson Rodrigues.

Neste Natal, pela primeira vez nos últimos anos, Lula e Rose não trocaram presentes, não houve amigo oculto, telefonemas, cartões, nada, nada. Ela quer sua vida de volta, mas isso o ex-presidente não poderá mais lhe dar.

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EM LUGAR INCERTO

Enquanto Lula, acompanhado de dona Marisa Letícia, viajava pela Europa, o comando do PT e a direção do Instituto Lula (leia-se Paulo Okamoto, Clara Ant, José de Filippi Júnior, Luiz Dulci e Paulo Vannuchi), por orientação do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, se movimentaram para manter a companheira Rose em lugar incerto e não sabido.

Não se trata de cárcere privado, porque a própria Rose sabe que não pode sair para lugar nenhum, nem mesmo para ir ao cabeleireiro ou ao supermercado. A última vez que foi vista em público estava com o ex-ministro José Dirceu e a namorada dele, passando o fim de semana prolongado do Dia dos Mortos numa praia da Bahia, bons tempos aqueles. De lá para cá, só problemas, e cada vez maiores.

Agora, Rose está proibida de sair de São Paulo e a Polícia Federal acelera a investigação as andanças dela em Portugal, em busca de provas se a então assessora presidencial levou ou não levou dinheiro para o Banco Espírito Santo.

Tudo isso contribui para agravar a depressão de Rose, que sempre foi conhecida por seu temperamento autoritário e explosivo. Por isso, ela é considerada uma bomba-relógio, que nem o PT nem o Instituto Lula sabem como desarmar. É uma novela eletrizante, e estamos apenas nos capítulos iniciais.

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