Deputada acusa Gilberto Carvalho ser “o homem do carro preto” em Santo André, na gestão de Celso Daniel

Eduardo Bresciani
O Estado de S. Paulo

 O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) afirmou que vai processar o ex-secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, “no momento certo”. Em audiência na comissão de Segurança Pública da Câmara nesta quarta-feira, 9, ele rebateu as acusações feitas em um livro por Tuma Júnior, que haveria uma fábrica de dossiês no governo do PT e que voltou a ligar o ministro ao assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel.

A audiência teve um momento de tensão quando a deputada Mara Gabrili (PSDB-SP) contou ter ouvido de seu pai, então empresário, relatos de propina na prefeitura de Santo André. “Em Santo André todo mundo conhece o senhor como o homem do carro preto que pegava essa coleta de dinheiro extorquido de empresários de transporte e do lixo e levava para o capo, como era conhecido José Dirceu”, afirmou a parlamentar. Ela questionou ainda se há empenho de Carvalho para que Sérgio Sombra, apontado como mandante do assassinato do ex-prefeito, seja punido. O caso está pendente no Supremo Tribunal Federal.

Carvalho reafirmou inocência, disse que “perdeu um amigo” com a morte de Celso Daniel e que tem total interesse na verdade sobre o caso. Destacou que a investigação foi feita pela Polícia Civil de São Paulo, Estado governado pelo PSDB, e pela Polícia Federal, em 2002, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso.

“Não tenho medo nenhum daquela verdade, porque ela me dói. A morte do Celso me dói”, disse. Negou ainda ter participado de qualquer esquema de recolhimento de propina.de escolha de membros para os Tribunais de Contas.

PROCESSO CONTRA TUMA JR.

Carvalho negou que tenha dado as declarações expostas por Tuma Júnior no livro. Disse que a única menção sobre Santo André que fez ao ex-secretário foi durante uma conversa quando o Tuma Júnior era alvo de denúncias que acabaram o levando a deixar a função.

Carvalho disse que relatou apenas o interesse de voltar a falar sobre o tema futuramente com o ex-secretário e negou ter feito qualquer confissão. Disse ainda que Tuma Júnior terá de provar qualquer afirmação sobre a encomenda ou fabricação de dossiê.

“Na justiça vou esperar que esse cidadão traga prova. Não vou fazer palanque para ele e processar na hora que ele quer. Ele está no momento de glória vendendo livro. Vou processá-lo sim, mas no momento certo”, disse o ministro.

7 thoughts on “Deputada acusa Gilberto Carvalho ser “o homem do carro preto” em Santo André, na gestão de Celso Daniel

  1. Esse canalha é o principal suspeito de coordenar a tortura e morte do Celso Daniel. É um sujeito sem qualidade, que age nas sombras, obedecendo as ordens do “Barba”, pelo qual já declarou que morreria. É um psicopata. O mal jamais sairá vencedor. Esse bandido ainda vai pagar pelos crimes que cometeu.

  2. Ele está se borrando de medo com o segundo livro do Tuma que vem por aí. Não vai processar porque vai se expor, ele gosta de viver nos bastidores do poder.

  3. e mais…..

    Em sua fala, Gabrilli acusou Gilberto Carvalho de ser o arrecadador da propina cobrada de empresários de ônibus em Santo André. ”O senhor sempre foi conhecido como o homem do carro preto”, disse a deputada ao secretário da Presidência. “Era a pessoa que realmente pegava essa coleta de dinheiro extorquido de empresários e levava para o capo, como era conhecido o José Dirceu. Isso eu não li. Isso eu vivenciei”, completou Mara Gabrilli.

    A parlamentar em momento algum falto com a verdade em sua corajosa participação na audiência pública, tendo, inclusive, afirmado que o seu pai, à época dono de uma empresa de ônibus na cidade do ABC paulista, era extorquido mensalmente “por uma gangue”, referência ao grupo comandado, segundo a deputada, por Klinger de Souza (subsecretário de Celso Daniel), Ronan Maria Pinto (atualmente dono do Diário do Grande ABC) e Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, acusado pelo Ministério Público paulista de ser o mandante do crime.

    Mara Gabrilli pode ter esquecido, talvez não tenha vivenciado os fatos, mas a coleta do dinheiro da propina era feito regularmente por pessoas que chegavam às empresas de ônibus a bordo de um carro preto. Fora isso, os arrecadadores, depois de acomodados na sala onde se dava o pagamento, colocavam armas de fogo sobre a mesa, em clara atitude intimidatória.

    O esquema criminoso que se alastrou por Santo André era tão acintoso, que pessoas de confiança dos marginais que estavam na prefeitura da cidade passaram a trabalhar nas empresas de ônibus, condição para que as mesmas pudessem funcionar sem qualquer problema. Esses prepostos da bandidagem local eram obrigados não apenas a controlar o movimento financeiro das empresas, mas também a cobrar propina de terceiro que pretendiam vender produtos ou prestar serviços aos empresários do setor.

    Celso Daniel foi sequestrado depois de sair de um restaurante na capital paulista. Levado para o cativeiro, em cidade da Grande São Paulo, onde foi brutalmente torturado, o então prefeito foi encontrado morto em uma estrada vicinal de Juquitiba, cidade à beira da rodovia Régis Bittencourt.

    O petista só teve um fim trágico porque discordou da forma descontrolada como a propina vinha sendo cobrada dos empresários da cidade. Fora isso, Celso Daniel se desentendeu com alguns companheiros de legenda por causa da destinação que era dada ao dinheiro imundo, que em tese serviria para financiar a campanha presidencial de Lula, em 2002, mas acabou sendo utilizado na compra de luxuosas casas de veraneio em conhecidas cidades no entorno da capital paulista.

    Não custa lembrar que o gerente financeiro do Mensalão do PT, Marcos Valério Fernandes de Souza, afirmou em depoimento que foi procurado por pessoas ligadas ao PT, as quais exigiram R$ 6 milhões para interromper a investigação da morte de Celso Daniel que vinha sendo feita por um órgão de imprensa.

    As gravações telefônicas do caso, divulgadas à época com exclusividade pelo ucho.info, provam que o esquema de cobrança de propina saiu do controle, tendo se transformado em ação típica de grupos mafiosos que não medem consequência para alcançar seus objetivos. Meses após a morte de Celso Daniel, contas bancárias no exterior registraram misteriosas movimentações, sem que as autoridades tenham solicitado informações sobre o caso a autoridades internacionais.

    Confira abaixo os principais trechos das gravações telefônicas do caso Celso Daniel, divulgadas à época com exclusividade pelo ucho.info. Em uma delas, o atual ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Ivone Santana tratam a morte de Celso Daniel com frieza.

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    http://ucho.info/celso-daniel-deputada-enfrenta-gilberto-carvalho-que-sabia-do-uso-de-revolver-na-cobranca-de-propina

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