Derrotados na eleição buscam abrigo na vida partidária

Freire diz que continuará fazendo o que sempre fez

Marcel Frota
iG Brasília

Nomes de peso e tradição na Câmara dos Deputados viram seus planos de renovar o mandato fracassados nas eleições deste ano. Se alguns parlamentares tentaram trocar de posto em disputas majoritárias e acabaram fora do Congresso Nacional na próxima legislatura, outros não se atreveram a tanto, mas mesmo assim se viram derrotados. Nomes como Penna (PV-SP), Roberto Freire (PPS-SP), Devanir Ribeiro (PT-SP), Guilherme Campos (PSD-SP) e Cândido Vaccarezza (PT-SP) são alguns exemplos.

Ex-senador e presidente nacional do PPS, Roberto Freire não conseguiu os votos necessários para continuar na Câmara. Ele, que já foi também deputado estadual por Pernambuco e por seis mandatos deputado federal, diz que o caminho agora é tocar o partido. “Vou continuar a fazer o que sempre fiz, só que agora sem o exercício de um mandato”, resume Freire, que vem liderando o PPS desde sua fundação, em 1992, a partir de desmembramento do antigo PCB.

Freire faz uma rápida análise da derrota eleitoral e considera que talvez o eleitor de São Paulo, acostumado a vê-lo ao lado dos tucanos, possa ter visto seu movimento rumo a Marina Silva (PSB) com alguma estranheza – o PPS apoiou a então candidata no primeiro turno. “Tenho a impressão de que em São Paulo (capital), onde tive maior votação, o apoio a Marina talvez tenha diminuído minha votação. É um eleitor que sempre associou minha luta com o PSDB”, avalia ele.

PV PERDEU 805 DOS VOTOS

Outro dirigente nacional também acabou derrotado em 2014. José Luiz Penna, presidente nacional do PV, não obteve a reeleição. Sem mandato, seu futuro é parecido com o que projetou Freire para si. “Sou dirigente nacional do partido. Sou isso primeiro e depois parlamentar. Agora, serei isso sem o Parlamento”, resume Penna.

Na avaliação de Penna, a derrota veio em função de uma dicotomia muito acentuada do eleitorado. Nesse espectro, o PV, segundo ele, optou por uma agenda progressista com discurso de vanguarda aglutinado na candidatura de Eduardo Jorge. Jorge defendeu uma legislação menos rígida que a atual para a questão do aborto, propôs uma nova abordagem no debate do casamento homossexual e criticou até aliados por questões sociais.

“Minha análise é que a sociedade foi para uma crise e na crise ela dá um passo para trás, fica mais reacionária. Demos (o PV) um passo para frente. Tivemos em 2010 quase 500 mil votos de legenda. Este ano foram 100 mil”, diz o verde. “Todos tivemos muito menos votos. Isso é sinal de que a sociedade em geral não está contente.”

HORA DE SE APOSENTAR

Coordenador da bancada paulista na Câmara e presidente da Comissão Mista de Orçamento, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) diz que a derrota eleitoral foi a alavanca necessária para a sua decisão de se aposentar da vida parlamentar. Ribeiro ganhou notoriedade recentemente ao ser um dos mais entusiastas defensores da tese do “volta Lula”. Ele também chegou a encampar a ideia de um terceiro mandato para o ex-presidente, em 2009.

“Não quero mais me candidatar. Temos de renovar. Tenho 71 anos, quero descansar. Tem de deixar os mais novos. Comecei cedo e os outros tem de começar cedo também. Não vou fazer igual ao Sarney, que ficou aí 50 anos”, diz Ribeiro. O petista exerceu três mandatos seguidos como deputado federal. Antes, foi vereador em São Paulo por quatro legislaturas consecutivas.

“Essa coisa da Petrobras… Isso é de todas as petroleiras. Uns não aceitam o PT. Começou com o Lula e agora acontece com a Dilma. Quando eles perceberam que não iam segurar a Dilma, quiseram acabar com o PT. Já vimos isso nas décadas de 40 e 60. Jango teve problemas. Juscelino também. Essa é a história. Temos de ter cuidado, renovar o partido e buscar nosso caminho”, pondera ele.

 

4 thoughts on “Derrotados na eleição buscam abrigo na vida partidária

  1. Tem que se lamentar a não reeleição do Freire.
    Na câmara era um opositor ferrenho do governo; além de um político decente.
    Os outros que se lixem, principalmente os petistas.

  2. “Quando eles perceberam que não iam segurar a Dilma, quiseram acabar com o PT. Já vimos isso nas décadas de 40 e 60. Jango teve problemas. Juscelino também. Essa é a história. Temos de ter cuidado, renovar o partido e buscar nosso caminho”, pondera ele.”
    Palavra que não entendi o que o Dep. Devanir tentou dizer. Não iam segurar Dillma? Terá feito alguma relação entre o que aconteceu em 40, 60 e agora, relacionado a Petrobras? Se é isto, enlouqueceu ou nada sabe de nada. Comparações com governo Dillma e do PT só pode ser comparado com o governo Lulla e o PT. Jango, Juscelino e outros no mesmo nível jamais, não podem ser comparados com a dupla petista de Bonnie/Clayde. O moço entrou em “devaneios”.
    Se entendi errado, me desculpem. Se for possível esclarecer, agradeço.

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