Desânimo, pessimismo e sofrimento, na poesia erótica de Augusto dos Anjos

Se algum dia o amor vier me procurar,... Augusto dos AnjosPaulo Peres
Poemas & Canções
O advogado, professor e poeta paraibano Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914) escrevia poesias com características marcantes de sentimentos de desânimo, pessimismo e sofrimento, conforme o poema “Gozo Insatisfeito”.


GOZO INSATISFEITO
Augusto dos Anjos

Entre o gozo que aspiro, e o sofrimento
De minha mocidade, experimento
O mais profundo e abalador atrito…
Queimam-me o peito cáusticos de fogo,
Esta ânsia de absoluto desafogo
Abrange todo o círculo infinito.

Na insaciedade desse gozo falho
Busco no desespero do trabalho,
Sem um domingo ao menos de repouso,
Fazer parar a máquina do instinto,
Mas, quanto mais me desespero, sinto
A insaciabilidade desse gozo! 

4 thoughts on “Desânimo, pessimismo e sofrimento, na poesia erótica de Augusto dos Anjos

  1. Se ele fingia o que escrevia, como um outro poeta dizia, tudo bem – muitos filmes de terror também fazem sucesso. Mas se alguém procura sentir deleite na sua poesia, fique longe desse pessimismo doentio.

  2. É a expressão mais cristalina de um homem triste. Triste consigo mesmo, com a vida e com o mundo. Para ele, o homem nasce com um destino, que é a morte. No meio do caminho acaba por ter que aturar algo pior algo pior: a própria vida.
    ETERNA MÁGOA
    O homem por sobre quem caiu a praga
    Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
    Para todos os séculos existe
    E nunca mais o seu pesar se apaga!

    Não crê em nada, pois, nada há que traga
    Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
    Quer resistir, e quanto mais resiste
    Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

    Sabe que sofre, mas o que não sabe
    E que essa mágoa infinda assim não cabe
    Na sua vida, é que essa mágoa infinda

    Transpõe a vida do seu corpo inerme;
    E quando esse homem se transforma em verme
    É essa mágoa que o acompanha ainda!

  3. “Augusto dos Anjos foi considerado um dos mais importantes poetas do Pré-Modernismo, e com sua poesia antilírica e mórbida preparou o terreno para a renovação modernista.
    No ano de 1914, transferiu-se para Minas Gerais, onde foi nomeado Diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira, localizado na cidade e Leopoldina.
    Depois de contrair fortíssima gripe, foi acometido por uma pneumonia, falecendo no dia 12 de Novembro de 1914.
    Principais obras:
    Saudade
    Eu, e Outras Poesias
    Psicologia de um vencido
    Versos Íntimos
    Solitário”
    Sou Leopoldinense e tenho orgulho em tê-lo como “conterrâneo”, apesar do pouco tempo em que residiu em Leopoldina, inclusive sendo ex-aluno do Colégio onde foi Diretor. Existe em Leopoldina, “a Casa de Augusto do Anjos”, um dos pontos turísticos que foi restaurada e é mantida como museu e biblioteca, tendo inclusive todo acervo do poeta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *