Desastre absoluto em 2011: a educação foi reprovada no Brasil

Pedro do Coutto

O resultado da pesquisa nacional, mas restrita às capitais, realizada pelo Movimento Todos Pela Educação, foi um verdadeiro desastre para o desenvolvimento social do país, para a sociedade brasileira, portanto para todos nós. Não só em termos de presente, mas também porque lançou  sombras sobre o horizonte do futuro. Abalou a confiança e a esperança, esta sempre prometida pelos governos, de dias melhores. De avanços concretos sustentáveis, uma vez que, sem educação, não pode haver progresso. Não se conhece um só exemplo no mundo.

O levantamento, que abrangeu 250 mil alunos de oito anos de idade, portanto do ensino fundamental, teve o apoio do Instituto Anísio Teixeira (do MEC), da Fundação Cesgranrio e do Instituto Paulo Montenegro (do IBOPE). Foram feitas perguntas simples. Se a pesquisa abrangesse o interior, como ficaria? As respostas decepcionaram.

Excelentes reportagens de Adauri Antunes Barbosa, O Globo e Mariana Mendeli, O Estado de São Paulo, ambas publicadas na sexta-feira, reproduziram o panorama essencial e também interpretaram os números com objetividade. A decepção está no fato de 46% não possuírem noção da linguagem escrita. Quarenta e quatro por cento não passariam no texto de leitura. O desconhecimento de simples questões de matemática atingiu nada menos que 57% dos que participaram do teste. É demais.

Revelaram não  saber sequer  somar e subtrair direito, quanto mais multiplicar e, pelo amor de Deus, dividir. Estamos muito mal. O panorama visto da ponte piora quanto à rede pública. Melhora um pouco no ensino particular. Porém, num total, a educação foi reprovada. Não está conseguindo realizar o objetivo a que se propõe. Promover uma arquitetura do futuro. Tem que mudar seus métodos e suas ações. A começar pela implantação do horário integral, tese sempre defendida por Elena, minha mulher. Nesse tempo integral, alimentação adequada e sociabilização. O ensino integral é o poderoso instrumento para afastar as crianças, especialmente, as de famílias de menor renda das ruas. Isso é básico. Mas não basta.

A passagem pela creche antes do ingresso no ensino formal é decisiva. Fui, durante 14 anos, de 76 a 90, diretor da antiga Legião Brasileira de Assistência. Aprendi muita coisa. A primeira o reflexo da passagem pelo Casulo, nome feliz que o presidente da LBA à época, Luis Fernando da Silva Pinto, deu à rede pré-escolar. O índice de reprovação na primeira e segunda série é, até hoje de 47%. Mas quando a criança carente antes é assistida no casulo, a taxa de repetência fica em 20%. Os primeiros cinco anos de vida – lembrava LFSP – são fundamentais. Nesse período é que se formam as células cerebrais. E sua boa formação depende de como a criança se alimenta.

A Constituição de 88 assegura a todos o direito à creche. No papel. Na prática não. Como tantas coisas em nosso país.Iniciamos mal o terceiro milênio da era cristã. Perdemos muito tempo no passado, estamos perdendo no presente. Investe-se pouco e mal no ensino.

O orçamento federal para este ano, Diário Oficial de 29 de Julho de 2011, destina apenas 67,7 bilhões de reais para a educação. Tal parcela no total de 1 trilhão e 900 bilhões. Três por cento. Um professor, se preparado e construtivo, é um autor do amanhã, um homem ou mulher da alvorada. Da luz, do conhecimento, do comportamento social. Deve ser incentivado e os alunos motivados. Caso contrário, em vez de irmos para frente, andaremos para trás. O Brasil, no sistema educacional, não passa de ano. Para citar Proust, tem que partir em busca do tempo perdido.

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