Desastre da economia abala todos as faixas do eleitorado de 2022, do miserável ao rico

Governo autoriza aumento no preço de remédios | Humor Político – Rir pra  não chorar

Charge do Duke (O Tempo)

Eliane Cantanhêde
Estadão

Nem o Plano Real resistiu a Jair Bolsonaro. Após 28 anos do sucesso da maior obra de engenharia econômica do Brasil, a inflação volta ao cotidiano de pobres e ricos, assalariados e empresários e, principalmente, dos miseráveis que já não tinham o que comer e dar de comer aos filhos. Mais do que índices abstratos, o aumento da inflação, de 1,16% em setembro, 6,90% no ano e 10,25% em doze meses, bate na vida de todo mundo, ou seja, de todo eleitor.

A economia, a queda de emprego e renda, a disparada de preços e seus efeitos no dia a dia abalam todas as faixas do eleitorado. O salário continua o mesmo, caiu ou pode ter evaporado. Alguém teve aumento de 20%, 30%, 40% ou 50% nos últimos doze meses? Mas conta de luz, ovos, café, carne, frango e açúcar subiram de 20% a 47%. Pessoas disputando ossos, pelancas e restos de comida são de deixar o País, e cada um de nós, sem dormir.

POBREZA SE ALASTRA – A cesta básica encosta ou passa de 60% do salário mínimo, quando 70% da população acima de 16 anos vivem em residências com renda de até três mínimos (50%, com renda de até dois). Esse universo estupendo de eleitores é o que mais diretamente sofre com o aumento do preço da comida, do botijão de gás e da conta de luz. E as famílias voltam a cozinhar em latões de lenha e a comer no escuro – quando há o que comer.

Isso atinge, por exemplo, os evangélicos, que se concentram fortemente na baixa renda e na baixa escolaridade. Mas nem é preciso decantar esse eleitorado por sexo, cor, escolaridade e religião para saber que ninguém, ninguém mesmo, pode estar feliz, satisfeito e querendo que as coisas fiquem como estão. Isso vale para centros urbanos e rurais, pequenas e grandes cidades.

 Ampliando um pouco o leque para os que têm renda familiar acima de 10 salários mínimos, e mais capacidade de influenciar votos, aumentam os motivos de desencanto, para uns, ou de acirramento da rejeição, para outros.

A INFLAÇÃO DECOLA – Além da conta de luz e dos preços nos supermercados, onde qualquer comprinha passa dos R$100,00, há o preço da gasolina, das passagens aéreas e até do dólar.

Como prefere o ministro Paulo Guedes, da Economia, já não dá para a empregada doméstica ir a Disney, o filho do porteiro estudar na universidade e, de quebra, para o papai e a mamãe sustentarem o seu carrinho. E eles nem têm muito para onde ir. Shopping? Restaurante? Tudo pela hora da morte.

A economia voltou com força para o centro das conversas até mesmo dos ricos, que reclamam da inflação (a deles, dos empregados e dos pobres em geral), dos quase R$ 7 da gasolina comum, da volta dos juros altos e… da rentabilidade dos seus investimentos, que perdem para a inflação e sacodem com bolsas e dólar.

REJEIÇÃO EM ALTA – Segundo Mauro Paulino, do Datafolha, a popularidade de Bolsonaro caiu e a rejeição subiu em todos os segmentos na última pesquisa, de 14 e 15 de setembro, com exceção de um: o de maior renda, incluindo empresários. Em menos de um mês, porém, a situação deteriorou, com aumento de gás, luz, gasolina, juros e dólar (que só convém aos exportadores). E se os mais ricos passarem a olhar para Paulo Guedes sem enxergar luz no fim do túnel?

O candidato Bolsonaro tem caneta BIC, avião presidencial, escalões precursores, comitivas, gabinetes paralelos e tratoraços para fazer campanha, mas já convive com 59% dos pesquisados dizendo que, nele, não votam de jeito nenhum. Até mais: votam em qualquer um que não seja ele, como agora se ouve com certa frequência.

O problema de Bolsonaro nem é mais, ou só, os 600 mil mortos de covid, o cheiro de queimado da Amazônia e os sucessivos vexames do Brasil no mundo. O maior de todos é outro: a economia, com inflação e deterioração das condições de vida.

10 thoughts on “Desastre da economia abala todos as faixas do eleitorado de 2022, do miserável ao rico

  1. O Sr. Mercado + Sergio Moro + Michel Temer + Judiciário improbo + Imprensa sórdida e comprada + vira-latas empoleirados no Congresso + Sociedade composta por uma Classe Média semi analfabeta, boçal e corrupta, que sempre reivindicou por privilégios e não direitos = Toda está tragédia que hoje assola a nação. Pior de tudo, continuaram cometendo os mesmos erros criando novos mitos e nomeando novos xerifes.

  2. A economia está em desordem no planeta, inclusive para os países ricos, os subdesenvolvidos em pior situação, exceto os xing ling, criadores do vírus, bolsos cheios, comida e matéria prima barata, fica em casa, a economia a gente vê depois! Culpa do Bozo??? Somente desinformado e deficiente mental acredita nesta ladainha.Obs.: lembrei do Bendl, que esteja em paz.

  3. Estamos revivendo o final da era FHC.
    A inflação em dez 2002 estava em 12,5%!
    Desemprego nas nuvens, e o dólar arranhando R$ 4.
    Isso foi tudo superado a partir de 2003, com os governos seguintes.

  4. Berrou um bovino montanhês.
    Realmente a Economia do mundo inteiro está em desordem, mas são poucas que se pode comparar com o Brasil. Se compararmos a atual situação do país com Afeganistão e da África seus argumentos tão profundos, como toda água depositada em um pires, pode se sustentar. O desgoverno do imperito, negligente e imprudente Bolsonaro e sua estirpe, são os grandes responsáveis pela situação degradante que o país vive hoje. Vale lembrar, que devido a péssima administração do Odorico Paraguaçu, o Brasil já estava combalido mesmo antes da epidemia, está serve apenas como pano de fundo, para o boçal em suas lives e no cercadinho, continuar pastorando seu rebanho.

  5. “A longo prazo estaremos todos mortos”, é provavelmente a frase mais conhecida do famoso economista J. M. Keynes”.
    Eu na qualidade de Profeta do Apocalipse declaro que no curto e médio prazo Bolsonaro vai nos matar a todos.

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