Desastre da seleção foi tanto técnico quanto tático

Pedro do Coutto

Se alguém, apesar das evidências, tivesse alguma dúvida se o desastre da Seleção Brasileira na Copa do Mundo foi mais técnico do que tático, ou se foi mais tático do que técnico, ao assistir a final entre Alemanha e Argentina verificaria que foi duplo e total, nada sobrou  em matéria de preservar qualquer parte do episódio capaz de acrescentar algo à memória esportiva do futebol brasileiro.

Tudo afundou no desenrolar das partidas contra a Alemanha e Holanda. Sofremos dez gols nas duas partidas, a impressão que a transmissão pela Rede Globo proporcionava esra que se tratava de uma repetição de imagens – não uma sequência de lances. A vulnerabilidade da equipe era total. O time não corria em campo, não recuava quando era atacado. Jogou sem a menor compactação.

Compactas foram as equipes da Alemanha e da Argentina. Tanto assim que foram poucas as oportunidades de gol. Alemães e argentinos avançavam e recuavam sem parar, suas presenças constantes nos ataques, sem prejuízo das ações defensivas. As seleções estavam sempre compactadas na linha da bola, estivesse esta no território alemão, permanecesse no universo argentino. Isso somente tornou-se possível em face da movimentação permanente dos jogadores em ambos os espaços. Para isso tiveram que correr sem parar. Exatamente o que o escrete brasileiro não fez. Movimentou-se pouco, correu menos ainda.

GOLS CARA A CARA

Daí o fato de, só no primeiro tempo, terem sofrido cinco gols cujos chutes de arremate foram desfechados praticamente cara a cara diante do goleiro Júlio Cesar. Cinco a zero, já por si definia o desfecho da partida. Impossível qualquer reação. Os alemães provavelmente se espantaram com tanta facilidade. E adormeceram a partida. Mesmo assim ainda fizeram mais dois gols chegando a espantoso sete a zero.

Somente nesta ocasião, saímos do zero. Mas o que significava um tento no marcador, se nosso desempenho estava abaixo de zero em matéria de arte, técnica e tática.

E não conseguimos nos afastar desse plano incompatível com a tradição do futebol brasileiro. Tanto não conseguimos retornar à tona que o selecionado repetiu contra a Holanda o péssimo desempenho frente à Alemanha. Três a zero com outra série de chutes desfechados contra o goleiro sem o menor bloqueio que caracteriza as disputas acirradas.

Foi uma tragédia, como escrevi dia 11, tragédia completa para o futebol do país. Motivo de orgulho  através do tempo, foi relegado ao desprezo pela omissão completa que regeu nossa atuação, dupla atuação: contra a Alemanha, contra a Holanda. Dificilmente poderemos a curto  prazo reagir ao desmoronamento que sofremos. Felipão já saiu. Esperemos o novo treinador – é o que nos resta de esperança.

4 thoughts on “Desastre da seleção foi tanto técnico quanto tático

  1. Acredito que a esperança de reconstituição do futebol brasileiro após as derrotas que sofreu, uma delas calamitosa, nesta Copa do Mundo e, em casa, não basta se somente o técnico for o substituído.
    A renovação precisa ser ampla, geral e irrestrita.
    A começar pela mentalidade da CBF!
    Os homens que mandam no futebol não conhecem futebol. Sequer sabem dar um pontapé na bola, quanto mais um chute!
    A escolha do comandante em campo tem sido política, e não técnica. Felipão e Parreira pararam no tempo e espaço.
    Não tinham condições de enfrentar as seleções que vinham se aprimorando tática e estrategicamente há anos.
    Ora, como somaram disciplina tática e estratégica com bons jogadores, alguns excelentes, os resultados obtidos contra o Brasil foram naturais, consequência lógica de um futebol que se aprimorou, se aperfeiçoou, e se modernizou.
    Se o novo técnico tiver suas convicções futebolísticas com base na história brasileira de vitórias e cinco títulos mundiais, definitivamente continuaremos a ser derrotados, porém, se decidir que devemos mudar nosso comportamento de viver das glórias do passado, convocar jogadores que aceitem jogar em EQUIPE, trazer novos conceitos a respeito de jogadas treinadas, planos de ação para neutralizar adversários fortes, conscientizar a Seleção que precisa voltar a ser humilde, então poderemos ter esperanças de um recomeço auspicioso.

  2. Discordo, em parte: Não foi só contra a Alemanha e a Holanda que o Brasil não demonstrou ser uma equipe, pelo menos, mediana. Foi em toda a sua participação. Ou em alguma partida demonstrou organização tática e técnica apurada? Afundou total, do início ao fim. Chegou além do que poderia ter chegado.

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