Desde 2008, TCU investigava obras agora denunciadas por Youssef

Andre Shalders e  João Valadares
Correio Braziliense

Em março deste ano, a Polícia Federal apreendeu no escritório do doleiro Alberto Youssef uma lista com referências a 747 projetos de infraestrutura espalhados pelo país. Levantamento feito pelo Correio mostra que órgãos de fiscalização, como o Tribunal de Contas da União, porém identificaram bem antes quase R$ 1 bilhão em sobrepreço ou irregularidades em 10 das obras citadas na planilha de Youssef. Os projetos não se restringem a obras da Petrobras: abrangem também área de transportes, esgoto e abastecimento. Os órgãos responsáveis pelas irregularidades vão desde prefeituras até entidades do governo federal, como a Infraero e o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS).

A tendência é que mais obras da planilha do doleiro sejam denunciadas, conforme avancem as investigações na trilha aberta pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato. Na última terça-feira, por exemplo, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou a Petrobras e a construtora Andrade Gutierrez por desvios na ampliação do Centro de Pesquisas (Cenpes) da petroleira, no Rio. A obra está na planilha, que cita a “Construção e Montagem do Sistema de Geração e Distribuição da Água Gelada (CAG)” do Cenpes.

Pela planilha, Youssef almejava fechar um contrato de R$ 237 milhões. Com base em auditorias do TCU, a denúncia do MPRJ estimou em R$ 31 milhões o superfaturamento total na obra. Os promotores citam como exemplo a compra de uma caixa de passagem, de alumínio. Enquanto o preço de mercado do item é de R$ 13, no contrato da Petrobras a mesma unidade é cotada em R$ 1.572.

RELATÓRIO FISCOBRÁS

Várias das obras citadas na planilha de Youssef também frequentam as páginas do relatório Fiscobras, desde 2008. Editado anualmente pelo TCU, o levantamento é encaminhado ao Congresso com projetos onde se recomenda a retenção de valores e até a paralisação do trabalho. O caso mais conhecido é o da Refinaria de Abreu e Lima (PE). Citada dezenas de vezes na planilha de Youssef, a obra teve a paralisação recomendada em 2010, em 2011 e em 2012.

Mas a recomendação de paralisação também atingiu obras menos vistosas, como a da adutora de Italuís (MA), citada na planilha, e que teve a interrupção recomendada em 2008. Outro caso é pouco conhecido é a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, incluída no Fiscobras de 2010. Naquele ano, o TCU apontou sobrepreço de R$ 129,6 milhões nas obras.

 

 

 

 

6 thoughts on “Desde 2008, TCU investigava obras agora denunciadas por Youssef

  1. Essa informação afirmando que desde 2008 o TCU investigava as tais irregularidades que somente agora em 2014, o “braço tucano” do DPF com a guarida do juiz Moro torna público, mediante “vasamento seletivos” me leva a concluir que essa “carnavalização midiática” antes, durante e após eleição, mais que “investigar” as roubalheiras na Petrobrás tinha (tem) somente um propósito, derrubar a Dilma nas eleições; como a maioria do eleitorado não “mordeu a isca”, o tal “partido da mídia golpista”, o que dileto blog Tribuna da Internet aderiu à maneira de “militonto”, ou seja, reproduz a “pauta” que não pauta a maioria dos brasileiro, que segundo pesquisas do IBOPE e outros institutos “mostram” que a maioria da população apoia a presidente reeleita e seu governo, a despeito de suas insuficiências.

  2. Em 2008 o TCU fez um relatorio que apontava um superfaturamento de 1.200 % nos quantitativos das drenagens de Abreu e Lima
    Aposto um triplex de R$ 47.000 que a Dilma e o Lula ficaram sabendo.

  3. Falta informar o que aconteceu com os relatórios. As obras pararam? Processos foram abertos? Alguém foi chamado a prestar esclarecimentos?
    Dizer-se que o TCU investiga desde 2008, que os órgãos internos (intestinos) da Petrobras já estavam fazendo levantamentos dos fatos (ou seria de valores?) são notícias que só causam expectativas.
    É preciso sabermos os passos dados e os encaminhamentos.
    Os órgãos de fiscalização da área pública, invariavelmente, sempre correm atrás da máquina. E quando chegam as conclusões, as vitimas já estão mortas e os causadores bem longe.
    Também as declarações dos ministros e conselheiros destes órgãos só falam quando estão terminando ou entregando mandatos.
    isto me lembra o grande João Gilberto: vaia de bêbado não vale!
    Esta gente tem de ser “dessecada”, centímetro a centímetro.
    Mesmo nus, ainda conseguem esconder alguma coisa.

  4. O PT, no passado se enaltecia por qualquer feito, usando o chavão: “esse é o jeito PT de governar”. Hoje, vemos o que é o jeito do PT
    governar. Pelas denúncias e investigações, conclui-se que a corrupção
    é um câncer que se alastrou por quase todos os órgãos públicos.

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