Desembargador que blindou ministro do Turismo contra novos inquéritos também é investigado pela PF

Desembargador suspendeu nova ação sobre caixa dois

Fábio Fabrini
Ranier Bragon
Folha

O desembargador Alexandre Victor de Carvalho, do TRE-MG (Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais), suspendeu o novo inquérito instaurado para apurar a suspeita de caixa dois na campanha de 2018 do hoje ministro do Turismo de Jair Bolsonaro (PSL), Marcelo Álvaro Antônio.

O magistrado concedeu liminar à defesa do ministro, que sustenta que investigações solicitadas recentemente pelo Ministério Público têm como foco os mesmos fatos já apurados no inquérito original sobre as candidatas laranjas do PSL de Minas. O caso foi revelado pela Folha e já ensejou denúncia contra Álvaro Antônio e mais dez pessoas.

NOVOS INQUÉRITOS  – A decisão do desembargador susta, até julgamento definitivo do caso, os efeitos do ato em que foi requisitada a abertura de novos inquéritos. Além disso, também proíbe a instauração de outras eventuais investigações.

O caso dos laranjas tramita em sigilo na 26ª Vara da Justiça Eleitoral em Belo Horizonte, sob responsabilidade do juiz Flávio Catapani. Com base no inquérito original, Álvaro Antônio foi formalmente acusado pelo Ministério Público de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa.

APURAÇÃO INDIVIDUAL – Após isso, a PF sugeriu e o Ministério Público requisitou novos inquéritos para apurar de forma individual suspeitas de caixa dois na campanha de 2018. Entre elas está o depoimento de uma dirigente do PSL de Minas segundo quem a campanha de Álvaro Antônio pagou despesas eleitorais em dinheiro vivo, não informado à Justiça Eleitoral, entregue dentro de uma caixa branca da grife Lacoste.

No pedido feito ao desembargador, o advogado do ministro, Willer Tomaz de Souza, sustentou que um novo inquérito visa apurar pagamentos da campanha do ministro a deputado federal, supostamente não contabilizados, às empresas I9 Minas Assessoria e Bless Comunicação Visual.

LARANJAS – Os valores teriam sido desviados das candidaturas de mulheres filiadas ao PSL, que teriam concorrido nas mesmas eleições apenas formalmente. A defesa pediu também a suspensão da ação penal sobre o caso, mas o desembargador indeferiu esse ponto. A tramitação do caso também é sigilosa. O magistrado justificou que dar continuidade ao novo inquérito pode expor o ministro ao perigo de “grave dano e de constrangimento ilegal”.

“Não se mostra razoável, em um Estado Democrático de Direito, que se tolere a imposição de investigação criminal duplicada. Neste caso, o inquérito policial perderia seu papel de garantidor para assumir um papel arbitrário, já que nitidamente estaria eivado de injustiça”, escreveu Carvalho.

DESEMBARGADOR –  Alexandre Victor de Carvalho tomou posse em junho deste ano como vice-presidente e corregedor do TRE de Minas. Desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ele é investigado sob suspeita de negociar cargos para parentes com políticos e agentes públicos.

Em interceptações telefônicas da Polícia Federal, Carvalho propõe que o filho e a mulher atuem como funcionários públicos fantasmas, sem cumprir as cargas horárias exigidas para as atividades, e sugere um esquema de “rachadinha” para dividir o salário a ser pago pelo erário à sogra. O caso foi revelado pela Folha em maio deste ano.

Em julho, o Ministério Público de Minas abriu inquérito civil para apurar “possível violação dos princípios da moralidade e da impessoalidade” pelo desembargador ao, supostamente, tentar empregar parentes por meio de “interferência política”.

RENDIMENTOS FAMILIARES – O objetivo do desembargador, segundo a PF, era aumentar os rendimentos familiares. Em contrapartida, ele teria aberto espaço para que políticos lhe pedissem favores na corte.

Além disso, teria apoiado uma advogada para integrar a lista tríplice que disputaria a nomeação para uma vaga no Tribunal de Justiça de Minas, o que também seria de interesse de políticos.

Num dos diálogos, o desembargador avisa a esposa que já estava certa a sua nomeação na Assembleia Legislativa de Minas, com salário líquido de R$ 8.000, e diz ser uma vantagem a falta de fiscalização de promotores sobre o cumprimento da jornada de trabalho.

“É bom. Inclusive, na Assembleia não tem problema, na Assembleia o Ministério Público não faz nada. Você vai lá duas, três vezes por semana.”

Ele também propõe escalar a sogra, sem curso superior, para cargo na Câmara Municipal de Belo Horizonte, e fazer uma “rachadinha” com o salário dela. “Estava pensando na sua mãe, sabe? Aí, ela ficava com “trêszinho” [R$ 3.000, segundo a Polícia Federal] e você com “trêszinho”.

Carvalho afirmou, em nota divulgada em maio, que nunca negociou cargo para o filho. Segundo ele, tanto o filho quanto a esposa efetivamente trabalharam e cumpriram as cargas horárias.

“Inexiste o chamado nepotismo cruzado, pois não houve qualquer contratação no Judiciário mineiro de pessoa indicada pela Câmara ou pela Assembleia”, acrescentou.

Em nota enviada à Folha nesta quinta, o desembargador informou não ter conhecimento do inquérito civil aberto pelo Ministério Público de Minas.

Ele reafirmou que sua esposa e seu filho trabalharam, respectivamente, na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal de Belo Horizonte, “cumprindo a jornada de trabalho exigida pela chefia imediata e também as obrigações atinentes aos cargos”.

Reiterou também a “licitude das nomeações e a inexistência de qualquer ilegalidade”.

7 thoughts on “Desembargador que blindou ministro do Turismo contra novos inquéritos também é investigado pela PF

  1. Depois de tudo isto, não sabemos mais o que dizer.
    Por mais democratas que sejamos, ou tentemos ser, fica muito difícil não pensarmos numa atitude mais dura.

    Tomara que não cheguemos a tanto…..

    • E qual seria a “atitude mais dura”, por ladrões armados e fardados no governo para garantir o continuísmo da roubalheira de 129 anos, para que ninguém possa criticá-los ? Ou será levantar um novo sistema democrático de verdade, com mata-burro e corruptos na porta de entrada da administração pública ?

    • “atitude mais dura”?????????????

      Com esse povinho bundão, frouxo e otário???

      Fala sério, cara! Tem comentário que é hilário. No Paraguai, dois anos atrás, o povo botou fogo no parlamento por causa de uma emenda que permitia a reeleição…. Agora mesmo, os índios no Equador fizeram o presidente mudar a sede da capital, e tudo por causa de um aumento de preço de combustíveis. Por aqui, o presidente supostamente de direita, que foi eleito pra fazer diferente dos antecessores e combater a corrupção, faz acordo com petista do STF pra blindar o filho e o cara ainda tá “pensando em tomar uma atitude mais dura”….E os apoiadores do presidente silenciam sobre a vergonha do acordão….

      E fica um monte de babaca pela internet dizendo: “Aiinnnnn, tem que fechá o STF e o Congrexo!!!!!!!!”, mas não passa disso, são frouxos que perdem até pros peruanos, paraguaios e equatorianos em coragem e altivez…..

      O povo brasileiro é bundão mesmo..

      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk xD

      • O povinho brasileiro parece o Leão da Metro: ruge, faz cara de mau, mas fica só nisso.

        Não tem vergonha, altivez, dignidade.

        Aliás, qual foi a reação dos babacas quando Bolsonaro editou e assinou a MP 893/19, que subodrinou o COAF (agora UIF) ao Banco Central, tirando-o definitivamente do Sergio Moro ? Silêncio total…..

        kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk xD

        Pois é….São esses os mesmos babacas que falam em guerra civil, quebrar tudo……

  2. A cara desse governo,
    bananeiras secas como esse ministro ai,
    bananeiras podres como o ministro da educação, bananeiras doentes como o Salles e a Dornélia Goiaba e os 3 bananas de pijamas filhos do Bananãoldo, aquele que se embanana mais que o Mazzaropi.

  3. O povo não tem a galhardia de outros povos, mas a ladroagem aqui é inigualável. No Rio Grande do Norte foi denunciado esquema semelhante, pela procuradora da Assembléia Legislativa, envolvendo 10 desembargadores. Todo mundo sabe e fica por isso mesmo. Igual à AL do Rio de Janeiro. Só uma revolução.

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