Desembargador Siro Darlan defende que obra da Delta no TJ-RJ seja alvo da CPMI do Cachoeira

Luciano Pádua 

Após o relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontar diversas irregularidades na obra do prédio do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), realizada pela Delta Construções, o desembargador Siro Darlan, do mesmo tribunal, defendeu que o caso seja apreciado pela CPMI do Cachoeira, no Congresso Nacional.

O senador Pedro Taques (PDT-MT), membro da CPMI, concorda com a investigação e, a partir destas novas informações sobre as irregularidades na obra do TJ-RJ, reafirma a necessidade de a Comissão ser prorrogada para além do dia 4 de novembro. Hoje, um novo cronograma de trabalho da CPMI será decidido em reunião de líderes e deve ser votado na quarta-feira, na reunião administrativa da Comissão. Para que seja adiado o prazo final, são necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores. Ele defende que o governador do Rio, Sérgio Cabral, seja ouvido.

Conforme o Jornal do Brasil noticiou, o relatório da corregedoria do CNJ, de 6 de setembro, aponta possível favorecimento à Delta, escolhida em uma licitação dirigida. Constatou ainda aumento de despesas durante a construção da lâmina central do prédio do Tribunal, sem que houvesse mudança que justificasse estes reajustes. Fala também de sonegação de impostos. O relatório começou a ser feito em uma vistoria realizada em março passado, um mês antes de instalada a CPMI no Congresso.

  Cabral tem muito a explicar

“Fico triste (com o relatório). Acho que o CNJ já está tomando as providências que devem ser tomadas, cabe a ele apurar os responsáveis”, disse Darlan. “Acho pertinente (os responsáveis pelas irregularidades) serem chamados a falar na CPI do Cachoeira, porque o assunto diz respeito à mesma cadeia criminosa. Não só o CNJ está apurando, como interessa a toda a nação a transparência”.

Na inspeção do CNJ também são discutidas a suspensão de uma licitação feita anteriormente, na qual a empresa Paulitec Construções Ltda. foi vencedora, e a isenção, irregular, do pagamento do PIS e Cofins. Os técnicos questionam ainda cinco aditivos que elevaram o preço em quase 25%.

“Um capítulo especial do Relatório fala sobre o furacão Delta que construiu a Lâmina Central que “por razões ainda não bem explicadas” sucedeu a empresa ganhadora da licitação e apresentou um projeto inicial ao custo de R$ 141,4 milhões, “sem que houvesse acréscimo de obra”, recebeu “aditivos em percentual superior a 23%”, concluindo a obra em R$ 174.8 milhões”, diz trecho do artigo.-

Darlan revelou que, em abril, solicitou ao Conselho de Magistratura informações sobre as obras da Delta no TJ-RJ, mas só através da publicação do relatório do CNJ, em 6 de setembro, veio a saber dos detalhes da obra que tinha cobrado do próprio tribunal onde julga.

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CONVOCAR CABRAL

Para o senador Taques, “além de outros, esse motivo do TJ-RJ é um grande motivo para que a CPI seja prorrogada. Deve haver, com certeza, mais uma relação obscura da Delta com o dinheiro público no caso do TJ-RJ”, disse.

Taques lembrou que ainda há 506 requerimentos que precisam ser apreciados pela comissão envolvendo quebras de sigilo de supostas empresas fantasmas ligadas à Delta e convocações de depoentes. Segundo o senador, o relatório do CNJ demonstra que há relações da Delta no estado do Rio de Janeiro, e por isso o governador Sérgio Cabral, e todos os envolvidos nas operações da Delta no Rio, também deveriam depor sobre na Comissão.

“Entendo que a CPI tenha que ser prorrogada. Vou votar pela prorrogação. Eu defendi que o governador Sérgio Cabral fosse depor na CPMI”, afirmou.

(Matéria transcrita do JB Online, enviada por Paulo Peres)

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