Desempregado, Palocci quer emagrecer e reativar a consultoria. Pode até perder peso, mas a consultoria também vai encolher. Palocci não sabe que dinheiro na mão é vendaval?

Carlos Newton

O médico sanitarista Antonio Palocci tem metido a mão em muita sujeira e cometido muitos erros em sua carreira política. Agora, na solidão do apartamento luxuoso que aluga em São Paulo por quase R$ 14 mil mensais (com o condomínio, chega a RS 20 mil), porque o outro, de R$ 6,6 milhões, está fechado, Palocci se desespera e se amaldiçoa pela quantidade enorme de decisões erradas, especialmente a de não disputar a reeleição para um mandato de deputado federal por São Paulo, no ano passado.

Por isso, demorou tanto a cair da Chefia da Casa Civil. Como a presidente Dilma Rousseff poderia demitir um companheiro tão próximo e fiel, um aliado que decidiu largar tudo exclusivamente para se dedicar à campanha dela? Realmente, uma situação difícil. E ele foi ficando, foi ficando, constrangedoramente.

No caso da candidatura, Palocci somente se decidiu em 26 de maio de 2010, já em plena campanha presidencial, quando anunciou que não disputaria a reeleição à Câmara. Alegou que precisava se dedicar integralmente à campanha presidencial da ex-ministra Dilma Rousseff, por ser um dos coordenadores nacionais, com funções cada vez mais abrangentes desde que o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel passou a trabalhar com mais afinco pela candidatura ao governo de Minas Gerais e abandonou a campanha presidencial.

Naquela época, Dilma já dera um duro recado a Pimentel, que começara a passar grande parte do tempo em Minas: “Só vai poder ser coordenador da minha campanha quem ficar em Brasília”, disse. Palocci assimilou imediatamente a mensagem, assim como o então presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, que também desistiu de disputar a eleição em Sergipe.

Já se sabia qual era o objetivo de Palocci, Basta conferir o que a revista “Época” publicou, no dia em que Palocci desistiu da candidatura: “O que não vai ser dito publicamente por ninguém é que Palocci, ao decidir ficar em Brasília, também já está mirando em  posições influentes num eventual governo Dilma. Nos bastidores da campanha do PT,  o nome de Palocci já aparece como cotado para a estratégica função de chefe da Casa Civil em um futuro governo da candidata de Lula”. Isso, em maio de 2010.

Palocci realmente crescia cada vez mais na campanha, ocupava todos os espaços, aproveitava todas as oportunidades para atender com rapidez e eficiência qualquer pedido da candidata de Lula. Sabia-se, por exemplo, que poucos dias antes Dilma o convocara para um café da manhã em Brasília, quando discutiriam assuntos da campanha. Apesar de estar no meio de uma votação à noite na Câmara, Palocci não esperou pelo encontro no dia seguinte. Largou a votação, apareceu em 20 minutos diante de Dilma, fez uma breve reunião com ela e depois voltou para a Câmara para votar. Era o futuro chefe da Casa Civil já em ação.

A essa altura, especulava-se também que Palocci poderia ser lançado suplente de Marta Suplicy na disputa por uma vaga no Senado. Era viável e cômodo para ele, que nem precisaria fazer campanha. Mas a 24 de junho ele anunciou ao presidente estadual do PT, Edinho Silva, que desistira também dessa candidatura, para “concentrar esforços na campanha de Dilma Rousseff à sucessão presidencial”.

Quanta fidelidade, quanta dedicação. E poucos sabiam que Palocci já estava a pleno vapor como “consultor de empresas”. Aliás, foi justamente no ano eleitoral, em meio a essa total entrega à campanha da companheira Dilma, que a empresa dele conseguiu bater todos os recordes de faturamento: R$ 10 milhões antes da eleição, e mais R$ 10 milhões depois do segundo turno, em apenas dois meses.

Recorde-se que foi Lula quem exigiu que Palocci integrasse a cúpula da campanha de Dilma. Sabia que muitos banqueiros e megaempresários não confiavam nela, mas tinham total e irrestrita confiança em Palocci. Da mesma forma como ele funcionara como “avalista” de Lula na campanha de 2002, negociando apoio com os capitalistas nacionais e estrangeiros, seria fundamental que repetisse o trabalho na campanha de Dilma, para apagar o passado dela como guerrilheira.

O reconhecimento de Dilma e de Lula pelos serviços prestados conduziu Palocci à Casa Civil, de uma forma até natural, como se ele fosse um político imaculado, sem os antecedentes criminais que rastreavam suas digitais desde a Prefeitura de Ribeirão Preto, com o envolvimento com a empresa de limpeza urbana Leão & Leão e tudo o mais.

Sem mandato, sem honra, sem prestígio, sem credibilidade e sem futuro, agora Palocci anuncia que vai se dedicar a duas coisas: emagrecer e reativar a empresa de consultorias. Pode até emagrecer, mas a consultoria não tem o menor futuro. Ninguém se aconselha com fracassados.

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