Desemprego alto é o maior inimigo de qualquer projeto relativo à Previdência

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Charge do Nef (Jornal de Brasília)

Pedro do Coutto

Em reportagem publicada na edição de ontem da Folha de São Paulo, Raquel Landin analisa problemas relativos à Previdência Social no Brasil e acentua que o modelo chileno não é solução para o déficit do INSS. Ela frisou esta questão ao destacar que um dos projetos da equipe econômica de Jair Bolsonaro é o da capitalização, que foi adotado no Chile e já está criando problemas naquele país. Isso porque, apenas os funcionários  públicos contribuem com sua parte de 10% sobre o salário. O governo, não.

O sistema de capitalização foi adotado a partir da ditadura de Pinochet e está deixando o déficit crescer.

DUPLA CONTRIBUIÇÃO – Qualquer sistema previdenciário necessita da contribuição de empregadores e empregados. No Brasil, se retirada a participação dos empregadores o rombo do INSS aumentará incrivelmente, é claro. Os empregadores representam 2/3 do total das contribuições. O economista Paulo Guedes conhece bem o sistema chileno, porque foi professor da Universidade do Chile por alguns anos.

Na época de Pinochet, os chilenos ainda viviam uma situação bastante estável porque na América Latina a renda per capita do país era a maior do continente. A renda per capita resulta da divisão do Produto Interno Bruto pelo número de habitantes. Não quer dizer que todos vivam bem, porque a participação dos lucros financeiros nas classes de renda mais alta não inclui o aspecto do desenvolvimento humano. Mas é um indicador.

No Brasil a renda média, por coincidência se aproxima da renda per capita. O salário médio dos brasileiros e brasileiras é de 2.300 reais mensais. Com base nesse número, multiplicando-o pelo total de desempregados (12 milhões de pessoas), verifica-se que o INSS deixa de arrecadar em função do desemprego e do não emprego dos jovens que chegam à idade de trabalhar.

DÉFICIT AUMENTA – Essa é a questão essencial. Com o nível de desemprego atual torna-se impossível reduzir-se o déficit do INSS.

Todos os projetos incluem a obrigação das contribuições para a Previdência. Mas os desempregados não podem contribuir com nada. O problema é esse.

2 thoughts on “Desemprego alto é o maior inimigo de qualquer projeto relativo à Previdência

  1. No Brasil cada empregado contribui por, pelo menos dois, duas aposentadorias. Então onde está o problema? Se tirassem do bolo apenas os que pagaram para se aposentar e isso inclui os servidores públicos que contribuem bem mais e ainda continuam a contribuir mesmo aposentados, ela seria muito superavitária. O problema é que querem que o trabalhador que contribui pague ainda mais, seja pelos que nunca contribuíram e recebem, seja pelas fraudes e dividas nunca pagas, rombos de grandes empresas, incluindo estatais, as indenizações milionárias do bolsa ditadura, família e mais outros penduricalhos que saem de graça aos agraciados pelo partido governante. Tudo “mallandramente” colocado como rombo previdenciário, mas estando na realidade, dentro do sistema de Seguridade Social. O que falta é o chamado “papo reto”, coisa que até este governo, não se viu sair das bocas de nenhum governante. O pior é que usam um exército de “donos da verdade” formados no exterior para fazerem coro sobre o apocalipse previdenciário. Como se só eles possuíssem neurônios no cérebro. Ou o povo fosse uma horda de imbecis.

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