Ao desprezar indígenas e meio ambiente, o governo cava a própria sepultura

General Heleno diz que índios não precisam de tratamento ...

Índigenas exigem um atendimento prioritário contra o coronavírus

Carlos Newton

Uma coisa que se aprende em Brasília é que não deve maltratar os indígenas. Eles são diferentes e fazem o que bem entendem, na defesa de seus direitos constitucionais, que têm de ser respeitados a qualquer custo.

MATAR OU MORRER – Por um motivo ou outro, os indígenas invadem prédios públicos e a Polícia não pode retirá-los à força, porque estão dispostos a matar e a morrer. É preciso saber dialogar com eles, diplomaticamente, como se fossem uma outra nação. Aliás, é assim que são vistos pelo resto do mundo.

Aqui no Brasil, nós achamos que eles são brasileiros, porque a grande maioria é aculturada e vive como homem branco, desculpem a expressão racial. Mas no exterior eles são considerados um outro povo, porque ainda há tribos arredias, sem contato com o que exageradamente chamamos de civilização.

ERA DIA DE ÍNDIO – Eles eram os donos de tudo, todo dia era Dia de Índio, como compôs magistralmente Jorge Benjor. Mas hoje isso não funciona assim, embora eles precisem ser respeitados, porque são diferentes e a lei os considera assim.

Já contei aqui na Tribuna da Internet que na Constituinte, a pedido da Funai, tive oportunidade de levar 18 dos maiores caciques brasileiros a encontros com o presidente Ulysses Guimarães e o relator Bernardo Cabral.

Todas as reivindicações deles foram consideradas justas e aprovadas na Constituição. Muitos artigos foram escritos por mim, num trabalho liderado por um sobrinho de Tancredo, o jornalista Gastão Neves.  

DE OLHO NO BRASIL – Em função do aquecimento global, já mais do que comprovado cientificamente, o mundo inteiro já estava de olho na Amazônia, por causa dos desmatamentos,  E agora passou a se preocupar também com os indígenas, devido à contaminação das tribos.

Por isso, foi inaceitável o comportamento do ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, e do secretário Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Robson Santos da Silva, no encontro com os representares da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, em pleno Supremo Tribunal Federal, sobre o atendimento às vítimas da covid-19.

Segundo os participantes, Heleno disse que o governo atenderia apenas indígenas em terras demarcadas. Os demais seriam tratados como produtores rurais. Foi uma idiotice, pois as tribos sem demarcação geralmente são as menos aculturadas, nada a ver com fazendeiros.

CÍNICOS E LEVIANOS – O representante do Ministério da Saúde, Robson Santos da Silva, chamou os povos indígenas de “cínicos, levianos e covardes”, porque ele repetiram Gilmar Mendes e chamaram de “genocídio” a falta de ações coordenadas para proteger povos indígenas isolados e de recente contato.

Depois do cacique Juruna, não há mais índio otário e ele gravaram essas preciosidades do ministro e do secretário, que estão correndo o mundo, contribuindo para emporcalhar ainda mais a imagem do Brasil.

Heleno é um grande chefe militar, mas um péssimo político, pois vive de mau humor. A reunião deveria ter sido conduzida pelo vice Hamilton Mourão, presidente da Comissão da Amazônia, que certamente se sairia melhor.

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P.S. –
É claro que também fica afetada a imagem das Forças Armadas, porque se trata de um governo civil fantasiado de militar. Com toda a certeza, em jamais pensei que a política brasileiro fosse ficar nessa situação atual, em que não há um só líder em que possamos confiar. Brizola foi o ultimo e nos deixou sem deixar herdeiros. É por isso que la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

8 thoughts on “Ao desprezar indígenas e meio ambiente, o governo cava a própria sepultura

  1. BRIZOLA FOI O MAIOR POLÍTICO BRASILEIRO E, REAL E INFELIZMENTE, NÃO DEIXOU HERDEIROS. ESTAMOS TOTALMENTE SEM LÍDERES E SEM ESPERANÇAS. DEPOIS QUE ESSE PRESIDENTE DESGRAÇADO SE FOR, QUEM VAI PARA O LUGAR DELE? POSSIVELMENTE ALGUÊM PIOR !!!

    • Sou do Rio de Janeiro. Durante o governo de Brizola, o número de favelas e de invasões de terra aumentou exponencialmente. O grande favelão que se tornou o Rio de Janeiro agradeça a Leonel Brizola.

  2. “196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”
    Se o disposto acima fosse para ser cumprido. E, mesmo assim, Augusto Heleno fala que o governo só garantirá assistência às aldeias homologadas.
    Que diferença há entre índios de comunidades com esse status ou falta dele, e moradores das centenas de favelas, ainda irregulares? Já que existe isonomia também para o nagacionismo, então os favelados mereceriam o mesmo desprezo!

  3. Carlos Newton, concordo que a reunião deveria ter sido conduzida pelo vice Hamilton Mourão, pois ele é descendente de indígenas e conhece bem o “balanço da canoa”.

    Eu, pessoalmente, sou completamente favorável ao que chamam de “miscigenação racial”.

    Não faço distinção pela cor da embalagem (clara, escura, mais ou menos clara, mais ou menos escura, etc.), o que considero é o interior, o que está dentro da embalagem – o caráter e o comportamento social.

    O Brasil é um país mestiço e cerca de 70 milhões de brasileiros possuem sangue indígena.

  4. Penso que nem todos os costumes indígenas podem ser aceitos. Por exemplo, há tribos que, quando nascem gêmeos, matam um deles. Outros enterram crianças vivas.

    Acho que isso não deve ser admitido no Brasil, dentro ou fora de reservas indígenas.

    Afinal, um dos grandes méritos da civilização judaico-cristã foi o de ter colaborado para acabar com a antropofagia.

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