Desta vez, o editor da Tribuna errou feio ao comparar a Câmara dos Depútados à zona do baixo meretrício

Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro

Este é o “Piranhão”, construído onde funcionava a zona no Rio

Jorge Béja

O prezadíssimo editor da Tribuna da Internet, Carlos Newton, numa nota de rodapé, ao dizer que a ministra Rosa Weber colocou “ordem na zona”, o jornalista, sem perceber, impôs impiedoso castigo à verdadeira zona. Ofendeu a zona. Todas as zonas deste Brasil.

Sim, porque nas zonas do chamado baixo meretrício há ordem, prazer e progresso. Tem ordem, por exemplo, já que dificilmente se tem notícia da prática de crimes nas zonas, mesmo de simples contravenção penal. Lá tudo tem ordem.

PRAZER E PROGRESSO – Tem prazer porque os homens vão até lá para passar momentos de satisfação, quantas vezes quiserem. Aqui no Rio a chamada “zona” funcionava num cantão, próximo no final da Avenida Presidente Vargas. Quando as trabalhadores foram despejadas para a “Vila Mimosa”, perto da Praça da Bandeira, o cantão da zona de antigamente cedeu lugar onde hoje fica o prédio da Prefeitura carioca

Tem progresso porque lá somente alguns poucos felizardos tinham satisfação gratuita. Tudo era pago em dinheiro vivo e as “meninas” iam ganhando o seu suficiente para se manterem.

Como se vê, não é isso que acontece na administração pública brasileira, onde não há ordem, prazer e muito menos progresso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Da maior felicidade essa nota do jurista Jorge Béja, que corrige meu exagero ao usar em vão o nome da zona. Foi um erro grotesco que cometi, peço desculpas àquelas mulheres de vida nada fácil, lembrando que foi por essas e outras que o edifício-sede da Prefeitura, construído em cima da zona, ganhou o apelido de “Piranhão”, e agora é lá nesse prédio de vidro fumê que rola o verdadeiro dinheiro fácil. Por fim, as prostitutas merecem todo respeito, enquanto há muitos magistrados que deveriam ser chamados de meretríssimos, especialmente no Supremo. (C.N.)

12 thoughts on “Desta vez, o editor da Tribuna errou feio ao comparar a Câmara dos Depútados à zona do baixo meretrício

  1. 1) Bela e importante crônica carioca. Parabéns Dr. Béja !

    2) O que eu fico pensando: se há uma zona de baixo meretrício, onde fica a de alto meretrício ?

    3) Certa feita, conheci em um debate político a Gabriela Leite (1951-2013), ativista, criou a ONG Davida que gerou a grife de modas Daspu, faziam desfiles ao ar livre, à noite, na Praça Tiradentes, RJ.

    4) Sua biografia foi publicada em 2009 pela editora Objetiva: “Filha, Mãe, Avó e Puta”, está sendo adaptada para um filme documentário.

    5) Graças ao seu ativismo, as “Trabalhadoras do sexo” hoje tem a profissão reconhecida pelo INSS, podem pagar como autônomas e aposentar-se.

    6) Estudou Sociologia na USP

    • 1) O vocábulo “puta” em português vem do sânscrito, Índia, o termo “putra” quer dizer “filho,filha”

      2) No Hinduísmo clássico há uma linhagem “Brahmaputra – Filhos do Deus Brahma, o Criador”.

      • 1) Licença… a cantora Marília Mendonça que está sendo sepultada hoje em Goiânia dedicou música para as “trabalhadoras do sexo”, o nome da canção é “Troca de Calçada”:

        Troca de Calçada
        Marília Mendonça

        Se alguém passar por ela
        Fique em silêncio, não aponte o dedo
        Não julgue tão cedo
        Ela tem motivos pra estar desse jeito

        Isso é preconceito
        Viveu tanto desprezo
        Que até Deus duvida e chora lá de cima

        Era só uma menina
        Que dedicou a vida a amores de quinta
        É claro que ela já sonhou em se casar um dia

        Não estava nos planos ser vergonha pra família
        Cada um que passou levou um pouco da sua vida
        E o resto que sobrou, ela vende na esquina

        Pra ter o corpo quente, eu congelei meu coração
        Pra esconder a tristeza, maquiagem à prova d’água

        Hoje você me vê assim e troca de calçada
        Só que amar dói muito mais do que o nojo na sua cara

        Pra ter o corpo quente, eu congelei meu coração
        Pra esconder a tristeza, salto 15 e minissaia
        Hoje você me vê assim e troca de calçada

        Mas se soubesse um terço da história, me abraçava
        E não me apedrejava

        É claro que ela já sonhou em se casar um dia
        Não estava nos planos ser vergonha pra família
        Cada um que passou levou um pouco da sua vida
        E o resto que sobrou, ela vende na esquina

        Pra ter o corpo quente, eu congelei meu coração
        Pra esconder a tristeza, maquiagem à prova d’água
        Hoje você me vê assim e troca de calçada

        Só que amar dói muito mais do que o nojo na sua cara
        Pra ter o corpo quente, eu congelei meu coração
        Pra esconder a tristeza, salto 15 e minissaia

        Hoje você me vê assim e troca de calçada
        Mas se soubesse um terço da história, me abraçava
        E não me apedrejava
        Hoje você me vê assim e troca de calçada

        Mas se soubesse um terço da história, me abraçava
        E não me apedrejava.

        2) A cantora e compositora era progressista, criou o movimento Feminejo – Feministas do Estilo Sertanejo. O fato ganhou destaque no Exterior.

        3) O jornal on line 247 informa que ela, por ser contra o atual Presidente foi ameaçada por seguidores dele, e precisou postar desculpas em público, pois a família ficou com medo.

        4) Gratidão poetisa Marília Mendonça ! Hoje vc vai cantar e encantar para Deus, o Criador de muitos nomes, abraços no seu tio, no piloto e os dois da produção que seguem contigo.

  2. Eu trabalhava no Jornal do Brasil. Era revisor. Até que fui atingido no confronto entre a P,M e Estudantes. O JB ficava na Av. Rio Branco. Voltei para o jornal e entrei no elevador, Nele, uma senhora. Meigamente me perguntou o que tinha acontecido. Contei. Cerca de uma hora depois fui chamado por ela para ir até seu gabinete. Fui. Era a Condessa Pereira Carneiro, dona do jornal.

    Ela me perguntou se gostava de ser revisor. Disse que não. Então gosta de que?. Gostaria ser repórter. E foi assim que fui transferido da revisão para a reportagem.

    Foca no início, Alberto Dines mandou que eu descesse até o subsolo e apanhasse a calandra. Fui. Era um trote. Calandra era uma máquina impressora presa ao chão, alta e enorme.

    Doutra feita Dines mandou que eu fosse à Zona. Teria havido um crime lá. Fui. Entrei na Zona para Rua Machado Coelho. Não tinha crime nenhum. Tinha sim silêncio, ordem, homens calados escolhendo as meninas. Tudo normal. Uma delas me chamou. Disse que estava ali trabalhando.

    A moça insistiu. Disse que eu era “novinho” e que fazer comigo uma “saliência” seria bom e barato.

    Foi a única vez que fui à Zona no Rio. Nunca mais voltei la. Em Paris, quando lá estudei, no Quarteirão Latino, vi de tudo. Em Amsterdam vi as moças das vitrines. Em todos esses lugares havia ordem, prazer e progresso. Nem rachadinha havia. O que as garotas entregavam aos cafetões ou cafetinas era o preço da ocupação do lugar. Era aluguel. E o dinheiro que recebiam não era dinheiro público.

  3. Bom dia ilustres. :

    A zona é tão bem organizada que levou um gerente da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – CEF a ter a brilhante e criativa ideia de abrir um posto da CAIXA dentro , visando não só o lucro , mas proteger tanto os frequentadores e usuários,quanto às prestadoras de serviços,hoje esse é a atual e principal agência bancária na região, em qual parte existe tal facanha .

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