Desviar recursos da Saúde deveria ser considerado crime hediondo

Magdala Domingues Costa

Jornalista Gabeira, não sou política, não li seu artigo no “Estadão”, mas animo-me a lhe escrever concordando com suas colocações. Quem estudou um pouquinho de literatura – fazia parte dos programas antigos do ginásio e segundo “ciclo” – conhece Ernest Hemingway, sua obra e sua trajetória de vida aventureira, acidentada, findando com o suicídio.

A “Geração Perdida”, termo atribuído a Gertrude Stein e popularizado por Hemingway em seus romances, refere-se a um grupo de celebridades literárias americanas que se apaixonaram pela Cidade Luz e lá decidiram viver, entre o fim da Primeira Guerra Mundial e o começo da Grande depressão americana.

Woody Allen reviveu essa época com suas principais personagens em seu magnífico “Meia noite em Paris” e eu, cá a sós com minha sombra, tracei um paralelo entre uma época dourada, culturalmente falando, e esta de trevas, que agora nos assola, apresentando casos patéticos como este do governador do Rio e sua “banda” cínica

Quanta vulgaridade!! Valha-nos Deus!! Até para ser irresponsável exige-se um requisito que muuuito antigamente denominava-se CLASSE. Não adiantam griffes famosas quando quem as ostenta não possui elegância interior, de atitudes também. São máscaras, nada mais, lambuzadas de pretensão, isentas de conteúdo, vazias, fantoches desorientados, vagando em seu mundinho irreal, pequeno, na medida exata de seus egos deformados.

Quem nunca comeu mel, quando come se lambuza, reza um provérbio antiquíssimo. Imagino os espectadores do triste espetáculo que a tchiurma do Cabralzinho apresentou.

O que pensaram daquela corriola terceiro-mundista de noveaux riches se esbaldando à tripa forra, supinamente deselegantes e… “financiados” com dinheiro público.

Jornalista, não sei se já visitou uma enfermaria com doentes de câncer, em estado terminal, em hospital da rede pública. Eu tive essa experiência e jamais, enquanto viva, a cena me sairá da memória. Como o senhor afirma: “corrupção na saúde mata”.

É crime de lesa humanidade desviar recursos da Saúde e deveria ser considerado CRIME HEDIONDO, com as penas previstas na lei, bastante rigorosas.

Pergunto-me se algum dos frequentadores conhece ao menos os rudimentos do idioma de Voltaire. Não me admiraria, se no auge de sua pompa, ao consultar o “menu”, hajam pedido “crevette” de camarão….

Há muito me exilei em minha própria cidade temendo emburrecer, além de viver enfurecida. Mas não resisto a um comentário de vez em quando, esperando que nos espaços anônimos, onde se expressam tantas pessoas de bem, os brasileiros decentes ofendidos, aviltados, se processe o milagre da conscientização e toda essa corja retorne às profundezas abissais de sua insignificância moral, de onde jamais deveria haver emergido.

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One thought on “Desviar recursos da Saúde deveria ser considerado crime hediondo

  1. Senhor jornalista

    A EXTINÇÃO DOS “SARUÊS”
    A imagem de um vetusto cidadão nordestino, de “aspecto respeitável”, com tornozeleira eletrônica e em prisão domiciliar, humilhado em sua onipotência arrogante, devolve-me a esperança de que as “Ligações Perigosas” que tanto mal nos causaram, estejam sendo sepultadas nas profundezas abissais de sua essência pútrida, de onde jamais deveriam ter emergido.
    Seria talvez este senhor um êmulo do “coroné” Saruê???
    Delírios de uma velha senhora com a mania de PENSAR.
    A Literatura é uma das mais elevadas manifestações do Espírito Humano, exatamente porque capta o clima de cada época.
    Quando em 1782, Choderlos de Laclos publicou seu romance epistolar “As ligações perigosas” (Les liasons dangereuses), possivelmente haverá ocorrido um destes fenômenos incompreensíveis no campo racional, somente explicáveis pela paranormalidade, tantas as semelhanças com os signos mais profundos do espetáculo de indignidades a que assistimos em nosso país no alvorecer do século XXI.
    No cenário de 1782, nobres sem escrúpulos, mergulhados na abjeção moral que o cinismo costuma impingir a seus adeptos, manipulam e humilham as restantes personagens através de jogos de sedução e intrigas.
    Maquiavelismo erótico à parte, o retrato da libertinagem vigente, a promiscuidade entre membros da aristocracia decadente, imediatamente anterior à Revolução Francesa, poderia facilmente ser transposto para o Brasil atual, onde episódios de deboche haviam chegado ao ápice. Uma olhadela rápida pelas manchetes confirmará esta assertiva.
    No caso brasileiro auferiam espertamente os lucro$$ de “enredo$”, sempre através de artifícios sofisticados, escapando aos mecanismos legais de controle e punição de seus atos torpes.
    Respingava lodo por toda parte e o dinheiro público escorria pelo ralo das negociatas, abundante como as águas do “Velho Chico” …
    Algumas personagens repetiam-se, ad aeternum, deslizando solertes e elegantes pelos corredores do Congresso Nacional, desvãos do Executivo, como tristemente informam as mesmas manchetes e atualmente a operação “Lava Jato” flagrou.
    A desvairada cobiça, a certeza da impunidade, o sentir-se protegidos por movimentos corporativistas, acima da Lei, envolvem seus espíritos apequenados, expondo em cifras sua fragilidade moral, medida pelos valores que se atribuem nos balcões de negócios onde despudoradamente se vendem.
    Aonde chegaríamos nesse caminhar? Nem o oráculo de Delfos ousaria prever.
    Pasma, como a maioria da população correta e digna, assistia impotente, silente, aterrorizada, o alastrar-se célere da praga nas camadas mais elevadas do Poder.
    O organismo muito deteriorado, acobertava os maiorais que prosseguiriam como hienas, sorrindo, vencedores, se uma divindade compadecida do povo brasileiro não viesse em sua ajuda através deste senhor, o Juiz Sérgio Moro e equipe..
    Desanimada eu tinha a visão dos bolsões miseráveis do norte e nordeste, que bem conheci, onde vicejam analfabetismo, desesperança, e os mais baixos IDH do país, convivendo com anacronismos incompatíveis com um mundo em célere desenvolvimento:- satrapias, oligarquias, dinastias, capitanias hereditárias etc.
    Eis que hoje abro os jornais e me deparo com a ordem de prisão emitida pelo procurador Rodrigo Janot para três personagens que desenvoltos desfilavam pelos salões do PODER.
    A corrupção endêmica e suas trágicas conseqüências certamente começa a ser reduzida a níveis razoáveis, pois a consciência crítica passará a funcionar como antídoto poderoso.
    Só assim a Democracia será exercida, de fato, para e pelos cidadãos. Os que se habilitarem aos cargos eletivos haverão de ser responsabilizados, cobrados pelos que os elegem, visando sempre o bem comum, ao contrário do que atualmente sucede, quando prevalecem interesses pessoais espúrios, levando à débâcle de valores éticos que perplexos presenciamos.
    A imprensa e demais meios de telecomunicações RESPONSÁVEIS, bem orientados, isentos de manipulações oportunistas, serão partícipes ativos de um processo de higienização nacional, que nos leve ao destino almejado pela maioria decente de brasileiros inconformados, desiludidos e impotentes.
    Saudações

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