Detalhes sobre as críticas do FMI ao neoliberalismo que voltou à moda no Brasil

Carlos Newton

Aqui na Tribuna da Internet temos um cuidado enorme com “fake news”. É impressionante a quantidade de informações falsas e manipuladas que nos enviam. Dá um trabalho enorme conferir a veracidade. Neste domingo, dia 2, publicamos uma matéria do site G1 sobre um estudo de três economistas do Fundo Monetário Internacional, a respeito do fracasso na aplicação do neoliberalismo de Milton Friedman em nações subdesenvolvidas.

Como o teor da reportagem do G1 e outros veículos foi anunciada como “mentiroso” pelo site russófilo “Spotniks”, voltamos ao assunto para reafirmar que o estudo dos técnicos do FMI é verdadeiro, publicado na seção “Finance & Development” do site oficial do International Monetary Fund, sob o título “Neoliberalism: Oversold?”, assinado por Jonathan D. Ostry (vice-diretor), Prakash Loungani (chefe de divisão) e Davide Furceri (economista), todos do Departamento de Pesquisa do FMI.

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EM VEZ DE CRESCIMENTO, NEOLIBERALISMO AUMENTOU A DESIGUALDADE, PREJUDICANDO A EXPANSÃO DURADOURA
Jonathan D. Ostry, Prakash Loungani e Davide Furceri

Milton Friedman, em 1982, aclamou o Chile como um “milagre econômico”. Quase uma década antes, o Chile havia se voltado para políticas que desde então foram amplamente copiadas para todo o mundo. A agenda neoliberal – um rótulo usado mais pelos críticos do que pelos arquitetos das políticas – repousa em duas tábuas principais. A primeira é o aumento da concorrência – alcançada através da desregulamentação e da abertura dos mercados domésticos, incluindo os mercados financeiros, à concorrência estrangeira. O segundo é um papel menor para o estado, alcançado por meio de privatizações e limites à capacidade dos governos de administrar déficits fiscais e acumular dívidas.

Tem havido uma tendência global forte e generalizada em direção ao neoliberalismo desde os anos 80, de acordo com um índice composto que mede o grau em que os países introduziram a concorrência em várias esferas da atividade econômica para promover o crescimento econômico.

PRÓS E CONTRAS – Há muito para animar a agenda neoliberal. A expansão do comércio global resgatou milhões da pobreza extrema. O investimento estrangeiro direto tem sido frequentemente uma forma de transferir tecnologia e know-how para economias em desenvolvimento. A privatização de empresas estatais, em muitos casos, levou a uma prestação de serviços mais eficiente e reduziu a carga fiscal sobre os governos.

No entanto, há aspectos da agenda neoliberal que não foram entregues como esperado. Nossa avaliação da agenda se limita aos efeitos de duas políticas: remover restrições aos movimentos de capital através das fronteiras de um país (a chamada liberalização da conta capital); e consolidação fiscal, às vezes chamada de “austeridade”, que é uma abreviação de políticas para reduzir os déficits fiscais e os níveis de endividamento.

CONCLUSÕES INQUIETANTES – Uma avaliação dessas políticas específicas (e não da ampla agenda neoliberal) chega a três conclusões inquietantes:

  • Os benefícios em termos de aumento do crescimento parecem bastante difíceis de estabelecer quando se olha para um amplo grupo de países.
  • Os custos em termos de aumento da desigualdade são proeminentes. Tais custos resumem o trade-off entre os efeitos de crescimento e equidade de alguns aspectos da agenda neoliberal.
  • O aumento da desigualdade, por sua vez, prejudica o nível e a sustentabilidade do crescimento. Mesmo que o crescimento seja o único ou principal objetivo da agenda neoliberal, os defensores dessa agenda ainda precisam prestar atenção aos efeitos distributivos.

PREJUÍZO À DEMANDA – As políticas de austeridade não apenas geram custos substanciais de bem-estar devido aos canais do lado da oferta, mas também prejudicam a demanda – e, portanto, pioram o emprego e o desemprego. A noção de que as consolidações fiscais podem ser expansionistas (isto é, aumentar a produção e o emprego), em parte aumentando a confiança e o investimento do setor privado, tem sido defendida, entre outros, pelo economista Alberto Alesina, de Harvard, no mundo acadêmico, e pelo ex-presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, na arena política.

No entanto, na prática, episódios de consolidação fiscal foram seguidos, em média, por quedas, e não por expansões na produção. Em média, uma consolidação de 1% do PIB aumenta a taxa de desemprego de longo prazo em 0,6 ponto percentual e aumenta em 1,5% em cinco anos a medida de desigualdade de renda de Gini (Ball e outros, 2013).

Em suma, os benefícios de algumas políticas que são uma parte importante da agenda neoliberal parecem ter sido um pouco exagerados.

CAPITAL DE CURTO PRAZO – No caso da abertura financeira, alguns fluxos de capital, como o investimento estrangeiro direto, parecem conferir os benefícios reivindicados para eles. Mas para outros, particularmente fluxos de capital de curto prazo, os benefícios para o crescimento são difíceis de colher, enquanto os riscos, em termos de maior volatilidade e maior risco de crise, são grandes.

No caso da consolidação fiscal, os custos de curto prazo em termos de menor produção e bem-estar e maior desemprego foram subestimados, assim como também é subestimada a conveniência de países com amplo espaço fiscal de simplesmente viverem com alta dívida e permitir que os índices de dívida caiam organicamente através do crescimento.

UM CICLO ADVERSO – Além disso, uma vez que tanto a abertura quanto a austeridade estão associadas ao aumento da desigualdade de renda, esse efeito distributivo estabelece um ciclo de feedback adverso. O aumento da desigualdade gerado pela abertura financeira e pela austeridade pode por si só minar o crescimento, exatamente aquilo que a agenda neoliberal pretende impulsionar. Há agora fortes evidências de que a desigualdade pode reduzir significativamente tanto o nível quanto a durabilidade do crescimento (Ostry, Berg e Tsangarides, 2014).

A evidência do dano econômico causado pela desigualdade sugere que os formuladores de políticas deveriam estar mais abertos à redistribuição do que eles. É claro que, além da redistribuição, as políticas poderiam ser elaboradas para mitigar antecipadamente alguns dos impactos – por exemplo, através de maiores gastos em educação e treinamento, o que expande a igualdade de oportunidades (as chamadas políticas de pré-distribuição).

E as estratégias de consolidação fiscal – quando necessárias – poderiam ser projetadas para minimizar o impacto adverso nos grupos de baixa renda. Mas, em alguns casos, as conseqüências distributivas adversas terão que ser remediadas depois que elas ocorrerem, usando impostos e gastos do governo para redistribuir renda. Felizmente, o medo de que tais políticas necessariamente prejudiquem o crescimento é infundado (Ostry, 2014).

EM BUSCA DO EQUILÍBRIO – Essas descobertas sugerem a necessidade de uma visão mais sutil do que a agenda neoliberal é capaz de alcançar. O FMI, que supervisiona o sistema monetário internacional, esteve à frente dessa reconsideração.

Por exemplo, seu então economista-chefe, Olivier Blanchard, disse em 2010 que “o que é necessário em muitas economias avançadas é uma consolidação fiscal de médio prazo credível, não uma corda fiscal hoje”. Três anos depois, Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, disse que A instituição acreditava que o Congresso dos EUA estava certo em aumentar o teto da dívida do país “porque a questão não é contratar a economia cortando brutalmente os gastos agora, já que a recuperação está aumentando”. E em 2015 o FMI avisou que os países da zona do euro ” espaço fiscal deve usá-lo para apoiar o investimento”.

Na liberalização da conta de capital, a visão do FMI também mudou. Considerava os controles de capital quase sempre contraproducentes, mas passou para uma maior aceitação dos controles para lidar com a volatilidade dos fluxos de capital. O FMI também reconhece que a liberalização completa do fluxo de capital nem sempre é um objetivo final apropriado, e que uma maior liberalização é mais benéfica e menos arriscada se os países atingirem certos limites de desenvolvimento financeiro e institucional.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo o artigo é muito extenso, tivemos de reduzi-lo e vamos deixar para fazer os comentários amanhã. De toda forma, o ministro Paulo Guedes e seus novos Chicago boys deveriam raciocinar a respeito dessas orientações mais atuais do FMI. (C.N.) 

12 thoughts on “Detalhes sobre as críticas do FMI ao neoliberalismo que voltou à moda no Brasil

  1. CARLOS NEWTON

    Já estou muito cansado e desiludido. Faço a seguinte pergunta: será possível uma maneira de EXIGIRMOS junto ao Supremo o cumprimento constitucional de uma auditar em na Dívida Pública? Quem sabe o dr Beja possa dar uma orientação jurídica sobre o assunto. Talvez uma peça jurídica com milhões de assinaturas solucionase o problema (nas redes sociais isto seria possivel)

    Paga-se a metade dos juros. Para pagamento da outra metade, emite-se Títulos da Dívida Pública para salda-lo. Por cada (porcada mesmo) ano os juros se transformam em nova dívida.

    Eu e milhões de brasileiros agradeceríamos

  2. A ideia de Elmir Bello, acima, é interessante e procedente.

    Se até para usar o banheiro o STF está sendo acionado, então que seja questionado sobre as razões pelas quais os governos se negam a justificar para a chefia, o povo, as auditorias tão necessárias e decisivas para se estancar os vazamentos de receitas e de gastos.

    Por outro lado, se, até eu, que não entendo bulhufas de Economia, dou meus pitacos volta e meia, Guedes está deixando a desejar, assim como o governo de Bolsonaro.

    Não aceito, não compreendo, repudio, sistemas econômicos tipo neoliberalismo antes de, pelo menos, equacionarmos a pobreza e a miséria no Brasil!

    Mais de 120 milhões de almas que ganham até um salário mínimo e meio de reais por mês, afora quase 60 milhões que são compostos de pobres e daqueles que estão abaixo da linha de pobreza – inacreditável, abaixo da linha de pobreza! -, e queremos falar de neoliberalismo, sinceramente, mas o presidente e sua equipe não têm a menor ideia sobre o país, o povo e a nossa situação catastrófica!!!

    Os caras tão doidão!!!

    Mas, o que me surpreende, então os meus questionamentos e críticas ao atual governo, diz respeito aos seus assessores, respeitosamente um bando de incompetentes e de asnos, sem querer ofender os muares, claro.

    Será que não tem ninguém com coragem suficiente para avisar o surdo do Bolsonaro, que, desse jeito, de não considerar o desemprego, o país improdutivo, a situação econômica atual, as crises institucionais, um legislativo inútil, perdulário, corrupto, vagabundo e incompetente, o Planalto está nos DEVOLVENDO para a esquerda na próxima legislatura??!!

    Mas está oferecendo em bandeja de prata mais da metade da população brasileira descontente com a expectativa que foi a eleição de Bolsonaro e, agora, apenas seis meses depois, a grande decepção??!!

    Bah, mas esses caras estão sendo tão traidores quanto foram os petistas, dá licença, meu!

    Aonde está escondida a ala dos generais que não pega o presidente pela orelha com firmeza – azar se ficar roxa -, e o manda trabalhar??

    Aonde se encontram os militares que não sacodem o braço de Bolsonaro, e o mandam dar uma séria advertência em Guedes??

    Pô, neoliberalismo, nessas alturas, com esse contingente maior do que a maioria das nações do globo que temos, de pobres e miseráveis, o Planalto quer que eu seja um comunista, um defensor arraigado de Marx, que eu me torne da esquerda!!!

    Repito:
    A direita levou 500 anos para “construir” esse país injusto, preconceituoso, lento, composto por elites e castas que jamais pensaram no seu desenvolvimento e situação do povo, porém, ao ascender a esquerda ao poder só fez cagadas em 14 anos, qual é a solução?

    Por favor, nada de Keynes, Smith, Mises, Robert Solow – este ainda está vivo (94 anos) – tratam-se de economistas de outras eras, do passado, com pensamentos absolutamente em desacordo com o momento atual!
    E, mesmo que ainda estivessem propagando suas teorias, faz-se mister dizer que SOMOS UM PAÍS DIFERENTE DOS DEMAIS!!!

    Povo diferente;
    governantes diferentes porque ladrões e exploradores;
    elite desqualificada, egoísta, incompetente;
    castas alienadas, que só pensam em si mesmas e no seu bem-estar;
    Ensino e educação trágicos;
    saúde pública deteriorada;
    violência exacerbada e incontrolável;
    um país de dimensões continentais, e não temos ferrovias! Sequer em parques de diversões brasileiros existem trenzinhos!!!
    Estradas sem manutenção, em péssimo estado, sem fiscalização,sem balanças para coibir os excessos de peso dos caminhões …

    E, Paulo Guedes, o guru da economia para o presidente, membro dos “Chicago boys” – mais parece nome de gangue que de economistas -, quer implantar o liberalismo econômico nesta coisa chamada Brasil????!!!!

  3. Caro CN, pela matéria do G1, o leitor é induzido a acreditar que toda a agenda ‘neoliberal’ leva a um retumbante fracasso. Agora, com o texto original, descobrimos que os autores, na verdade, elogiam o liberalismo, fazendo ressalvas sobre a abertura para o capital especulativo e a uma austeridade do tipo ‘phoda-se’. Ou seja, chovem no molhado falando o óbvio.

    Já a relação entre igualdade e crescimento não ficou clara pra mim (que sou leigo) … além do mais, Cuba é um bom exemplo de sociedade igualitária com crescimento econômico pífio.

  4. O Brasil desde 1930 com o grande Presidente VARGAS ( 1930-1945) e (1951-1954) com auge no Governo Autoritário de 64,( 1964-1985) optou pela INDUSTRIALIZAÇÃO via Modelo Nacional Desenvolvimentista semi-Estatal. A nosso ver, é o melhor Sistema para tirar um País do sub-desenvolvimento, mas deve a medida que o tempo passa, ir diminuindo o componente Estatal de Produção direta via Estatais, e aumentando o componente de Produção PRIVADA NACIONAL com grande concorrência interna ( Modelo LACERDISTA do grande Governador CARLOS LACERDA , transformando lentamente o Modelo VARGUISTA em Modelo Nacional Desenvolvimentista PRIVATISTA NACIONAL aceitando o Capital Internacional Multi-Nacionais em até +- 20% do PIB, mas nunca majoritário).

    Não se fez isso e o Modelo Nacional Desenvolvimentista semi-Estatal “inchou”, com crescente Deficit Fiscal e Endividamento Público chegando atualmente o Governo a consumir 41% do PIB ( 34% de Carga Tributária e 7% de Deficit Nominal e Endividamento Público de +- 80% do PIB. Isso “engessou a Economia”.

    Duas Correntes Políticas principais apoiaram o Governo BOLSONARO/MOURÃO , as FFAA que em maioria defendem o Modelo Nacional Desenvolvimentista semi-Estatal tendendo ao PRIVATISTA NACIONAL de LACERDA, e o “MERCADO” que apoia o Modelo Neo-Liberal conforme as Diretrizes do Consenso de Washington, defendido pelo Ministro da Fazenda Dr. PAULO GUEDES.
    Ambos sabem e concordam que o Estado tem que ser DIMINUÍDO, só que as FFAA defendem uma redução “lenta, gradual e segura”, fazendo as “Reformas”, enquanto os Neo-Liberais querem uma redução RADICAL e rápida.

    Nosso Colega Sr. POLICARPO acima, sintetizou bem o Estudo dos três Economistas do FMI, ( Excesso de Austeridade para reduzir RADICALMENTE o tamanho do Estado é muito Contracionista na aplicação e não leva a grande crescimento depois. Bem menos do que o esperado. E o descontrole dos Fluxos de Capitais de Curto Prazo são mais prejudiciais que benéficos pela VOLATILIDADE e INCERTEZAS que causam.
    Que nos Países sub-Desenvolvidos, nosso caso, a longo Prazo, o excesso de Austeridade leva a aumento da Desigualdade Social que age como um freio no crescimento Econômico.

    O Congresso ainda não tem claro qual dos caminhos é o mais produtivo para o Brasil, a escolha é difícil, por isso as coisas caminham lentamente, mas esse Estudo do FMI aponta para uma solução defendida pela maioria das FFAA. uma redução mais lenta do ESTADO mantendo-se o Modelo Nacional Desenvolvimentista expurgado dos seus excessos, e não pela RADICAL diminuição do Estado via Neo-Liberalismo.
    É também a minha visão da questão.

    • Excelente.
      Pessoalmente, sou totalmente contra a intervenção excessiva do estado na vida do induviduo e principalmente na economia.
      Esse modelo falhou…simples assim.
      Competição, livre concorrência é que geram uma nação forte economicamente. Dá trabalho, existem distorções mas é o caminho mais eficiente.
      Vamos olhar para o nosso umbigo. Deu certo esse socialismo fabiano aqui na terra abençoada?
      Óbvio que não. Nos últimos 40 anos tivemos espasmos, soluços e voôs de borboleta.
      Como estamos agora?
      A matéria não condena o livre mercado. Aponta as distorções.
      Trabalhei 25 anos no seguimento de óleo e gás. A empresa hoje está em Recuperação Judicial e Na Lava a Jato.
      Isso porque citamos a PB, só a PB.
      O estado fica com 40% do que é produzido. E retorna o que?
      Essec”kraken” que são as empreeiteiras começou a ganhar corpo em 1969 (e com Juscelino tb) no governo intervencionista (Socialismo moreno) de Costa e Silva, quando foi proibido a contratação de construtoras externas.
      A reserva de informática gerou um computador de mesa do tamanho de um grande porte (cobra) acho que somente o Pelé ganhou dinheiro pois fazia a propaganda.
      Hoje, inclusive os “che guevaras” do Leblon tem o seu Lap Top…
      Imclusive, dizem que o predidiário de Curitiba se encantou com a Dilmanta pelo fato de na primeira reunião entre eles, ela abriu um Lap Top. Que beleza.
      Os socialistas de boutique são interessantes. Muito interessantes. São objetos para estudo.

  5. O que é neoliberalismo?

    Pelo que tenho visto, os comunistas chamam de neoliberalismo o plano de governo dos socialistas fabiano, ou seja, o estado ainda controlando a economia.

  6. Prezado Alex Moura,

    O Neoliberalismo é uma doutrina socioeconômica que retoma os antigos ideais do liberalismo clássico ao preconizar a mínima intervenção do Estado na economia, através de sua retirada do mercado, que, em tese, autorregular-se-ia e regularia também a ordem econômica.

    Sua implantação pelos governos de vários países iniciou-se na década de 1970, como principal resposta à Crise do Petróleo.

    Os neoliberais combatem, principalmente, a política do Estado de Bem-Estar social, um dos preceitos básicos da social democracia e um dos instrumentos utilizados pelo Keynesianismo para combater a crise econômica iniciada em 1929.
    Nessa política, apregoava-se a máxima intervenção do Estado na economia, fortalecendo as leis trabalhistas a fim de aumentar a potencialidade do mercado consumidor, o que contribuía para o escoamento das produções fabris.

    A crítica direcionada pelo neoliberalismo a esse sistema é a de que o “Estado forte” é oneroso e limita as ações comerciais, prejudicando aquilo que chamam de “liberdade econômica”.

    Além disso, a elevação dos salários e o consequente fortalecimento das organizações sindicais são vistos como ameaças à economia, pois podem aumentar os custos com mão de obra e elevar os índices de inflação.
    Dessa forma, os neoliberais defendem a máxima desregulamentação da força de trabalho, com a diminuição da renda e a flexibilização do processo produtivo.

    Outra premissa básica do neoliberalismo é o desaparelhamento do Estado, ou seja, as privatizações. Nesse contexto, defende-se que o Estado é um péssimo gestor e que somente atrapalha o bom andamento das leis do mercado, que seria gerido pela “mão invisível”, anteriormente defendida pelo liberalismo clássico, e que funcionaria pela lei da oferta e da procura, bem como pela livre concorrência.

    Nesse sentido, a função do Estado é apenas garantir a infraestrutura básica para o bom funcionamento e escoamento da produção de mercadorias, bem como a intervenção na economia em tempos de eventuais crises.

    Os Estados Unidos e a Inglaterra foram não tão somente as primeiras nações a implementarem essa doutrina, como também se responsabilizaram em disseminá-la pelo mundo. Em alguns casos, como no Chile, ela foi imposta à força, por meio do fortalecimento de um regime ditatorial local.
    Em outros casos, o neoliberalismo foi colocado como alternativa a países extremamente dependentes e com economias em crise ou fragilizadas, como o Brasil.

    No caso brasileiro, os anos 1990 foram marcantes para a implementação do neoliberalismo, através da privatização da maioria das estatais então existentes, com destaque para a Vale do Rio Doce, a Telebrás e a Embratel.

    Além de se comportar como uma corrente econômica, o neoliberalismo age também como um padrão social de comportamento. Sua implantação em associação ao regime Toyotista (sistema de organização voltado para a produção de mercadorias. Criado no Japão, após a Segunda Guerra Mundial, pelo engenheiro japonês Taiichi Ohno, o sistema foi aplicado na fábrica da Toyota, origem do nome do sistema) de acumulação flexível preconiza a individualização do comportamento, sobretudo no campo profissional, o que é amplamente difundido pelas concepções do empreendedorismo.

    Por esse motivo, o Neoliberalismo é alvo de constantes críticas, sobretudo pelo processo de desregulamentação da força de trabalho e pelo enfraquecimento ou aparelhamento das forças sindicais, o que se traduziu em uma diminuição gradativa dos direitos trabalhistas e no padrão médio de vida da classe trabalhadora em todo o mundo.
    O exemplo mais evidente dessa lógica, sem dúvida, são os chamados Tigres Asiáticos, países extremamente industrializados, mas com mão de obra extremamente barata, fruto da ausência de leis trabalhistas. Os trabalhadores, por exemplo, praticamente não contam com férias, e os benefícios são limitados, tudo isso para atrair empresas estrangeiras e assegurar os seus respectivos lucros.
    Apesar da recente crise econômica que se iniciou em 2008 e afetou, sobretudo, a União Europeia, o Neoliberalismo é o principal sistema econômico da atualidade, sendo adotado pela maioria das economias nacionais atuais.
    (Rodolfo Aves Pena).

    Abração.

    • Muito bom.
      Se possível só queria complementar quanto ao projeto de privatição do PSDB. Concordo e entendo que o que foi feito foi o certo. Só queria complementar que com o FFHHCC o procedimento foi meio que FDP. Tivemos as privatizações porém muito com BNDES participando, inclusive a empresa que trabalhei entrou na jogada de algumas Teles sem colocar um tostão, ou seja o estado entrando na jigada.
      Por incrivel que pareça, no governo do safado do Collor (quando começaram as privatizações) o sistema foi mais justo. Leilões, quem tinha grana entrava e siga o baile. Me lembro das pancadarias na Praça XV.
      Mas de qualquer maneira, foi ótimo seu comentário.
      Abcs

    • Francisco, ou seja esse tal “neoliberalismo” é somente a social democracia corrigindo as besteiras que os comunistas fizeram na economia. Até fhc era chamado de neoliberal.

      O curioso é que não existem autores nem livres de “neoliberais”, essa palavra só existem em obras de autores de esquerda, e geralmente usada para atacar algum adversário.

  7. Prezado Moura,

    Perdão, mas a tua interpretação sobre neoliberalismo não está correta!

    A essência dessa forma econômica diz respeito à manutenção dos ganhos, dos lucros dos bancos, comércio e indústria.

    O pessoal que pagar cada vez menos impostos, exigir mais ainda, lucrar mais, ganhar mais dinheiro, e nada se importando com a situação do povo e do país!

    Então, um Estado menor, que não tenha estatais, que não tenha autarquias, bancos oficiais, economia mista … que deixe tudo para a iniciativa privada, levando em conta unicamente a lei maior na economia:
    oferta e procura!

    Em outras palavras:
    Na razão direta que querem liberdade total em seus negócios desejam, ao mesmo tempo, aprisionar povo e país à produção, à comercialização, à colocação de mercadorias e produtos no mercado, visando permanentemente altas constantes.

    Observa:
    Se durante anos a fio que vivemos à mercê da inflação galopante, que desvalorizava a moeda e salários, quem lucrou muito com esta situação?
    O povo perdia em demasia com seus vencimentos, que eram corrigidos posteriormente à taxa de inflação do mês, porém os bancos, as indústrias, o comércio, lavaram-se de ganhar dinheiro com os aumentos no que vendiam e produziam, afora os investimentos à noite, denominados de “overnight”, lembras?

    Certa feita, lá pelos idos de 88 ou 89, não preciso o ano, mas foi em um desses, com a inflação beirando 80% ao mês, o banco Safra calculou que no mês de fevereiro haveria apenas 13 ou 14 dias úteis.
    Juntou uma soma considerável de dinheiro, que não era problema, e aplicou-o em uma poupança na Caixa Federal(!!), ou seja, teria rendimento de um mês com apenas a metade deste período.

    Foi um escândalo porque o gerente da Caixa não poderia ter aceito tamanha quantia, sendo até demitido. Mas, o dinheiro aplicado ficou depositado, e o Safra lucrou o dobro do que pagava a poupança em trinta dias!

    O neoliberalismo é uma esperteza do empresário, que não melhora a vida do povo e país, só deles, a ponto que a frase, “privatiza-se o lucro, entretanto estatiza o prejuízo”, define muito bem a expressão.

    Frases de efeito, bem formuladas, divulgando essa política econômica como solução, trata-se de blefe, sofisma, falácia, na razão indireta que o povo fica limitado aos caprichos e decisões do empresariado, incluindo o Estado.

    Rapidamente:
    Privatizemos a Petrobrás, por exemplo, e ficaremos à mercê de seus donos, que, se não venderem os produtos com larga margem de lucro, simplesmente deixam de produzir combustíveis.
    E agora??!!

    Abraços.
    Saúde.

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