Determinados Ministros de Dilma deveriam ser obrigados a apresentar atestados de bons antecedentes. Foram escolhidos por ela ou por Lula? De toda forma, a nova presidente precisa se livrar desses maus elementos.

Carlos Newton

Começa mal a presidente eleita Dilma Rousseff. Prometeu que não nomearia para o Ministério nenhuma figura de ficha suja ou envolvida com irregularidades. Era melhor ter ficado calada. Na condição de presidente (embora apenas eleita), é sua primeira promessa não cumprida.

Para começar, Antonio Palocci no principal ministério, a Casa Civil. É um político de passado altamente condenável, desde os tempos de prefeito de Ribeiro Preto (SP), quando se envolveu com propinas da empresa Leão & Leão, de coleta de lixo. Porém, como parte dos recursos ilícitos ia para o próprio PT, o partido nunca considerou como irregularidades essas relações perigosas do prefeito.

Quando era ministro da Fazenda, Palocci mentiu em entrevista coletiva, ao afirmar que não fez contratos com a Leão & Leão. No dia seguinte, ficou provado que havia assinado na Prefeitura vários contratos com a empresa. Depois veio foi o episódio do caseiro Francenildo e das orgias na mansão do lago, alugada por amigos de Ribeirão. Mesmo com esses antecedentes, agravados pela espinha eternamente curvada aos banqueiros (ou será por causa disso mesmo?), lá está Palocci de volta ao Planalto.

A presidente vai nomear também o deputado Luiz Sérgio, do PT-RJ, para o Ministério das Relações Institucionais. Luiz Sergio é aquele que em 2006 se apresentou à Justiça Eleitoral como não possuidor de bens, tinha patrimônio zero. Quatro anos depois, já aparecia como detentor de bens avaliados em 1,6 milhão de reais, segundo “O Globo” (22/12/10).

No dia seguinte, a assessoria do deputado tentou responder ao jornal. Ardilosamente, afirmou que os bens constaram como “zero”, porque “o PT-RJ, à época, perdeu o prazo de envio dessa documentação ao TRE-RJ”. É mentira. Sem declaração de bens, a candidatura é rejeitada pelo Tribunal.

Além disso, a “assessoria” alegou que o patrimônio atual de Luiz Sergio seria de “apenas” R$ 1,1 milhão, ressalvando que o parlamentar teria comprado um apartamento na Lagoa, Zona Sul do Rio, que não consta de seus bens porque ainda não foi quitado, “não constituindo, portanto, patrimônio até sua quitação”. Outra mentira, porque a parte já quitada do apartamento (na Lagoa, caríssimo) constitui patrimônio e tem de constar de qualquer declaração de bens. Mas quem liga para isso? O patrimônio dos políticos sempre cresce muito, não é verdade?

Também acusado de irregularidades, o deputado federal baiano Afonso Florence será nomeado para o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Está sendo investigado pelo Ministério Público da Bahia e o Tribunal de Contas do Estado, por falcatruas no repasse de verba da Secretaria de Desenvolvimento Urbano a uma entidade privada.

Em 2008, quando comandava a Secretaria, o petista Florence autorizou convênio com o Instituto Brasil de R$ 17,9 milhões, para construção de 1.120 casas populares, sem licitação. O instituto é uma Oscip da área de direitos sociais e cultura. As irregularidades resultaram na suspensão dos repasses, determinadas pelo TCE por orientação do MP, e em duas representações da bancada da oposição na Assembleia da Bahia por improbidade administrativa.

O tal Instituto Brasil, que conseguiu receber cerca de R$ 8 milhões da Secretaria então comandada por Florence e passou notas frias, não por coincidência é presidido por Dalva Selle Paiva, do PT baiano. Está tudo em casa.

O mais curioso é o escândalo envolvendo o futuro ministro do Turismo, deputado Pedro Novais, indicado por Sarney e que gastou R$ 2.156,00 no Motel Caribe, em São Luís, e anexou a nota fiscal à prestação de contas de sua “atividade parlamentar”. Ele jura que nada teve a ver com isso, mas foi reconhecido pelos funcionários do motel, porque é muito raro ter um senhor de 80 anos dando uma festa no local. Novais, que sempre foi uma figura apagadíssima na Câmara, seria ótimo fazendo propaganda do Viagra. Todo mundo, inclusive Sarney, iria rejuvenescer imediatamente.

A presidente eleita precisa se livrar dessa corja, onde se inclui, entre outros, o futuro ministro Edison Lobão, pai do conhecido Edinho “Trinta” (por cento), seu amado filho que o substituirá novamente no Senado. Se ela não escorraçar estes e outros ministeriáveis de currículo mal cheiroso, impostos a ela por Lula ou não, podemos dizer que estará começando mal seu mandato como a primeira mulher a presidir a República.

É pena. Dilma Rousseff tem personalidade forte e gabarito para fazer um governo muito melhor do que o de Lula, cujo aparente sucesso deve-se muito a ela, na Casa Civil. Digo “aparente sucesso” porque Lula ajudou os pobres, mas se esqueceu de ajudar o País. A infraestrutura, que é absolutamente necessária para o desenvolvimento nacional, continua uma porcaria. Fernando Henrique, que também ajudou os pobres com a criação da Bolsa Família (ou Bolsa Escola, você escolhe), ficou oito anos e não fez nada para o País crescer. Lula idem. Os portos são uma vergonha, os aeroportos também; as rodovias seguem esburacadas, as ferrovias funcionam precariamente. Somente houve avanços na geração de energia.

Dilma Rousseff sabe disso. É muito mais importante fortalecer a infraestrutura e melhorar a logística do desenvolvimento, do que tocar determinadas obras do tal PAC. Precisamos ver como ela se portará, quando enfim cortar os grilhões que ainda a prendem ao espectro de Lula, que, em seu delírio de grandeza, insiste em achar que o cargo de presidente é vitalício. Dilma, que é mineira, precisa exigir liberdade, ainda que tardia.

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