Deus é brasileiro: nacionalizações na Argentina e Bolívia devem alavancar investimentos estrangeiros no país

Carlos Newton

De repente, não mais que de repente, como dizia Vinicius de Moraes, o Brasil passou a ser uma espécie de país da moda. Apesar de suas enormes carências, seu prestígio internacional está em alta e por isso vai sediar, seguidamente, os dois mais importantes eventos mundiais – a Copa do Mundo e a Olimpíada.

O crescimento econômico é seguro e gradativo. Tem mão de obra e tecnologia para expandir as atividades industriais. A agricultura está destinada a ser a maior do mundo, sem concorrentes à altura, devido às condições climáticas. Dispõe de reservas minerais incalculáveis, inclusive de minerais estratégicos, como nióbio e terras raras. Tem o quinto maior território e a sexta maior população, que garante um gigantesco mercado interno em expansão.

Além de tudo isso, a sexta maior economia está em condições estáveis, a inflação segue sob controle, o país tem volumosa reserva de divisas. Ou seja, tem tudo para dar certo como potência emergente. E, ainda por cima, como todos sabem por aqui, Deus é brasileiro e está abrindo nossos caminhos, porque as recentes nacionalizações de empresas espanholas na Argentina e na Bolívia com certeza incentivarão novos investimentos de corporações transnacionais aqui no chamado Patropi, com diz Jorge Benjor.

Além de um quadro econômico e político mais estável, se comparado ao de outros países latino-americanos, o Brasil vai se beneficiar por garantir maior segurança jurídica. “De maneira geral, o Brasil tem um marco regulatório consolidado e assegura maior respeito aos contratos, dando guarida aos investimentos”, disse à agência BBC Brasil o analista Ernesto Lozardo, professor de economia da FGV de São Paulo.

Na verdade, o país já está na rota dos investidores externos que, sem perspectivas de ganhos futuros nas economias dos Estados Unidos e da Europa, buscam mercados mais atraentes para aplicar seu capital.

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BRASIL NA FRENTE

Segundo dados recentes da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o Brasil foi o país latino-americano que mais recebeu investimentos do exterior no ano passado, respondendo por US$ 66,7 bilhões ou 43,7% do total de US$ 153,4 bilhões investidos na região, seguido do México, Chile, Colômbia, Peru, Argentina, Venezuela e Uruguai.

No caso da Espanha, por exemplo, desde 1993 o Brasil recebeu mais de 30% do volume de investimentos estrangeiros diretos espanhóis na América Latina. No ano passado, esse fluxo cresceu, totalizando 4 bilhões de euros (R$ 10,1 bilhões) ou 64% do montante total de 6,3 bilhões de euros investidos pela Espanha no continente.

Descontados os “desinvestimentos” (ou seja, investimentos que foram desfeitos, como venda de ativos, por exemplo), a taxa líquida das aplicações espanholas no Brasil em 2011 ficou em 3,9 bilhões de euros, volume muito superior ao segundo colocado, o México, com cerca de 1 bilhão de euros investidos.

Segundo o relatório “Panorama de Investimento Espanhol na América Latina 2012”, 30 das companhias de maior faturamento da Espanha enxergam com pessimismo a evolução de seus negócios em países como Argentina, Bolívia e Venezuela.

Das empresas com filiais nesses três países, somente 15% planejam aumentar sua presença na Argentina em 2012, contra 4% na Bolívia e na Venezuela. No Brasil, entretanto, o índice é de 62%.

Nada mal, é verdadeiramente um indício de que Deus é mesmo brasileiro.

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