Deus e o Diabo na campanha eleitoral

Carlos Chagas

Antes de entrar na política partidária, Fernando Henrique Cardoso ostentava o título de livre pensador, junto com o diploma de sociólogo. Não hesitava, nas  aulas e nas conferências que ministrava, em negar a existência de Deus. Depois, as circunstâncias levaram-no a reformular o pensamento. Candidato à presidência da República, com o Lula ainda liderando as pesquisas, entrevistei-o na saudosa Rede Manchete, perguntando em dado momento se acreditava em Deus. Em vez de responder diretamente, tirou a carteira do bolso  do paletó e mostrou um santinho com a imagem  de São Judas Tadeu, por sinal o padroeiro dos desesperados. Respondia assim, sem responder, porque fica evidente que  quem venera um  santo submete-se ao chefe de todos os santos, no caso, Deus.

Essa história se conta a propósito da necessidade que têm todos os candidatos (e candidatas) ao palácio do Planalto de transmitir ao eleitorado a crença inconteste  na existência de um Ser Superior. É muito mais produtivo, eleitoralmente, porque a negativa subtrairia alguns milhares de votos.

No  debate de domingo entre os dois presidenciáveis, José Serra evitou perguntar a Dilma Rousseff se ela acreditava em Deus, certamente por já saber a resposta óbvia.  Preferiu lembrar que no passado, quando guerrilheira, a adversária deixou depoimentos contestando a existência do Padre Eterno e dizendo-se agnóstica, para depois desferir o golpe: “Agora você se  apresenta como beata…”

Dilma fez que não entendeu a maldade e um dia depois foi à Basílica de Nossa Senhora Aparecida assistir missa e,  garantem dirigentes do PT, rezar pela salvação da alma,  jamais pela eleição do concorrente.

A gente fica pensando até onde irão as baixarias dessa campanha,  porque a candidata  também não hesita em manejar o punhal sempre que Serra lhe dá as costas. Chegou a acusá-lo de  defender a entrega da Petrobrás às multinacionais, afirmação descabida quando se sabe que ele não retornou ao ministério do Planejamento,  depois da malograda campanha para  prefeito de São Paulo,  precisamente por se opor às privatizações efetivadas por Fernando Henrique Cardoso.

Só falta mesmo, no  próximo debate, Dilma indagar  de Serra se ele trás o  Capeta no coração  e Serra perguntar a Dilma se o Belzebu votará nela…

O PMDB COM O VENCEDOR

Na hipótese da eleição de  Dilma Rousseff, parece definido o quadro parlamentar para o início do novo governo: o PT ficará com a presidência da Câmara, o PMDB com a presidência do Senado, umbelicalmente ligados os dois partidos. Provavelmente Cândido Vacareza  e José Sarney comandarão as duas casas.

E se o vencedor for José Serra? Quinze minutos depois estará desfeita a aliança entre o PMDB e o PT. O bloco majoritário no Congresso será formado pelo PSDB e o PMDB, queiram ou não os Democratas. Os peemedebistas oferecerão a presidência da Câmara aos tucanos e, no Senado formarão a base de apoio ao palácio do Planalto.  Se alguém duvida, é só esperar.

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