Deus, seja pela religião ou pela ideia, é universal

Pedro do Coutto

A Folha de São Paulo publicou na edição de terça-feira que o Ministério Público Federal ingressou com ação judicial para que as novas notas de real sejam impressas sem a expressão “Deus seja louvado”. A proposta inicial partiu da Procuradoria do Estado de São Paulo, alegando que a frase colide com o fato de não existir uma religião oficial. O Estado é laico. E daí? A ideia da existência de Deus não fere religião alguma e tampouco conduz a crença de qualquer credo. Nada tem a ver. É claro que Deus existe. Basta que pensemos nele e apelemos para ele nos momentos difíceis para que sua existência esteja assegurada. E suficiente é também agradecermos a Deus pelo que alcançamos de bom.


A medida, custa a crer, tenha sido endossada pelo Ministério Público Federal, e muito menos proposta inicialmente pela Procuradoria dos Direitos do Cidadão de São Paulo. Perda inútil de tempo, significando também uma agressão não somente a católicos, protestantes, judeus, mulçumanos, espíritas, budistas. Acima de tudo uma agressão ao bom senso. Uma agressão a todos. Pois Deus é, por princípio, comum a todas as religiões e credos. E para os que o negam, a expressão figurar impressa ou não nas cédulas da moeda não possui a menor importância.

Deus é absoluto no universo, tudo o mais e relativo. Pode ser o Deus pintado por Michelângelo na Sistina, pode ser o de Einstein, o de Chaplin quando em Luzes da Ribalta a ele apela para que inspire a bailarina que revelou sua arte antes da consagração no palco. Todos nós vivemos com Deus em mente, no coração, na voz e na vez.

Surge também com Deus a ideia fundamental de justiça. E a expressão In God we Trust (Em Deus Confiamos) encontra-se em notas de dólar. Ninguém protestou. Nem haveria porquê. A mesma coisa entre nós. As pessoas podem professar ou integrar-se numa religião, nem por isso atacam ou excluem-se entre si. Não há razões para descriminações. E se falamos em igualdade racial, social, dignidade humana, todos estes conceitos são de forma natural, extensivos ao Pai. Podem muitos negarem a palavra, mas não a essência. Ela está dentro de nossas almas, inspirando nossas vontades, levando-nos para o bem. Não existe – tampouco poderia existir – mal algum em Deus. Portanto a frase nas cédulas é inspirado nas cédulas é inspiradora, motivadora, logo condutora dos melhores sentimentos. Sentimos que constituem motivo de justo orgulho da própria espécie humana que nela se encontra em plenitude.

É claro que a ideia da supressão não irá à frente. Mas só o fato de ter sido apresentada já significa, por si, um passo atrás no universo do pensamento. O mundo surgiu de Deus, como todos os seres. Assim não fosse, como explicar a origem do que está a nossa volta. Assim não fosse, como explicar e interpretar os milagres? Impossível. Mas esta é outra questão. O essencial é sabermos, todos, que o encontro com o Divino é fato que se repete todos os dias e horas.

A repetição dos sinais religiosos, a começar pelo Sinal da Cruz, (para os cristãos) multiplicam-se ao infinito e, por isso, passam de geração a geração e se eternizam. As orações podem ser de viva voz ou dirigidas para o nosso eu interior. Elas se afirmam por si. Deus, na verdade, é quem as inspira. Nada tem a ver com religião. Todas elas tem seu Deus que no fundo é o mesmo.

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