Devagar, devagarinho, Bolsonaro vai podando as asas do superministro Paulo Guedes

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Guedes vai ter de engolir em seco nessa reunião de terça-feira

Carlos Newton

Paulo Guedes chegou a ser um economista medianamente famoso, mas nunca foi uma estrela, ficou sempre nos bastidores e conseguiu ganhar um bocado de dinheiro depois que voltou do Chile, durante a ditadura de Pinochet, quando foi convidado para dar aulas na Universidade do Chile. De repente, ressurgiu na crista da onda, como homem-forte do candidato Bolsonaro, que bem-humoradamente o apelidou de “Posto Ipiranga”, por viver respondendo a perguntas que lhe fazia. Ao montar o governo, o novo presidente deu carta-branca a Guedes, entregando-lhe o livre comando da economia, com o direito de nomear todo o segundo escalão do setor.

Assim, o ministro da Economia teve total liberdade de ação e, desde o início, sempre se julgou mais importante do que o presidente, conforme o jornalista Pedro do Coutto percebeu, ao analisar uma entrevista de Guedes, em que ele se comportava como se fosse o verdadeiro chefe do governo.

SEM LIMITES – Neste sábado, dia 13, em Washington, o ministro passou todos os limites, ao dar uma nova entrevista em que menospreza o chefe do governo. Disse Guedes, literalmente:

“Acho que o presidente tem muitas virtudes, fez muita coisa acertada e ele já disse que não conhece muito economia. Então se ele, eventualmente, fizer alguma coisa que não seja muito razoável, tenho certeza que conseguimos consertar. Uma conversa conserta tudo”.

Ficou claro que Guedes considerou errada a decisão do presidente e vai agora revertê-la, no encontro da próxima terça-feira, no Planalto, quando Bolsonaro estará reunido com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e também os ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura) e Bento Albuquerque (Minas e Energia), além do próprio Guedes, que inicialmente nem foi convidado pelo Planalto. Há possibilidade de participação de outros ministros para acalmar os ânimos e apagar a fogueira das vaidades, é claro.

A HORA DECISIVA – Esta será a mais importante reunião desde a posse do atual governo. O clima na Esplanada dos Ministérios está sinistro. Todos sabem que o presidente já jogou no lixo a carta-branca de Guedes, e o fez sem lhe dar maiores satisfações.

Na última entrevista coletiva, em que pela primeira vez o Planalto convocou Folha, Estadão e O Globo, Bolsonaro surpreendeu ao descartar o sistema de capitalização que Guedes quer impor na reforma da Previdência. “Pode ficar para depois”, afirmou, para desespero do ministro, que não foi previamente comunicado.

Na sexta-feira, Bolsonaro deu outro coice em Guedes, ao vetar o aumento de 5,7% no óleo diesel, sem consultar o ministro, que ficou surpreso e aborrecido ao saber da notícia pelos jornalistas.

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P.S. 1
Guedes pensou que seria o presidente “de fato”, conforme a Veja colocou na capa, com o retrato dele, restando a Bolsonaro ser apenas o presidente “de direito”. Três meses depois, Guedes está totalmente enganado e desprestigiado. Mesmo assim, engolirá em seco nessa reunião de terça-feira, junto com o importuno e pretensioso presidente da Petrobras, que também fez questão de “corrigir” a decisão do presidente, anunciando que só iria durar “alguns dias”. 

P.S 2 – Bolsonaro pode humilhar Guedes à vontade, e ele não pedirá demissão. O ministro precisa da proteção do foro privilegiado, porque é igual ao “Charles Anjo 45” de Jorge Benjor. Se marcar bobeira, vai tirar férias numa colônia penal, porque o Ministério Público já reuniu as provas contra ele. (C.N.)

7 thoughts on “Devagar, devagarinho, Bolsonaro vai podando as asas do superministro Paulo Guedes

  1. ALTERNATIVA DE PREVIDÊNCIA – Contrário à Reforma da Previdência proposta pelo Governo, o PDT apresenta um novo modelo assentado em três pilares: 1. O primeiro de natureza social e de acesso incondicional, com despesa despendida pelo Tesouro Nacional, com o valor de um salário mínimo, em direção ao Programa de Renda Mínima de Cidadania que atingiu o parâmetro de idade mínima, discutida por região, gênero e especificidades profissionais; 2. O segundo pilar é o de repartição, submetido a um teto negociado de R$ 4.000,00 a R$ 5.000,00, garantido pelo Governo; 3. Em terceiro, um sistema novo de capitalização público, do qual a contribuição patronal faz parte e cuja gestão será pelos coletivos de trabalhadores e o dinheiro regrado, vinculado o investimento produtivo com uma transição de 10 anos obrigando a risco mínimo. http://www.vermelho.org.br/noticia/319775-1

    AVALIAÇÃO TRIMESTRAL – O presidente nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Carlos Lupi, afirmou na tarde desta sexta-feira (12), em visita a Manaus, que a legenda tem estudado fielmente cada passo dado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), com o intuito de emplacar uma bancada de oposição propositiva que almeja sempre apresentar uma solução no Congresso Nacional. “Na última quinta-feira, apresentamos nossa opinião sobre os 100 dias de atuação do governo Bolsonaro. Da mesma forma, a cada três meses iremos apresentar uma nova análise, acoplando os números, dizendo como faríamos em cada ocasião”, pontuou Lupi. https://www.acritica.com/channels/manaus/news/em-manaus-presidente-do-pdt-chama-bolsonaro-de-falastrao-e-indica-hissa-para-prefeito

    GOVERNO DOS RICOS – Ao encaminhar o projeto de Reforma da Previdência ao Congresso, o deputado estadual José Queiroz (PDT-PE), diz que o presidente Bolsonaro gerou a infelicidade da classe pobre e traz alegria aos ricos. Atentando inclusive contra os bons princípios dentro e fora do país, em seu ponto de vista, com declarações absurdas em suas viagens internacionais como, em Israel, onde disse que o nazismo é de esquerda, com repercussão inclusive na Alemanha. A título de relações internacionais, sem analisar as consequências na mídia, o seu anuncio da transferência da embaixada do Brasil para Jerusalém é preocupante. https://jornaldecaruaru.com.br/2019/04/bolsonaro-tem-o-pior-indice-de-aprovacao-de-um-presidente-recem-eleito-desde-fernando-collor-diz-ze-queiroz/

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