Dialogar, aprender lendo e respondendo, aceitando até mesmo os que só querem intrigar. Aqui não há assunto fechado, desde que seja de interesse público total

Minha capacidade de dialogar, de conversar, de debater, de responder e ser respondido é imensa. Não veto nada de ninguém, apesar de ser o cidadão (e não apenas o jornalista) mais VETADO de toda a História do Brasil. (E ocupo cargos de direção nas mais diversas redações, desde os 18 anos).

Em março de 1956, depois de romper com Juscelino, fui fazer um programa de televisão (TV Rio, a Globo só começaria a existir 9 anos depois), analisando fatos indeterminados. Boa repercussão, apesar de naquela época, pouca gente assistir televisão, os aparelhos eram em número pequeno. (Já se passaram 54 anos).

O programa foi exibido apenas três vezes, a TV Rio foi pressionada, não pôde mantê-lo. Foi então para a TV Tupi (a primeira que surgiu no Brasil) com “ORDEM DO DOUTOR ASSIS”. Quando havia ordem do “doutor Assis”, nada podia impedir. Apenas e naturalmente as pressões interesseiras e interessadas de empresários e proprietários de órgãos de comunicação.

Um dia recebo telefonema do coronel Olimpio Mourão Filho, esse mesmo do 1º de abril de 1964, em 1956 ainda era coronel, presidente do CTR. (Comissão Técnica do Rádio, ainda mais importante do que a televisão, e esse rádio, até hoje, continua importante). Não o conhecia, queria falar comigo, eu estava sendo CONVOCADO e não CONVIDADO.

Foi rapidíssimo, me abraçou, garantiu: “Helio, adoro teu programa, você é extraordinário. Mas não vai FALAR MAIS”. O que eu podia fazer? NÃO FALEI MAIS.

Muitos anos mais tarde fiz na TVE, um programa do qual gostava muito. Se chamava “O Repórter da História”. O Carlos AlbertoVizeu, que criara e dirigia o programa, dizia: “Helio, você tem 20 ou 25, ou 30 minutos, eu te aviso quando você for entrar”. Eu “entrava”, e inteiramente de improviso, falava o tempo que estava determinado.

Um dia, por ordem SUPERIOR, acabou. Por isso, como vou fazer hoje, estou sempre respondendo às postagens, mas poucas diante do volume que chega diariamente.

Admiração e crítica
a ministros do Supremo

Terminando por hoje, posso dizer: sou o único jornalista que freqüenta o Supremo desde os 12 anos de idade. Era ali na Rio Branco 241 (mantém a numeração até hoje), eu trabalhava na Cinelândia, na hora do almoço, ia assistir às sessões.

Quando inaugurou o belo Centro Cultural naquele prédio maravilhoso, ( o chão, o teto, as paredes, tudo devia ser visitado por alunos, desde o primário até a universidade), o então presidente do Supremo, ministro Carlos Veloso, fazia o discurso de inauguração, me viu, parou, afirmou: “Preciso ter muito cuidado, estou vendo ali o Helio Fernandes, ninguém conhece a História do Supremo como ele”.

Ganhei uma salva de palmas e um abraço da minha amiga, juíza Salete Macaloz, que estava ao meu lado. Companheira de comícios desafiadores, durante a ditadura.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *