Diálogos de Moro e Dallagnol não afetaram o conteúdo concreto das ações judiciais

Logo se descobriu que a acusação mais forte era uma ‘”fake news”

Pedro do Coutto

Uma matéria que ocupou duas páginas de sua edição de ontem, assinada pela própria Folha de São Paulo e pelo site The Intercept, não altera o conteúdo das investigações que levaram ladrões à condenação e à cadeia. Pois é preciso distinguir o que é substantivo e o que é adjetivo. Provas substantivas deram base às condenações muitos réus foram absolvidos. A parte adjetiva refere-se a forma como se desencadearam os processos.

Para os leitores que, como eu, estranharam a assinatura dupla da reportagem, interpreto como uma forma de publicação encontrada principalmente pela direção da Folha. Mas este é outro assunto.

O QUE IMPORTA – O foco principal não pode ser desviado das questões essenciais e que se revestem os episódios processuais. Uma coisa é conteúdo, outra bem diferente é a forma de representá-los. Por isso, ainda por cima, devemos assinalar que as conversas telefônicas mantidas entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol evidentemente não podem ter um desfecho diverso daquele que se configurou até agora.

Para destacar basta somente citar os assaltos em série praticados contra a Petrobrás. O que equivale a dizer, contra o patrimônio público do país e o Tesouro Nacional.

No espaço de três anos, entre 2016 e 2019, verificaram-se fatos concretos que marcaram o ritmo da Operação Lava Jato. Basta lembrar que um ex-gerente da Petrobrás, Pedro Barusco devolveu 95 milhões de dólares que se encontravam depositados no exterior.

RESSARCIMENTO – Não fosse só esse exemplo, posso acrescentar outros acentuadamente marcantes. O ressarcimento no montante de 3 bilhões de reais, consignados pela Justiça do país. Inclusive existem julgamentos do STF e do STJ negando recursos formulados pelos acusados e condenados, entre os quais se inclui o ex-presidente Lula da Silva.

Imaginem os leitores o que seria a anulação do julgamento de primeira instância, medida que faria ruir todo o universo judicial brasileiro.

As sentenças em série são o melhor instrumento para se avaliar o caráter concreto das decisões sempre em cima ou de delações ou de confissões como no caso da Odebrecht. O ex-presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, havia criado, por incrível que pareça, um departamento para cuidar das suas ações na esfera da corrupção.

DESESPERO ABSOLUTO – Pelo que se está vendo, quando acusados jogam em busca de uma anulação impossível, é sinal de desespero absoluto e completo. Querem destruir processos judiciais, não importando se os atores (magistrados e membros do Ministério Público) sejam corruptos ou não.

Não vai adiantar nada buscar esse caminho a que me referi Trata-se da figura jurídica de uma tentativa impossível, conforme veremos dia 25 no Supremo.

4 thoughts on “Diálogos de Moro e Dallagnol não afetaram o conteúdo concreto das ações judiciais

  1. Muito bom artigo. Nos faz pensar.

    Anular os processos desde o início sem devolver aos ladrões do dinheiro do povo o que surrupiaram ?

    Não seria uma injustiça ?

    Uma decisão mutilada por parte de nossa eficientíssima alta corte de Justiça ?

    Ministros, sejam coerentes; anulem o processo desde o início, soltem os delinquentes e devolvam o dinheiro roubado do povo a eles.

  2. YAWHE SEJA LOUVADO …sempre …

    Quem já leu os antigos artigos deste Sr. só fica a lamentar sua defesa do atual sistema vigente…sua defesa em escrever que tudo que A MAFIA DA LAVA JATA REALIZOU ..é correto e legal diante da LEI MAIOR… só faz mostrar como as pessoas são em si mesmas diante do “espelho”.
    Mas como já escreveu aqui um emérito Comentarista
    sobre este articulista…: ” As pessoas mudam com o tempo…”.
    Eu acompanho este articulista desde de 1981 …e fico decepcionado com tamanha insensatez ao fazer defesa do atual sistema vigente que só se faz presente graças aos mafiosos da lava jato…
    YAWHE SEJA LOUVADO …sempre …

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