Diálogos possíveis e imagináveis

Helio Fernandes

Toda vez que estiver despachando com a presidente Dilma, o general José Elito pode e deve estar pensando, de acordo com o que ele mesmo declarou publicamente: “Como é que eu posso estar subordinado a essa mulher, que deveria estar desaparecida?”

E Dona Dilma, que convidou para a própria posse, 11 pessoas, prisioneiras como ela (nada surpreendente), que fique imaginando sem palavras: “Não sei o que esse general era há 40 anos em termos de hierarquia. Mas pelo que falou, adoraria que eu tivesse DESAPARECIDO”.

Os dois pensamentos silenciosos, perfeitamente imagináveis. Ela deve chegar pelo menos a 2014, ele, se tiver vida profissional mais longa, constrangimento duplo e diário.

***

PS – As declarações do general, além de acintosas, provam que a ANISTIA AMPLA, GERAL E IRRESTRITA não foi aceita pelos dois lados. E o Supremo tem a oportunidade de lamentar seu próprio julgamento sobre a VALIDADE do que foi considerado como GENEROSIDADE (e esquecimento) da ditadura.

PS2 – O Supremo engalanou, emoldurou e homenageou essa ANISTIA AMPLA. Mas não conseguiu enquadrar essa anistia no calendário gregoriano.

PS3 – Pois essa ANISTIA “veio” em 1979, e a Tribuna da Imprensa foi impiedosamente destruída em MARÇO DE 1981, 2 anos depois. Conclusão tão impiedosa quanto a conclusão do Supremo. Não houve anistia ou não houve a DEPREDAÇÃO da Tribuna. Escolham.

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