Diante da fraqueza de Haddad, PSB e PCdoB seguem humilhando o PT e fazendo exigências para apoiar o candidato de Lula.

Carlos Newton

Esta semana os entendimentos do PT com o PSB avançaram, mas o acordo ainda não está fechado. Portanto, enganou-se quem pensava que a intervenção da Executiva Nacional do PT no Diretório de Recife, para impor a candidatura do senador Humberto Costa a prefeito, seria suficiente para celebrar a coalizão em São Paulo.

Com a decisão da Executiva, o PSB ganha a vaga de Humberto Costa no Senado, onde o suplente Joaquim Francisco (que era do antigo PFL) ficará por seis anos. E o PT terá de arranjar outro líder no Senado, talvez o ex-governador acreano Jorge Viana.

Como a candidatura de Haddad não decola, a verdade é que o PSB e o PCdoB seguem humilhando o PT e fazendo novas exigências para dar apoio ao candidato de Lula em São Paulo. No caso do PSB, é sempre bom lembrar que o partido continua coligado com o PSDB em São Paulo.

Apenas o presidente estadual do PSB, deputado federal Márcio França, foi obrigado a deixar o cargo de secretário de Turismo do governo Geraldo Alckmin (PSDB), para dar uma desmonstração de boa vontade em relação ao PT. Mas os demais integrantes do PSB que têm cargos no governo Alckmin e na prefeitura de Gilberto Kassab continuam pendurados nas respectivas tetas.

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“UM ATÉ LOGO”

Sintomaticamente, França não está dando adeus ao PSDB, mas um simples “até logo”, ao alegar que sua saída do governo Alckmin é apenas um “afastamento temporário” para o período eleitoral. “Ao final da disputa, podemos voltar a conversar”, adiantou o dirigente socialista, que aceitou a imposição da cúpula do PSB, mas não vai mover uma palha para eleger o petista Haddad.

O próprio França sempre defendeu o apoio do PSB ao tucano José Serra na sucessão municipal e o diretório do partido na capital paulista chegou a aprovar candidatura própria.

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ACORDO NÃO ESTÁ FECHADO

A comprovação de que o acordo com  o PSB ainda não foi fechado está na própria informação dada pelo ex-presidente Lula na terça-feira, ao revelar que o governador Eduardo Campos irá a São Paulo “nos próximos dias” para resolver as possíveis resistências à aliança com o PT.

“Queremos que ele (Campos) venha a São Paulo juntar os presidentes estadual e municipal do PT e do PSB para a gente ver onde tem problemas ainda”, disse Lula.

Uma das últimas exigências de Eduardo Campos é a retirada da candidatura petista de Márcio Pochmann, presidente do IPEA, à prefeitura de Campinas, para que o PT de lá apóie o deputado Jonas Donizette, do PSB. Mas acontece que foi Lula quem lançou Pochmann, e isso pode dificultar muito a negociação. Sobretudo porque, no caso, não é o PT que está sendo humilhado, mas o próprio Lula.

Quando ao PCdoB, que até agora não fechou aliança com o PT em São Paulo, o acordo é negociado pelo ex-ministro do Esporte Orlando Silva, que apresentou uma série de exigências ao governo.

Para valorizar o passe do PCdoB, Orlando Silva usa o fato de o PR, que é da base aliada do governo Dilma Rousseff, ter preferido apoiar Serra.

“Espero que essa movimentação do PR sirva para que os partidos da base da presidente Dilma estejam alertas em São Paulo, onde o campo adversário se fortalece cada vez mais”, adverte, para mostrar o enfraquecimento do PT e aumentar o cacife do PCdoB na negociação.

Detalhe: Netinho, do PCdoB, está muito à frente de Haddad nas pesquisas. Por isso, o PCdoB está exigindo ao ao PT mundos e fundos, como se dizia antigamente.

 

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