Diante da urgência, Dilma escolhe a privatização sem ideologia

Pedro do Coutto

Diante da  urgência das obras para a Copa do Mundo de 2014, e também das Olimpíadas de 2016, a presidente Dilma Roussef partiu para o caminho da privatização dos cinco principais aeroportos do país, consequência do atraso dos trabalhos até aqui. O que fez com que os cronogramas das etapas iniciais não fossem alcançados. Agiu certo. As obras públicas em nosso país, de modo geral, e da cidade do Rio de Janeiro, em particular, formam um capítulo à parte. Não se consegue cumprir prazos sem esforço.

O exemplo do Maracanã, Estádio Mario Filho, construído do início de 48 a junho de 50, não foi ainda assimilado pela realidade brasileira. Tudo atrasa. Com isso, os preços, reajustados trimestralmente, não pelo INPC do IBGE, mas pelo IGPM da Fundação Getúlio Vargas, sobem sensivelmente. É grande a diferença entre um índice e outro. Para se ter uma ideia, o INPC, hoje, está em 6,1% ao ano. O IGPM em 10,5%. Mas não é só isso.

Vejam os leitores o exemplo da incrível Cidade da Música, cujo orçamento inicial estava fixado em 80 milhões e que custou à Prefeitura, gestão Cesar Maia, 540 milhões de reais. O Panamericano estava orçado em 400 milhões. Brincadeira: no final, saiu por mais de 1 bilhão e 200 milhões de reais. O conjunto residencial para dar finalidade permanente à Vila Olímpica não deixou o sonho para o plano da realidade. Mas estas são outras questões.

Explico, entretanto, porque citei o nome do jornalista Mario Filho, irmão do meu amigo Nelson Rodrigues. À frente do Jornal dos Sports, liderou a campanha pela construção do que chamava o gigante do Derby. Derby porque no local em que foi erguido – obra monumental do arquiteto Orlando Silva de Azevedo – havia funcionado o antigo Derby Clube. O Maracanã, pela distância entre o público e a partida, foi o primeiro estádio brasileiro a proporcionar garantias físicas efetivas aos atletas e árbitros das partidas. O projeto de lei original foi do vereador Ari Barroso e as obras foram executadas pelo prefeito Mendes de Morais.

Vamos chegar aos aeroportos. A reportagem primorosa de Chico de Góis, Geralda Doca e Marta Beck, O Globo de quarta-feira, 27, focalizou ampla e detidamente o tema. Inclusive foi manchete principal do jornal. O ritmo das obras precisa ser estimulado, pois o atual encontra-se lento demais, dando ideia da falta de motivação. Será possível? Nosso país possui um compromisso histórico enorme com a realização da Copa de 2014. Isso porque, em 50, foi a sede da primeira Taça do Mundo no pós-guerra. Londres em 48, três anos depois da rendição nazista, tornou-se a primeira sede dos Jogos Olímpicos. Vai sediar a Olimpíada de 2012. Não há notícia de problemas na Inglaterra. Pelo contrário: antes dos Jogos, o casamento de William e Kate. Temos que nos apressar e partir em busca do tempo perdido (obra de Marcel Proust) Os prazos não esperam o amanhecer.

A presidente da República teve que intervir e privatizar. Os aviões têm que descer em segurança e no volume compatível com o número de passageiros. A ideologia que vá  (foi) para o espaço. Aliás, em matéria econômica já foi para o espaço no mundo todo. Estão aí a Rússia e a China para confirmar. A China, sobretudo. Com capital externo, passou a apresentar o segundo Produto Interno Bruto do Mundo, cerca de 5 trilhões de dólares. No Brasil, os investimentos para modernização dos aeroportos Tom Jobim, Guarulhos, Confins, Juscelino Kubitschek (Brasília) e Viracopos em Campinas, estão orçados na escala de 4,7 bilhões de reais. Vão em frente, a partir de agora. Espetáculos negativos como o da Cidade da Música não. Chega. Corrupção é como o colesterol: também tem limite.

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