Diante do estrago na economia, não há maquiagem que dê jeito

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O quadro fica assustador quando se olha para o resultado das contas públicas. O país registrou, entre janeiro e setembro, déficit primário, o que não se via desde 1997, quando o governo passou a cumprir metas fiscais. O buraco consolidado do setor público no período chegou a R$ 15,7 bilhões. Como não conseguiu poupar para pagar juros da dívida, o rombo nominal atingiu R$ 224,4 bilhões, o equivalente a 6% do PIB, dado de país em crise.

Diante desse estrago nas finanças públicas, não haverá maquiagem que dê jeito. Sem condições de cortar gastos, o jeito será o governo repassar a conta para os contribuintes. Depois da alta dos juros, da energia, da gasolina, será a vez de elevar os impostos. Dilma, como se vê agora, saiu pior do que a encomenda.

DÉFICITS GÊMEOS

Não será fácil a vida do próximo ministro da Fazenda, seja quem for o escolhido por Dilma Rousseff. Além da missão de tirar a economia do atoleiro em que se encontra e de retomar o controle da inflação, terá que enfrentar o que os especialistas chamam de déficits gêmeos, uma combinação explosiva de rombos nas contas públicas internas e externas.

Dados consolidados pelo Banco Central mostram que, quando incluídos os gastos com juros, o buraco nas finanças do governo chega a 6% do PIB. Nas transações correntes do país com o exterior, o déficit atinge 3,7% do Produto, e poucos acreditam que ficará estacionado nesse nível.

Para Tony Volpon, diretor do Departamento de Pesquisas para as Américas da Nomura Securities, os números são preocupantes. “A História do Brasil mostra que, todas as vezes em que os déficits público e externo chegaram a 4% do PIB, sempre houve uma crise ou foram necessários ajustes severos para evitar o pior”, afirma. Ele ressalta que, prevendo mudanças na política econômica, investidores e agências de classificação de risco estão dando um salvo conduto ao Brasil. Mas é preciso cautela.

5 thoughts on “Diante do estrago na economia, não há maquiagem que dê jeito

  1. Esse articulista possui uma didática espetacular. Parabéns pela escolha, Sr. Newton.

    Uma pequena correção pela confusão que muitos fazem entre imposto e tributo. O correto é falar aumento dos tributos – que incluem impostos, taxas e contribuições – , e não aumento de impostos.

    Mas, é isso mesmo, o governo, se não for completamente louco, terá de promover ajustes profundos na economia.

    Dilma tem, efetivamente, de repensar na manutenção do custo de manter 39 ministérios, sendo, ao menos, 19 deles dispensáveis. A questão aqui é o enxugamento dos gastos correntes, isto é, de manutenção dessa máquina pública-mastodonte.

    Pari passu, na outra ponta, terá de ampliar a arrecadação por meio do aumento da carga tributária.

    Isso basta para enxugar o excesso de liquidez do mercado (excesso de dinheiro circulando na economia), provocar a queda do índice do IPCA, baixar o câmbio, abrir espaço para a retomada da queda da Selic, diminuir as taxas de empréstimo bancário, fomentar o crédito e o investimento privados e retomar o crescimento da economia.

    Parabéns ao Sr. Bortolotto que sempre nos lembra do duplo déficit, ou, como falou o articulista, dos déficits gêmeos.

  2. A Dilma/Lula gastou em um mandato para que o PSDB pagasse a conta no próximo e ela pudesse “cantar de galo” em 2018.
    Agora, como o Aécio perdeu, a conta terá que ser paga no próprio governo (dela)!
    E eu que pensei ter ficado rico…

  3. E o pior para o pete é que agora não se trata de urnas, nem de um processo eleitoral. A economia é regida pelas leis de oferta e procura, longe das manipulações do governo. Não poderão esconder tudo de todos por muito tempo.

  4. Se optarem pela saída fácil de aumentar os impostos, a oposição teria que parar o Brasil. Digo teria, pois não fará, pois teria que cortar nas próprias benesses e isto nenhum desses partidos políticos, nem o tal de DEM, fará.
    O DEM(PFL), como todos, também tem seus feudos no setor público, onde coloca nas diversas folhas de pagamento todos os cabos eleitorais, parentes, amantes e amigos que consegue.

    E o mal começa exatamente aí. Quem vai atirar a primeira pedra ? O Senador Cristovão, em novo artigo postado hoje aqui na Tribuna, vem atirando, mas com muita parcimônia. Antes de criticar, tem que ter uma proposta de mudança e isto nenhum político, de nenhum partido, tem.
    Salvo os comunistas, que querem resolver a questão como sempre tentaram resolver e nunca conseguiram – nivelamento de todos na pobreza, menos eles como dirigentes; tudo que conseguiram foi levar seus países à falência. Todos eles. E se deixarmos, levarão o Brasil também. Tentando estão, há 12 anos.

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