Dilma aceita (por enquanto) algumas indicações de Lula

Pedro do Coutto

Qualquer ser humano razoavelmente informado acima de 35 anos – para Sastre, a idade da razão – sente e sabe muito bem quais as pessoas que gostam e se afinam com ele, quais as indiferentes, quais as que o rejeitam. Existe ainda mais um degrau na classificação: quais as que o detestam. No meio dessa escala de valores subjetivos, porém concretos, existem também os que admiram a capacidade do outro, mas não conseguem gostar dele. Que fazer? A vida é assim. Entretanto, não é difícil analisar e perceber as diversas situações por onde caminham as simpatias, antipatias e os impulsos humanos. Com base na reportagem de Kennedy Alencar e Valdo Cruz, Folha de São Paulo de 30 de novembro, pode-se adaptar o raciocínio a que me refiro à disposição da presidente eleita Dilma Rousseff em formar sua equipe de governo.

Ela não sintoniza, tampouco desejaria manter Nelson Jobim no Ministério da Defesa. Concordou, pouco à vontade, com a sugestão do presidente que a elegeu. Mas resistiu. Tanto assim que só aceitou finalmente convidá-lo a permanecer, retirando de sua área administrativa a Aviação Civil. Vai deixá-lo restrito ao setor das Forças Armadas. Lula está pedindo também, segundo Alencar e Cruz, pela permanência de Fernando Haddad no MEC. Dilma ainda não respondeu definitivamente. Fica claro, assim, que, por sua vontade não o manteria.

Outro aparentemente incômodo na pasta das Relações Institucionais é Alexandre Padilha. Outro peso é Marco Aurélio Garcia como assessor especial no Itamarati. Sérgio Gabrielli, na Petrobrás, ela também não gostaria que permanecesse. Basta ver que anunciou sua permanência apenas por mais um ano. O mandato que ela inicia em janeiro, como todos sabem, é de quatro anos.

Dois nomes foram afastados, de plano, pela sucessora de Lula: Henrique Meirelles do Banco Central , Celso Amorim das Relações Exteriores. Sequer desejou manter qualquer tipo de conversa com ambos. Jamais permaneceriam. Uma incógnita é o atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em relação a quem Dilma está encontrando dificuldade de acomodar no seu governo. Por quê? Provavelmente porque ele não é indicação de sua total vontade. Deixará o posto em que se encontra. Especula-se que iria para as Comunicações.

Estou enfocando esses aspectos para acentuar um caminho de analisar pesquisas de vontade, rumo que identifiquei há mais de 20 anos. Foi um trabalho pelo qual não recebi até hoje. Não faz mal. Ganhei experiência. A ponto de concluir que as afirmações sólidas  são sempre de ponta. Nelas não há vacilações. Na engrenagem de análise, acrescento, divide-se o número maior pelo menor e assim chega-se a um coeficiente. O processo, atualmente, é muito usado em levantamentos de avaliação de governos. O governo Lula, por exemplo, pelo IBOPE, tem aprovação de 78% e desaprovação de apenas 4. Resultado excepcional. Mas esta é outra questão.

O fato é que algumas indicações de Lula são do agrado de Roussef. É o caso de Guido Mantega e Gilberto Carvalho. Sinal de convergência absoluta. De outro lado, um elenco de convites integrais de Dilma: Antonio Palocci, que chegou a seu lado na primeira entrevista à imprensa depois de confirmada a vitória nas urnas. Alexandre Tombini no Banco Central, Miriam Belchior no Planejamento, permanência de Luciano Coutinho no BNDES, nomeação de José Eduardo Cardozo para a Justiça e, ao que tudo indica, de José Patriota para o Itamaraty.  Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal são  ainda incógnitas. Em política nem tudo que se quer se faz. Inclusive tem mais o seguinte: um governo tem mandato. Ministros não. Aceitou por enquanto, hoje, podem não ser mantidos amanhã. Depende dos fatos e dos impulsos do poder.

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