Ao afirmar que sangrias estão estancadas, Dilma confirma as denúncias

Pedro do Coutto
Reportagem de Luiza Damé, Catarina Alencastro e Fernanda Krakovics, edição de O Globo do dia 9, destaca uma afirmação da presidente Dilma Rousseff, que surgiu na entrevista a O Estado De São Paulo, de essencial importância para traduzir efetivamente sua posição ante os escândalos na Petrobrás revelados pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa. Ela diz que não sabia de tais assaltos aos recurso da empresa, com a participação de grandes empresas privadas, “mas posso garantir” – acrescentou – “que as sangrias estão estancadas”. Aplicando-se à frase um prisma de análise concreta, evidentemente só se pode estancar o que existe. caso contrário, impossível.
As repórteres de O Globo devem ter acessado O Estado de São Paulo on line e baseado sua matéria no que foi antecipado na Internet. Mas esta é outra questão, apenas explica a simultaneidade dos textos publicados em ambos os jornais. Voltando ao tema central, não é apenas o anunciado estancamento que confirma fatos contidos na versão de Paulo Roberto Costa publicada  pela revista Veja.
A presidente da República destaca ter pedido informações à Polícia Federal e ao Ministério Público pata tomar providências em relação aos funcionários doo governo denunciados pelo ex-diretor, cujo envolvimento classificou de estarrecedor. Ela enfatizou que (durante a primeira parte de seu mandato) não tinha a menor ideia de que havia um esquema criminal na empresa, referindo-se, é claro, à Petrobrás. Se não tinha a menor ideia, mas agora tem, é porque, no seu pensamento de hoje, o esquema criminal a que se refere existe.
PF ABRE INQUÉRITO
Da mesma forma que, por ação tácita, a Polícia Federal, matéria de Jailton de Carvalho também na edição de 9 de O Globo, decidiu abrir inquérito para investigar o responsável ou responsáveis pelo vazamento das revelações feitas por Paulo Costa, cujo teor está publicado na Veja. Se o inquérito é para descobrir responsabilidades, evidente, o conteúdo do que vazou, e se encontra nas bancas, é verdadeiro. Ocorreu uma verdadeira explosão da verdade. O depoimento do ex-diretor, que tenta enquadrar-se na figura jurídica da delação premiada, ainda não terminou, é fato. Mas ele, nesta altura dos acontecimentos, não possui mais linha de recuo. O que ele falou, como dizia o juiz de futebol e comentarista esportivo, Mário Vianna, está falado.
É claro que o tema, por sua enorme abrangência, repercutiu e continuará repercutindo com intensidade nos jornais, revistas, canais de televisão, e na Internet, de modo geral, com os candidatos Marina Silva e Aécio Campos partindo para o ataque contra o governo Dilma Rousseff, na busca de maiores votações nas urnas de 5 de outubro, que, entre os dois, vão decidir quem vai ao segundo turno contra a presidente na votação decisiva de 26, portanto três semanas após o primeiro confronto que selecionará os finalistas.
Vamos aguardar as próximas pesquisas do Datafolha e do IBOPE para que possamos sentir a direção dos ventos. O episódio não soma para Dilma, é óbvio. Mas acrescentará para as campanhas de Marina e Aécio? Aparentemente, vendo a questão sob o ângulo impressionista, creio que soma mais para Marina. Aécio terá que derrotar a lei da gravidade, pois sua candidatura encontra-se em declínio. O vento levou.

     

    4 thoughts on “Ao afirmar que sangrias estão estancadas, Dilma confirma as denúncias

    1. Agora descobriram um contrato de U$ 825,6 milhões que inova! É genérico e o processo já corria escondido no TJ/RJ. A Dilma também não sabia? …(…)…
      O TCU (Tribunal de Contas da Unio) identificou irregularidades em contrato milionário da Petrobras com a Odebrecht firmado em 2010.
      Técnicos da corte confirmaram falhas já identificadas pela própria Petrobras. Salientaram ainda o fato de o contrato ser genérico e a ausência de projeto bsico. Também destacaram a falta de controle no acompanhamento do acordo.
      O contrato de US$ 825,6 milhes previa serviços de segurança, meio ambiente e saúde para padronizar as unidades da companhia petroleira no Brasil e em nove países.
      A Petrobras, durante a gesto da atual presidente, Maria das Graas Foster, já havia reduzido o valor do contrato a praticamente a metade.
      A auditoria do TCU foi enviada ao ministro José Jorge, relator do caso. O relatório está praticamente pronto e ser votado no plenrio quando o ministro voltar de viagem.
      Entre os responsáveis listados pelo TCU estão Graa Foster e membros da cúpula da estatal: o ex-presidente Jos Sergio Gabrielli e os ex-diretores Jorge Zelada e Paulo Roberto Costa (preso sob suspeita de integrar esquema de lavagem de dinheiro).
      O fato de eles serem citados no significa, contudo, que serão apontados como responsveis pelas irregularidades.
      Entre os achados da auditoria da Petrobras, estavam remuneração de R$ 22 mil a pedreiros e a incluso indevida de impostos na formação de preços em trs países, o que teria elevado o valor de alguns serviços em US$ 15 milhes.
      Alguns pontos, diz a Odebrecht, foram esclarecidos na análise feita pela estatal.
      A Petrobras estimava gastar inicialmente US$ 784 milhes. A licitação, vencida pela Odebrecht, foi disputada pela Andrade Gutierrez e OAS.
      Segundo a auditoria da Petrobras, a vencedora no detalhou todos os serviços e custos. O caso é analisado também pela Justiça do Rio, onde tramita ação por crime na lei de licitaçoes. ( Uol).

    2. Concordo com a análise, Sr. Pedro.

      É isso aí, quem tem a ganhar com o lamaçal da Petrobrás, nesta altura do campeonato, é a candidata Marina.

      Entretanto, é duro perceber que a candidata Dilma possui uma base firme e significativa de votos, isto é, um pouco mais de 30% que corresponde, indiscutivelmente, à população brasileira servida pelo programa de governo – Bolsa Família.

      É triste verificar que a opinião de nosso povo reflete a lei da vantagem, a lei de Gerson. E não é fruto de uma reflexão profunda, cultural, inteligente, reflexiva.

      Somos um país de abobados e a política é o reflexo deste fato.

      Grande abraço!

    3. Quem fala demais invariavelmente acaba dizendo besteiras. Primeiro, nada de errado existia. Depois, com o andar das investigações, não sabia de nada. Agora, a sangria já foi estancada. Mesmo que assim fosse, é preciso ir fundo nas investigações, responsabilizar os envolvidos, e mostrar tudo o que foi feito de errado.

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