Dilma começa a sinalizar equipe: Mantega fica, Amorim sai

Pedro do Coutto

Na viagem a Seul, encontro do Grupo dos 20, a presidente eleita Dilma Rousseff e o presidente Lula começaram a sinalizar a equipe ministerial e de primeiro escalão do governo que se instala em janeiro , após a noite de 31, no alvorecer do ano novo. Reportagem de Clovis Rossi e de Natuza Nery, na Folha de São Paulo, e das enviadas de O Globo Maria Lima e Mônica Tavares, todas elas publicadas nas edições de 12, começaram a abrir as cortinas, não do passado como compôs Ari Barroso, mas do futuro próximo.

Clovis Rossi destacou que Guido Mantega foi prestigiado. Viajou com Dilma e se tornou personagem do discurso de Luis Inácio, anunciando o que ele deverá ou poderá fazer na próxima reunião internacional de ministros da Fazenda. Como esta reunião está marcada para o final do primeiro semestre de 2011, a afirmativa iluminou sua permanência no cargo. Ao mesmo tempo, e de outro lado, Rossi revelou que depois de incluído na comitiva brasileira, o chanceler Celso Amorim foi desconvidado. Ora, no momento da passagem do poder alguém ser desconvidado, é sintoma nítido de que o diálogo entre o ministro do Exterior e o Executivo será suspenso. Aguarda-se, portanto, a indicação do novo titular do Itamarati.

Enquanto Clovis Rossi trilhava esse roteiro, Natuza Nery, também na Coreia do Sul, apontava o fortalecimento de Antonio Palocci, que acompanhou Dilma no carro que a conduziu à primeira entrevista à imprensa depois da vitória nas urnas, e também o de José Eduardo Cardoso, apontado para ministro da Justiça, e José Eduardo Dutra. Além destes três, já sinalizados amplamente, o de Miriam Belchior e de Maria das Graças Foster, por quem Dilma quebrou lanças para nomeá-la diretora de Petróleo e Gás da Petrobrás, no lugar de Ildo Sauer, que era um diretor forte na empresa.

Enquanto isso, Maria Lima e Mônica Tavares colheram declarações da nova presidente do país a respeito da polêmica aberta com os meios de comunicação pelo ministro Franklin Martins, que parece ter exponenciado seu poder e sua influência política na administração Lula. Dilma Roussef afirmou não ter conhecimento do texto elaborado por Franklin e desautorizou qualquer discussão do tema (regulamentação da mídia) antes de a matéria chegar a seu governo, portanto às suas mãos. Não falo a respeito do que fala o ministro – acrescentou. Com tais declarações, claramente esfriou a investida do titular da Comunicação que levantou a hipótese até de enfrentamento. Não disse com quem, porém deixou nítido de que com os jornais, revistas e com empresas de televisão e rádio. Com quem mais poderia ser tal combate?

Como a reação dos setores de informação e opinião foi, e está sendo intensa, a colisão dá margem a que Dilma assuma uma postura suave, conciliadora, acrescentando para si pontes de apoio cuja explosão foi admitida em tom ameaçador por Martins. Deixou no ar a sensação de quer o titular da pasta não deverá permanecer no Planalto. Basta comparar a forma com que se referiu a Mantega, com a distância estabelecida em relação a Franklin. Não demonstrou o menor entusiasmo pela ideia e pelo clima que ele produziu. Sobretudo em hora inoportuna, logo na passagem do poder, final de mandato de um, início do mandato de outra. Qualquer projeto pelo menos controverso, em tal momento, torna-se iniciativa constrangedora para o que sai, dando impressão de uma pressão antecipada sobre quem entra. Não soma. Não funciona, não pega bem. Não é nada político, pelo contrário.

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