Dilma confirma corrupção e promete rigor para que não se repita

Pedro do Coutto

Ao ser diplomada pelo Tribunal Superior Eleitoral na tarde de quinta-feira, como destacaram Simone Iglesias e Chico de Góis em reportagem publicada na edição do dia seguinte de O Globo, a presidente Dilma Rousseff, referindo-se diretamente à Petrobrás, assegurou rigor para apurar os casos de corrupção, para que eles não se repitam. Ao bloquear a hipótese da repetição, implicitamente a presidente da República reconheceu oficialmente que eles sucederam. Assim, o pronunciamento ao ser diplomada para o novo mandato que começa a primeiro de Janeiro, constitui um precioso fator confirmativo a mais quanto aos atos ilícitos que aconteceram até aqui.

Este enfoque, pelo que se pode deduzir, constitui o destaque político mais importante da fase em que inclusive a chefe do Executivo fala na renovação da estatal e na colocação em prática de um pacto anticorrupção. Tanto assim que se comprometeu também a implantar a mais eficiente estrutura de governança e de controle que uma empresa estatal já teve. Logo, de forma indireta, criticou fortemente o sistema existente, caso contrário não falaria na necessidade de renovação. A realidade atual, acrescentou, só faz reforçar nossa determinação.

Temos que saber apurar – continuou – e saber punir sem enfraquecer a Petrobrás, sem diminuir sua importância para o presente e para o futuro. E, neste ponto, faz um destaque especial: “Temos que continuar apostando na melhoria da governança da Petrobrás, no modelo de partilha para o pré-sal e na vitoriosa política de conteúdo local. Chegou a hora de firmarmos um grande pacto nacional contra a corrupção, envolvendo todos os setores da sociedade. Temos a felicidade de vivermos num país no qual a verdade não tem mais medo de aparecer. Se não teme discutir os crimes da ditadura, não teme também expor as mazelas da corrupção.

ATOS CONCRETOS

Com o pronunciamento, de outro lado, a presidente da República mostrou-se disposta a ir ao encontro do que passou a cobrar a oposição, de serem necessários atos concretos e não apenas palavras. Ela terá de seguir esse caminho, se por outro fator não fosse, porque é o único para chegar à renovação que anuncia e com a qual se comprometeu ao receber o segundo diploma, em relação à Petrobrás. Caso contrário, vale frisar, não haveria renovação alguma e as falhas que apontou na governança atual prosseguiriam. Portanto, Dilma Rousseff, com seu discurso, assumiu um compromisso com a opinião pública do país.

Sobretudo quando afirmou que saber vencer é mais importante  do que saber perder, referindo-se às eleições de outubro. Porque à oposição está reservado um papel democrático extremamente importante. Mas para o governo cabe um panorama muito mais amplo, de governar para todos, independentemente de partidos, vontades e correntes partidárias. Em tal contexto enquadra-se plenamente a Petrobrás.

Dilma Rousseff assumiu publicamente um compromisso sem retorno ou flexibilidade. Ela assegurou rigor nas investigações e punições. Será cobrada da estatal, abalada pelo vendaval de crimes e omissões em série, começa exatamente a partir de agora.

7 thoughts on “Dilma confirma corrupção e promete rigor para que não se repita

  1. A minha avó tinha uma teoria a respeito destes falatórios estéreis ditos por políticos: “É SÓ DA BOCA PRA
    FORA”, porque certamente da boca pra dentro, o sentimento era justamente o inverso.
    É isso que me leva a pensar que a Dilma, diz uma coisa, porém por baixo dos panos faz outra. Ou a preser-
    vação da Graciosa, pode fazer pensar diferente? Mais coerência, Dona Dilma.

  2. Jornalista Pedro do Coutto, muito sereno, ,tanto quanto otimista…

    Discorre sobre o discurso de posse da presidente Dilma, da sua afirmação no combate contra a corrupção, que enlameia o seu mandato e aconteceu nesses 12 anos, na sua cara, e do ex-presidente Lula, e de todos os personagens de proa do PT… .

    No Chile, anteontem, outro discurso.
    Nesse, os escândalos de corrupção foram amenizados sobremaneira, só faltando culpar a mídia pelo destaque dado aos repetidos eventos que estão deixando a maior estatal brasileira na UTI. Como detalhe na fala, o governo foi apregoado por Dilma, como quem mais combate a corrupção.

  3. A Presidente Dilma, disse para a platéia o que tinha a dizer, não poderia
    ser diferente. Na verdade quem vem investigando é a Polícia Federal e o
    Ministério Publico, com todas as dificuldades que esse órgãos tem, como
    falta de verba etc e, quem vai punir é a justiça.
    As CPMIs comandadas pelos aliados e partido do governo, são sempre meladas,

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