Dilma consolidada: Caso Erenice só afeta renda alta

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha publicada na edição de 16 de setembro, comentada conjuntamente por Fernando Rodrigues e Fernando Canzian, apresenta a liderança de Dilma Rousseff em matéria de intenção de voto plenamente consolidada. Ela, apesar das tempestades causadas pela invasão de sigilos fiscais e da corrupção que envolveu a ex-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, nesta semana que passou subiu de 50 para 51 pontos, enquanto José Serra desceu do vigésimo oitavo para o vigésimo sétimo andar. Marina Silva manteve 11%. Vitória previsível no primeiro turno, royalties para minha mulher Elena, primeira a identificar a tendência que começava a se desenhar no início da campanha. Mas este é outro assunto.

Rousseff está consolidada porque vence em todas as quatro regiões do país, em ambos os sexos, em todos os níveis de escolaridade, margem muito acentuada nas escalas de base, em todas as faixas de renda. Só um maremoto acompanhado por um tornado poderia alterar o panorama visto da ponte em relação às urnas de 3 de outubro. Além do mais, a ruptura dos limites legais no que se refere às declarações de Imposto de Renda, crimes praticados estranhamente em cidades satélites paulistas, e dos crimes de corrupção desfechados em Brasília à sombra da Casa Civil de Erenice, são episódios  que somente afetaram as classes de renda mais alta. O grupo A e B.

Nas faixas C e D/E não causaram a menor sensibilidade. Fernando Canzian observou bem este aspecto essencial revelado pelo Datafolha.

Vejam os leitores o seguinte. Nos grupos que abrangem os que ganham até 2 salários mínimos, Dilma tem 55 contra 24 de Serra. Junto aos que percebem mensalmente de 2 a 5 pisos, Dilma alcança 49 contra 28 de Serra. Na faixa que vai de 5 a 10, Rousseff marca 47, Serra 28. Entretanto, no que se refere àqueles cujos vencimentos superam 10 salários mínimos, aí sim, a diferença diminui muito. Dilma mantém-se à frente, porém pela margem de 36 a 34 pontos. Marina Silva, nesta escala, alcança 19% das intenções de voto. Como a diferença anterior era maior, e encurtou, pode-se interpretar o fenômeno como efeito dos escândalos de inverno, frase que componho inspirado em propaganda antiga da loja O Camiseiro, que não existe mais e ficava na Rua da Assembléia. Era tradicional no comércio do Rio.

Ocorre no entanto que a perda de alguns pontos de Dilma registrou-se num universo pequeno, em torno de 10% do eleitorado. Dilui-se no oceano de 90%. Não influi no rumo geral da disputa. A diferença de uma para outro permanece muito grande. Dilma, assim, está mais perto do Palácio do Planalto, do que José Serra.

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Um outro assunto. O Diário Oficial de 13 de setembro, na primeira página, publica a decisão do Supremo Tribunal  Federal na ação proposta pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, considerando inconstitucionais quatro dispositivos da lei 9504/97, Lei Eleitoral. São os incisos 2 e parte do inciso 3 do artigo 45, além dos itens 4 e 5 do mesmo artigo. Assim, o STF além de liberar os programas de humor envolvendo os candidatos, permitiu a colocação de opiniões favoráveis ou contrárias a pessoas e partidos em programas jornalísticos e mesmo em novelas e minisséries. Foi, na realidade, uma abertura muito grande, ainda não bem percebida pelas redes de televisão e emissoras de rádio. Afinal de contas, o resultado do julgamento foi ao encontro da Constituição de 88, que proíbe qualquer tipo de censura ou restrição às manifestações de arte e pensamento.

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