Dilma corta verbas contra corrupção e ministro se demite

O ministro da CGU, Jorge Hage, durante entrevista na qual anunciou que deixará o cargo (Foto: Paulo Melo/G1)

Hage pede demissão e critica falta de verbas

Deu no G1

Após oito anos no comando da Controladoria-Geral da União, o ministro Jorge Hage informou nesta segunda-feira que está saindo do governo de Dilma Rousseff. O ministro disse que já apresentou sua carta de demissão à presidente por não querer continuar em seu segundo mandato.

Hage assumiu como ministro da CGU em junho de 2006 ainda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2010, quando montava seu primeiro escalão, a presidente Dilma Rousseff chegou a articular a troca de Hage. A petista convidou Maria Elizabeth Rocha, ministra do Superior Tribunal Militar, que recusou, alegando desinteresse em deixar o tribunal.

Chefe do órgão responsável por ações de combate à corrupção no país, Hage deixa o posto na mesma semana em que se comemora o dia internacional contra a corrupção, em 9 de dezembro.

No mês passado, Hage defendeu que as empreiteiras pegas na Operação Lava Jato terão de ressarcir a Petrobras pelos danos causados, refazer contratos superfaturados, entregar os nomes de quem recebeu e pagou propina, e ainda mostrar como funcionava o esquema dentro da estatal para poderem fechar os acordos de delação com a CGU.

Durante sua gestão, a CGU foi uma dos responsáveis pela articulação da lei de acesso a informação pública.

 

“Eu apresentei à presidente Dilma Rousseff a minha carta pedindo que ela me dispense do próximo mandato. Apresentei isso nos primeiros dias de novembro. Então, a minha pretensão é não ter a minha nomeação renovada. Estou pedindo minha demissão”, ponderou o ministro no evento que homenageia o Dia Internacional contra a Corrupção, que será celebrado nesta terça.

“Já cumpri com meu dever, já dei a minha contribuição. Já são 12 anos de Controladoria, sendo nove como ministro. Está na hora de descansar”, complementou.

“PENÚRIA ORÇAMENTÁRI”

Em seu discurso no evento desta segunda-feira, Jorge Hage lembrou que, em 2014, houve um grande corte orçamentário na CGU. O ministro destacou que, na opinião dele, é preciso “elevar” o nível de investimentos do Estado em órgãos de controle.

“Realmente houve um corte grande de despesas. A Controladoria já tinha historicamente um orçamento pequeno. Nós representamos um peso ínfimo no orçamento federal, sobretudo se comparado com o que se evita em desperdício e desvios. Então o que sustento é que é preciso, numa nova fase, no futuro, elevar o nível de investimento nos órgãos de controle e ampliar o sistema de controle”, disse Hage.

Em setembro, em plena campanha eleitoral, o chefe da Controladoria-Geral da União já havia ressaltado ao G1 que a redução de R$ 7,3 milhões no orçamento do órgão, em relação ao de 2013, havia gerado uma situação de “penúria orçamentária” na pasta. À época, informou o Blog do Camarotti, o Planalto ficou incomodado com as críticas do ministro da CGU.

FALTAM AUDITORES

Nesta segunda, o ministro voltou a criticar o atual déficit de auditores na CGU. Hage observou que, desde 2008, o órgão de fiscalização perdeu 300 auditores. Por isso, contou o ministro, ele teve de realocar servidores de diversos setores para suprir a demanda de trabalho.

“Em 2008, chegamos a um ponto razoável [no número de servidores]. De lá para cá, a perda é grande, são 300 auditores a menos. Então o que fizemos este ano foi remanejar pessoas de uma área para outra. Por exemplo, na área que cuida de energia, petróleo e gás, tendo em vista intensificar as auditorias e os trabalhos de corregedoria na Petrobras, deslocamos servidores dos mais diversos setores para esse setor”, relatou Hage.

ESTATAIS BOICOTAM
Questionado sobre as principais conquistas que a CGU teve durante a sua passagem como ministro, Hage afirmou que, atualmente, o órgão consegue “antecipar as condutas ilícitas nas licitações” com a criação do setor “Observatório da despesa pública”. Esta divisão da CGU cruza bancos de dados de setores governamentais.

O ministro lamentou o fato de empresas estatais não terem aderido à análise desses dados. Hage explicou que as estatais possuem sistemas próprios de licitação.

“É uma pena que as empresas estatais não participem desses bancos de dados. É preciso agora, numa nova etapa, trazê-las para o foco do controle, porque atualmente elas têm sistemas de licitação próprios, no caso da Petrobras. Não utilizam os sistemas corporativos do governo, o que faz com que elas fiquem fora do alcance dessas atividades”, lamentou o ministro demissionário.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDesde a campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff se autoelogia, dizendo que seu governo é o que mais combate a corrupção. Na verdade, acontece justamente o contrário, porque é Dilma quem manda cortar as verbas dos mais importantes órgãos que atuam contra a corrupção – a Polícia Federal e a Corregedoria. Traduzindo: a PF e a CGU lutam contra a corrupção, “apesar de Dilma”, como se dizia antigamente. (C.N.)

8 thoughts on “Dilma corta verbas contra corrupção e ministro se demite

  1. Ser chamado de troll é um motivo de orgulho…
    Dados do Processo

    Processo:
    0200321-72.2005.8.26.0100 (583.00.2005.200321)
    Classe:
    Execução de Título Extrajudicial
    Área: Cível
    Local Físico:
    09/08/2012 00:00 – Conversão de Dados – Arquivo Geral – Remetido ao ARQUIVO (Maço:10798/09) – 2 volumes
    Distribuição:
    Livre – 29/11/2005 às 16:36
    17ª Vara Cível – Foro Central Cível
    Juiz:
    Felipe Poyares Miranda
    Valor da ação:
    R$ 3.226.737,96
    Exibindo Somente as principais partes. >>Exibir todas as partes.
    Partes do Processo
    Reqte: Bndes Participações S/A – Bndespar
    Advogado: Luiz Claudio Lima Amarante
    Advogada: Luciana Vilela Gonçalves
    Reqdo: Dinheiro Vivo Agência de Informações S/A
    Advogada: Dina Darc Ferreira Lima Cardoso
    Exibindo 5 últimas. >>Listar todas as movimentações.
    Movimentações
    Data Movimento
    20/10/2012 Classe Processual alterada
    09/08/2012 Remessa ao Setor
    Remetido ao ARQUIVO (Maço:10798/09) – 2 volumes
    06/08/2012 Remessa ao Setor
    Remetido ao ARQUIVO EM 06/08/2012
    27/07/2012 Aguardando Prazo
    Aguardando Prazo
    06/07/2012 Aguardando Prazo
    Aguardando Prazo 20/07
    Incidentes, ações incidentais, recursos e execuções de sentenças
    Recebido em Classe
    21/11/2005 Cumprimento de sentença (1025445-24.2005.8.26.0100)
    Petições diversas
    Não há petições diversas vinculadas a este processo.
    Audiências
    Não há Audiências futuras vinculadas a este processo.

  2. Aqui entre nos, desde que esse ministro assumiu no governo Lula que se corta verbas na administração pública federal. O que mais se ouviu nos últimos anos foi a palavra CONTINGENCIAMENTO. Ele já devia estar acostumado. Corta-se na SAÚDE e na EDUCAÇÃO, não vai cortar em órgãos de controle da administração pública? A questão é que agora estão todos de olho nos escândalos da corrupção na administração pública federal. Até a Receita já sofreu cortes. O local da Receita que atendia PF no bairro do CN, rua das Laranjeiras, RJ, JÁ NÃO ATENDE MAIS há dois anos. De uns tempos para cá , só PJ. Comenta-se inclusive que está para fechar. E olha que a Receita Federal é fundamental para qualquer governo.

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