Dilma decidiu firme: BNDES existe para desenvolver economia

Pedro do Coutto

Absolutamente firme e correta a decisão da presidente Dilma Roussef de mandar o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, retirar o apoio do Banco ao empresário Abílio Diniz, que tentava um acordo com o Carrefour, sem a prévia concordância do megagrupo Casino, rival do Carrefour na França e em vários países da Europa. A revelação foi feita pelo jornalista Ancelmo Góis, edição de 11 de julho, plenamente confirmada pelo O Globo do dia seguinte, 12.

A proposta, por si era de encaminhamento difícil, não só pelo fato de envolver 3,9 bilhões de reais e uma taxa de juros de 6% ao ano (TJLP), mas também por conduzir o BNDES a uma participação acionária pouco nítida. Para dizer o mínimo. Havia uma dúvida entre as sombras: qual o desembolso do Banco para uma operação de financiamento e qual a participação no empreendimento, o que inclui riscos?

Mas o problema – bastante complicado – não era só este. É que o crédito direcionava-se a uma fusão Pão de Açúcar-Carrefour, não incluindo o Casino, detentor de 36% do grupo de Abílio Diniz. Como se poderia financiar um investimento se a direção do Banco não tinha conhecimento das completas implicações societárias? Nenhum banqueiro aceitaria. Além deste aspecto, o BNDES não avaliou o conteúdo do contrato firmado entre Pão de Açúcar e o Casino, em 2005, através do qual em 2012 o Casino assume o controle da empresa. E – tem mais – não só do Pão de Açúcar.
Porque o Pão de Açúcar mantém participações em diversas empresas – como a Folha de São Paulo e O Globo revelaram semana passada – , nas Casas Bahia, no Supermercado Extra, no Ponto Frio, entre outras. Uma estrutura complexa, na qual o Bradesco possui ingerência, já que sustenta o sistema de crédito das Casas Bahia, transformando-os num verdadeiro Banco popular.

Isso porque, embora aquecido, o mercado de eletrodomésticos apresenta índices expressivos de atraso de pagamento. Difícil de arcar e bancar, sobretudo por uma empresa que despendeu no ano passado, segundo publicações especializadas, a soma de 1 bilhão e 200 milhões em publicidade. Praticamente 3,5% de todo faturamento das emissoras de televisão, jornais, emissoras de rádio e da própria Internet. O volume total publicitário, em 2010, alcançou 39,6 bilhões de reais. Mas esta é outra questão.

Retornando ao affair – para recorrer a uma palavra francesa – envolvendo Diniz, Carrefour e Casino, um verdadeiro “Rififi”, na terça-feira houve um encontro em Paris entre Abílio Diniz e Jean Charles Noueri, principal executivo do Casino. Foi um fracasso. Para Diniz, pois o Casino vetou tudo. Mas Paris é sempre Paris. Um prazer enorme, e sempre renovado, chegar-se à cidade. Fascinante.

Nada fascinante o desfecho. Foi péssimo para Diniz. Pois se ele recorreu ao BNDES é porque, claro  sem Luciano Coutinho, não poderia resolver o problema que o envolve, o de transferir o comando da organização no alvorecer de 2012. Logo após a festa de réveillon, que nunca é completa sem o champanhe leve e efervescente que se produz na encantadora cidade de Reims, relativamente perto de Paris. A cidade possui uma catedral belíssima, mas não muito grande, uma das mais lindas do mundo. Lá em 8 de maio de 45, foi assinada a rendição nazista.

Mas necessito encerrar o texto retornando ao título. O BNDE foi criado por Getúlio Vargas em 51 transformando-se no primeiro banco de fomento do país. Anos depois, governo Sarney, foi lhe acrescentado o S atual. Sua finalidade não é atuar no comércio e sim na indústria e na produção. Muito menos no mundo financeiro.

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