Dilma deixa Brasil quase na lanterna do crescimento mundial

Deu no Estadão

O crescimento de 0,1% ou queda de 0,2% na atividade econômica brasileira no terceiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2013, anunciada  pelo IBGE, deixou o País quase na lanterna do crescimento mundial. De uma lista de 34 economias, o Brasil ocupou a 31.ª colocação, segundo levantamento da consultoria Austin Rating.

O desempenho brasileiro ficou abaixo do verificado em países como Grécia e Espanha, que ainda tentam se reerguer de crises severas, e foi o pior entre as grandes economias emergentes, que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

No topo do Brics, a China cresceu 7,3% no terceiro trimestre ante igual período do ano passado, enquanto a Índia teve alta de 5,3%. Já o Produto Interno Bruto (PIB) da África do Sul, que vive quadro de inflação elevada, juros altos e atividade em recuperação, teve aumento de 1,4%. A Rússia, mesmo às voltas com a crise geopolítica envolvendo a Ucrânia, avançou 0,7%.

O resultado brasileiro só não foi pior que a atividade de Itália, Japão e da própria Ucrânia.

POLÍTICA EQUIVOCADA

O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, responsável pelo estudo, atribui a má colocação do Brasil à gestão equivocada da política econômica.

“Há profundos problemas na gestão da política econômica, com destaque para a atabalhoada política monetária de juros relativamente altos com inflação alta e atividade econômica em retração. Além, é claro, da política fiscal expansionista”, disse Agostini, em relatório.

A recuperação, defendeu o economista, depende de mais investimentos e novos acordos multilaterais, diversificando o leque de países parceiros em termos de comércio. Hoje, os grandes consumidores das exportações brasileiras são China (commodities) e Argentina (manufaturados), que passam por ajustes. “Esses países não deverão manter a mesma contribuição observada em anos anteriores.”

SETOR EXTERNO

No período de julho a setembro deste ano, o desempenho do setor externo foi favorável ao crescimento na comparação com igual período de 2013. O volume das exportações cresceu 3,8%, enquanto as importações tiveram avanço mais tímido, de 0,7%.

“As exportações cresceram mais que as importações. Tem quatro trimestres seguidos que a gente tem contribuição positiva do setor externo no crescimento”, disse Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com o segundo trimestre, porém, o setor externo tirou fôlego da economia, já que a lógica foi justamente inversa. As importações foram 2,4% maiores, enquanto os embarques avançaram 1%.

“Isso é resultado da baixa competitividade da indústria doméstica, que vivencia problemas do lado da oferta”, avaliou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno. A recente desvalorização do real ante o dólar, contudo, pode melhorar esse quadro, acrescentou Rostagno.

5 thoughts on “Dilma deixa Brasil quase na lanterna do crescimento mundial

  1. Para ganhar uma Eleição Presidencial, mais importante que o Índice de crescimento da Economia, é DESEMPREGO BAIXO, ou pelo menos menor que antes, e INFLAÇÃO dentro do teto da Meta de 6,5%aa.
    Alguém tem dúvidas de que a Presidenta DILMA deu preferência a se re-Eleger. Melhor se ela conseguisse menos DESEMPREGO e INFLAÇÃO ainda, e crescimento Econômico de 5%aa. Mas não sendo possível as duas coisas, melhor preferir ao que dá mais VOTOS.

  2. Tudo isso já era previsível desde o início de 2013. O abandono da política fiscal se deu desde meados de 2012.

    Este governo deu sinais de sua incompetência e irresponsabilidade lá atrás.

    Não acredito, agora, em um “freio de mão” na condução das políticas econômicas, justamente porque os sinais dados pelo próprio governo na contramão de um ajuste econômico sério e responsável continuam sendo muito claros.

    O PT continua administrando o país de maneira totalmente dependente do crescimento mundial. E isso é puro lixo, pois, nosso país tem uma economia muito fechada onde apenas 13% do PIB depende das relações comerciais com o resto do mundo.

    Isso significa que se a nossa economia vai mal, vai mal porque 87% das circunstâncias de ir mal decorre da má gestão interna.

    E tem tudo para continuar como foi nos últimos quatro anos.

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