Dilma desafia os bancos. Jamais na História deste país alguém ousou tanto. E ninguém sabe no que isso vai dar.

Carlos Newton

Fatos são fatos. Não há como contestá-los. A firme decisão da presidente Dilma Rousseff de enfrentar o sistema financeiro é algo de novo na política brasileira, um fato extremamente necessário.

Conforme tem publicado este Blog da Tribuna, baixar os juros é uma saída para garantir um futuro melhor a este país. A outra saída seria a moratória à Argentina, com prejuízo ainda mais aos banqueiros, que aplicam seus lucros abissais nesses títulos, e aos chamados rentistas, que investem nos fundos lastreados na dívida pública.

Em sucessivos artigos, Helio Fernandes advertiu para o crescimento da dívida interna, que se tornou uma bola de neve e impede novos investimentos que possa desenvolver o país e mitigar a eterna crise social. Sem queda da taxa de juros, o país ficará inviável. Isto é um fato.

Detalhe importante: nessa empreitada, Dilma Rousseff não tem apoio do ex-presidente Lula nem do ministro da Fazenda Guido Mantega. Sua firme decisão mostra que ela enfim decidiu assumir o governo, as rédeas não estão mais nas mãos de Lula.

Outro detalhe: Mantega chegou ao ministério da Fazenda curvado aos banqueiros. Usou a presidência do BNDES como trampolim para atender aos interesses dos bancos. Revogou uma importante decisão de seu antecessor, Carlos Lessa, que proibira intermediação de bancos comerciais nas operações do BNDES acima de R$ 10 milhões.

Discretamente, Mantega cancelou a ordem de Lessa, e os bancos voltaram a ganhar 4% em todas as grandes operações do BNDES. É o melhor negócio do mundo, porque o banco intermediário nada faz, apenas assina o contrato, leva os 4%, e o risco é mínimo. A inadimplência dos grande empréstimos do BNDES é próxima de zero.

É claro que sempre aparece algum cliente, como a agência Dinheiro Vivo, do Luiz Nassif, que não paga. Mas logo o BNDES encontra uma solução, como a contratação do próprio Nassif como “consultor” (tipo os “consultores” Dirceu, Palocci ou Pimentel) e a conta é milagrosamente zerada. A diferença é que Dirceu, Palocci e Pimentel fazem tráfico de influências nas consultorias, enquanto Nassif não tem de fazer nada.

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BB REDUZ AS TAXAS

Por ordem direta da presidente Dilma, o Banco do Brasil anunciou sexta-feira uma nova redução nas taxas de juros, desta vez apenas para pessoas físicas e nas linhas de crédito pessoal, cheque especial e veículos. Esta semana o banco promete anunciar um corte para empresas e redução de taxas de administração de fundos de investimento.

No cheque especial, a taxa máxima mensal caiu de 8,31% para 3,94%, que agora é a taxa única do produto. No crédito pessoal, caiu de 5,79% (ao mês) para 3,94%. No financiamento de veículos, a taxa média caiu de 3,20% para 1,58%.

O BB apresentou números que revelam que a participação do banco praticamente dobrou no mercado de financiamento de veículos em abril, considerando a originação de financiamentos de veículos. A fatia do banco subiu de 4% em março para 7% em abril.

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REAÇÃO DOS BANQUEIROS

É claro que a reação dos banqueiros será implacável. Eles têm a seu lado Mantega e um número enorme de economistas amestrados (como diz Helio Fernandes). Não é à toa que Dilma Rousseff sonhe em se livrar de Mantega, mas não quer magoar Lula e quem agora manda é mesmo ela, deixa pra lá…

Como e quando os banqueiros reagirão, só veremos a seguir. No momento eles estão perplexos, ainda não assimilaram o golpe, não sabem o que fazer.

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