Dilma deveria contratar a analista do Santander

Leonardo Souza

A expressão “faltar com a verdade” é um eufemismo para dizer que alguém mentiu. Em entrevista à Folha e a outros dois jornais na segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff afirmou que só percebeu os sinais da grave crise que se avizinhava entre os meses de novembro e dezembro do ano passado, ou seja, após a eleição.

Para usar outro eufemismo, os fatos contradizem a presidente. A equipe do então ministro Guido Mantega (Fazenda) definira em meados de 2014, conforme a Folha revelou em janeiro, todo o conjunto de mudanças nas regras trabalhistas que seriam anunciadas logo após a vitória de Dilma.

Essas alterações, que limitam a obtenção do seguro-desemprego e do abono salarial, estão entre as principais iniciativas da economia de receitas para cobrir o rombo das contas públicas.

MUITO ANTES DA ELEIÇÃO

Um integrante do time de Mantega confirmou à coluna que, muito antes da eleição, já se sabia da urgência em cortar despesas. Mas, por uma decisão política, essas medidas amargas e impopulares só poderiam ser anunciadas após a corrida presidencial. Evidentemente, impactariam (como impactaram) na opinião pública –menos votos.

 

Em agosto, o governo reduziu em R$ 8,8 bilhões a previsão do gasto com o abono salarial para este ano. A revisão consta do PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2015, enviado naquele mês pelo Planalto ao Congresso. A previsão foi feita com base nas novas regras trabalhistas que já estavam definidas pela Fazenda. Se a revisão foi enviada para o Congresso em agosto, os cálculos tinham sido feitos muito antes. Meses antes do novembro e dezembro admitido por Dilma.

No dia 6 de novembro, o ainda ministro Mantega antecipou o que sua própria equipe já havia preparado. “Nós temos agora que fazer uma redução importante das despesas que estão crescendo, como o seguro-desemprego, abono salarial e auxílio-doença”, disse o ministro durante evento da FGV (Fundação Getulio Vargas) em São Paulo.

INTERFERÊNCIA DE DILMA

Era notória na Esplanada dos Ministérios a interferência de Dilma na Fazenda. Mantega não fazia nada sem que Dilma soubesse. Difícil acreditar que a equipe econômica houvesse preparado pacote para remediar a crise e que a presidente não tivesse a menor ideia da gravidade do quadro econômico.

Do mercado financeiro vieram diversos alertas de que a situação era muito ruim e que as contas do governo estavam em frangalhos. Um episódio marcou a eleição. No final de julho, o Santander enviou para seus clientes vips um informe sobre o impacto da corrida presidencial nos indicadores financeiros.

No relatório, o banco espanhol avaliava que se Dilma subisse nas pesquisas e vencesse a eleição, a Bolsa cairia e os juros subiriam. O Santander ressaltava também que a economia brasileira já estava muito mal, com baixo crescimento, inflação alta e déficit nas trocas comerciais com o mundo.

INADMISSÍVEL E LAMENTÁVEL

Na ocasião, a presidente Dilma classificou a análise do banco de “inadmissível” e “lamentável”.

O ex-presidente Lula disse que a autora do informe do Santander não entendia “porra nenhuma de Brasil” e que deveria ser demitida.

Cedendo à pressão, o Santander demitiu a gerente de investimentos que escreveu a análise, além de dois de seus colegas e a superintendente da área, que aprovaram o texto.

Desde a vitória de Dilma, o quadro não poderia ser pior. A inflação beira os 10% ao ano, a economia entrou em recessão, o desemprego bate recordes, o dólar está em sua maior cotação em 12 anos, o Banco Central não para de subir os juros…

Não se sabe se a gerente de investimentos do Santander ainda está desempregada. Estando ou não, Dilma faria um bem muito grande para si mesma se a contratasse. Dificilmente correria o risco de vir a público novamente no futuro admitir que errou ao não compreender o óbvio sobre economia

4 thoughts on “Dilma deveria contratar a analista do Santander

  1. Todos nós estamos horrorizados…Governo Dilma é um total fracasso
    Dilma oh dilma, ninguém te aguenta mais. Dilma oh dilma vá pra Cuba e não volte nunca mais.
    Dilma que no inferno flutua…inferno astral.
    Dilma que nos faz penar.
    Dilma oh dilma vá pra Cuba e fique por lá.

  2. Será que é contagioso ?

    BRASÍLIA – O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu nesta terça-feira ação penal para investigar o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força Sindical, por desvio de dinheiro do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, há indícios de que o parlamentar cometeu lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e crime contra o sistema financeiro. A denúncia foi recebida pela Segunda Turma do tribunal, por unanimidade.

    As suspeitas vieram à tona a partir da Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, em 2007. Segundo a denúncia, foi desviado dinheiro de três financiamentos feitos pelo BNDES: um no valor de R$ 130 milhões para obras da prefeitura de Praia Grande, no litoral de São Paulo, e dois para a expansão e melhorias na rede de lojas Marisa, de R$ 220 milhões. Nesses três contratos, os desvios ultrapassariam R$ 2 milhões.

    O dinheiro era dividido entre os integrantes da suposta quadrilha. Também teriam sido beneficiado com os ilícitos o então prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PSDB), João Pedro de Moura, identificado como assessor de Paulinho, Marcos Mantovani, dono de uma empresa de consultoria, e o advogado Ricardo Tosto, ex-conselheiro do BNDES. Essas pessoas são investigadas perante a Justiça Federal em São Paulo, por não terem direito ao foro privilegiado do STF.

    De acordo com as investigações, a mulher do deputado, Elza Pereira, teria permitido o uso da conta bancária do ONG Meu Guri, presididas por ela, para ocultar parte dos valores desviados do BNDES.

    — Os fatos foram bem delineados na denúncia, não há nulidade que impeça o início da ação penal. A situação estampada nos autos merece ser melhor esclarecida, mediante o recebimento da denúncia — afirmou o subprocurador da República Paulo Gonet na sessão de hoje.

    O advogado de Paulinho, Marcelo Leal, disse, em sustentação oral, que o parlamentar não teve nenhuma participação nos desvios:

    — O objeto dessa investigação deveria ser o tráfico de influência no qual Paulinho da Força foi envolvido — declarou.

    A Segunda Turma é formada por cinco ministros, mas apenas três estavam presentes: Teori Zavascki, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Todos votaram pela transformação do inquérito em ação penal.

    Fonte: http://oglobo.globo.com/brasil/stf-abre-acao-penal-contra-paulinho-da-forca-por-desvios-no-bndes-17431911

  3. Concordo plenamente com a analise tecnica do autor e da analista do Santander.
    A minha duvida e se foi a Dilma que montou esse ardiloso estelionato eleitoral , pois pelo nivel ‘intelectual ‘ que ela vem demonstrando penso que ela nao consegue ir alem de fazer odes a mandioca.
    Quanto a ouvir a analista do Santander , creio que ela deveria ouvir um outro analista que comeca por PSI.
    A patetica cena que ela fez ontem, dando acenos a placas metalicas , corroboram com a minha opiniao

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