Dilma e Leônidas sem diferença

Carlos Chagas

Há décadas  mestre Helio Fernandes escreve que, no Brasil, o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera.

Com todo o respeito, mas Dilma Rousseff também. Depois da trapalhada feita em Minas, quando conclamou os tucanos locais a votarem em Antônio Anastásia para governador e nela para presidente da República, a candidata superou-se. Sábado, quando José Serra discursava em Brasília, numa evidente referência ao adversário, ela declarou em São Bernardo  que não fugiu da luta, durante a ditadura.

Referia-se ao seu papel de guerrilheira, participante da luta armada durante os anos de chumbo, aliás, uma heróica e elogiável bobagem praticada por parte dos que se opunham ao regime militar, porque só fizeram aumentar pretextos para a ditadura continuar.

O principal na afirmação de Dilma, porém, estava na comparação: ela não fugiu, quer dizer, não se exilou, não foi para o exterior, mas Serra foi. Então fugiu…

Nem é preciso relembrar a História. O hoje candidato do  PSDB era presidente da União Nacional dos Estudantes. Havia discursado no comício do dia 13 de março. Estava na lista dos mais procurados, possivelmente vivo ou morto. Quantos mais fizeram o mesmo, de João Goulart a Leonel Brizola, de Luiz Carlos Prestes a Celso Furtado? Teriam sido fujões?

Triste se torna a estocada pelas costas quando se lembra que, não mais do que há uma semana, essa mesma imagem foi feita em entrevista na televisão pelo general Leônidas Pires Gonçalves, que negou a existência de exilados para taxá-los todos de fujões. O general chefiou o DOI-Codi do Rio de Janeiro, em certo período. Escorregou no diagnóstico, apesar do reconhecimento de que, mais tarde, manteve  conduta exemplar quando da volta do país à democracia. Graças a ele, escolhido ministro do Exército por Tancredo Neves, foi evitada uma aventura golpista por parte de generais contrários à posse de José  Sarney. Depois, segurou os militares nos quartéis, onde estão até hoje.  Mesmo assim, na recente  entrevista, saiu-se  mal ao chamar exilados de fugitivos.

Exatamente como fez Dilma  Rousseff  agora, igualando os conceitos. Quem sabe se Michel Temer recusar a vice-presidência na chapa oficial, a candidata não se lembre de convidar o   general Leônidas?

Falta pouco

Deixa poucas  dúvidas, apesar do desmentido feito minutos depois à Folha de S.Paulo, a declaração de Aécio Neves de que estará ao lado de José Serra onde quer que seja convocado. Adiantou menos ter explicado, depois do discurso, que sua disposição era de acompanhar o candidato tucano por todo o país, mantendo sua condição de candidato ao Senado.

Certas definições comportam dupla interpretação, mas essa, não.  Aécio sabe que fará a diferença, como candidato a vice-presidente, em especial se as pesquisas continuarem indicando  empate técnico entre Dilma e Serra. A união umbelical de São Paulo e Minas poderá decidir a disputa. Melhor evidência não haverá do que o entusiasmo dos 4 mil participantes da reunião do PSDB convocada para formalizar Serra. Para o Alto Tucanato, maio será o mês da rendição  do ex-governador  mineiro.

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