Dilma e Lula, cada vez mais distanciados

Carlos Chagas

O último debate, ocorrido domingo, foi apenas um exemplo, mas outros estão á vista de todos, nas últimas duas semanas: Dilma Rousseff não fala mais do Lula como falava. Evita citá-lo em suas respostas, discursos e aparições em confronto com o adversário. São cada vez mais raros os encontros entre eles, ainda que de forma bissexta apareçam juntos, de preferência em São Paulo. O ex-presidente desenvolve sua campanha em alguns estados, dando força ao candidato do PT nas eleições de governador no segundo turno, quando dedica poucos segundos à candidata.

Dúvidas inexistem de estarem estremecidas as relações entre o criador e a criatura. Fica difícil dar crédito a versões escandalosas, de que o Lula refere-se pejorativamente à sucessora, mas é por aí que sopram os ventos.

Diversas explicações existem. Uma de que Dilma segue cada vez menos os conselhos do antecessor, tanto no governo quanto na campanha. Almeja voar sozinha, se for reeleita, e já prepara a pista para a decolagem. Admite-se, também, que o Lula sentiu as dificuldades da reeleição e faz o dever de casa, na campanha, mas sem nenhum entusiasmo. Estaria disposto a enfrentar a nova situação política, no caso da vitória de Aécio, com outra imagem e retemperado esforço para recuperar o PT, sem a participação de Dilma.

As especulações se multiplicam, muitas delas exageradas, mas a verdade é que as paralelas começam a distanciar-se. Mesmo no caso da vitória da presidente, jamais se repetiria a história do mestre-escola orientando a aluna nos mínimos detalhes. Basta registrar que no caso da vitória da candidata, o ex-presidente pouco influiria na composição do novo ministério. Menos ainda nas alianças partidárias para um hipotético segundo governo.

Seguindo o processo as atuais tendências, a conclusão é de que o Lula começará a preparar sua candidatura para 2018 já no primeiro dia de janeiro de 2015, qualquer que venha a ser o inquilino do palácio do Planalto. Precisará polir certas arestas no PT e retomar a postura do diálogo com as forças econômicas, de um lado, e as sindicais, de outro. Quanto aos demais partidos, engolirá as defecções, na hipótese de Aécio ganhar as eleições, mas deixando aberta a porta para a reversão em torno de seu retorno ao poder.

Em suma, Dilma e Lula jamais romperão relações, mas andam e andarão cada vez mais distanciados, apesar da torcida pelo segundo mandato.

BOI BRAVO NO PICADEIRO

Admita-se, apenas na teoria, que Aécio Neves ganhe a presidência da República. Não haverá jeito de o PT aceitar acenos e chamamentos. Os companheiros irão mesmo para a oposição, e de forma virulenta. Estão desacostumados dessa performance, mas ânimo não lhes faltará. Seja o que Deus quiser…

3 thoughts on “Dilma e Lula, cada vez mais distanciados

  1. Nem tão distanciados… http://oglobo.globo.com/brasil/em-ato-em-sao-paulo-lula-faz-nova-agressao-imprensa-14307847

    O tom das animosidades só aumenta. Parece que o deixaram 1 mês sem o derivado da cana-de-açúcar e agora o soltaram pra sair espumando de raiva pra todo lado, gerando clima de guerra que é típico de quem – além de todos os escândalos de conhecimento público – não tem argumento. Uma espécie de hiperbolização de comentários da internet, mas pela voz de um ex-presidente que não gostava de ler e que “não sabia de nada”.

    O reflexo disso numa eventual vitória – que, penso eu (calcado na dimensão da indignação para com o PT da maioria da população e nas análises técnicas de especialistas como Diego Aranha e Amilcar Bueno), só ganha se houver uma intervenção no software que contabiliza os votos – é de se preocupar, dada a antipatia dessa gente com liberdade de expressão e a simpatia dos mesmos para com governos ditatoriais como Venezuela e Cuba.

  2. ESSE DISTANCIAMENTO FOI CONSIGNADO POR CARLOS NEWTON, HÁ LONGO TEMPO.

    DILMA PARECE QUE FICOU “COM O SACO CHEIO” DE SER MONITORADA POR LULA E DE TER QUE ATURAR OS ESPIÕES QUE ELE COLOCOU EM SUA ASSESSORIA DIRETA. E TAMBÉM OS MINISTROS “MUITO HONESTOS”.

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