Dilma e os ratos

Jorge Béja

Foi em 1990, Século XX, mas não tão distante assim. Internada no Hospital Souza Aguiar, no Rio, Dilma estava com paralisia cerebral e com as duas pernas engessadas, dos calcanhares até a virilha. Por causa da paralisia, não falava, não ouvia, não se mexia, não sentia dor… E emagreceu muito. Suas pernas definharam a tal ponto de permitir que os ratos do Souza Aguiar delas se servissem de comida. Sim, isso mesmo. Os ratos entravam pelo vão-abertura entre  as pernas que definhavam e o gesso, comiam as carnes das pernas de Dilma e saíam alimentados. Terrível. Horrível. Então, mesmo sem conhecê-la, por Dilma decidi brigar. Advogado é para isso.

HABEAS-CORPUS

Ao ler a notícia nos jornais, procurei o juiz de plantão no Palácio da Justiça no Rio. Mostrei a ele o noticiário e disse que estava impetrando uma ordem de Habeas-Corpus para a paciente Dilma. Num primeiro momento o juiz discordou. Disse o juiz que HC era remédio jurídico apenas para quem se encontrava ilegalmente preso. Ou correndo o risco de ser preso sem motivo justo. Mas quando ponderei que Dilma se encontrava em situação análoga à de uma pessoa injustamente presa, porque se estivesse lúcida e em condições de andar, Dilma fugiria do hospital, aí o juiz concordou e aplaudiu a analogia escrita na petição.

A ordem foi expedida, imediatamente. E, na mesma tarde, acompanhado de dois oficiais de justiça e da polícia, fomos todos até o Souza Aguiar, onde os jornalistas já aguardavam. Dilma foi transferida, a enfermaria infestada de roedores foi fechada e no dia seguinte o diretor do hospital exonerado. Tudo isso foi notícia de primeira página dos jornais. Dias depois a família de Dilma localizou meu escritório e foi lá para agradecer.

Hoje, passados 24 anos, não sei o que aconteceu depois com Dilma, que tinha apenas 36 anos de idade. Cumpri meu dever. Só resta a pedir a Dilma Fernandes Ferreira, que do Céu ou da Terra, que nos perdoe. Que perdoe os chamados adultos, os administradores públicos, os políticos, toda essa gente que não sente piedade de nós.

A OUTRA DILMA, DO SÉCULO XXI

É Dilma Rousseff. Reeleita presidente do Brasil, governará este país por mais quatro anos. É uma brasileira de muitos méritos, por sua história de luta para livrar o país da ditadura. Pelo ideal de um Brasil democrático, integrou a guerrilha, foi presa e torturada… Dispensável tecer mais comentários a respeito. A história de vida da presidente Dilma Rousseff é do conhecimento público. Está nos livros, na internet e na memória de seus contemporâneos.

Mas da mesma forma que a Dilma (do Hospital Souza Aguiar), Dilma Rousseff esteve, está — e se não tiver pulso forte — continuará a estar cercada de ratos. De ratazanas, do PMDB , do seu próprio PT e do PP, de José Mohamed Jatene, morto em setembro de 2010, a quem os roedores querem jogar toda a culpa.

HABEAS-CORPUS INVIÁVEL

Não se vê diferença entre o Palácio do Planalto e o Hospital Souza Aguiar, no Rio. São prédios onde os ratos proliferam. Mas esses ratos não estão apenas do Palácio do Planalto. Os ratos estão em toda a administração federal, direta e indireta. Dilma está à mercê deles a pretexto de uma “governabilidade” e, por causa disso, os ratos roem as finanças públicas e destroem as grandes empresas nacionais, como é o caso da Petrobrás.

A única suspeita que paira sobre Dilma é de ter ela o conhecimento, ou não, de tudo (“Domínio do Fato”). Igual a Lula, a respeito do “mensalão”. Dessa, Lula escapou. Mas os que estão se locupletando são todos aliados, tanto no governo Lula quanto no de Dilma. É inviável, impossível mesmo, usar do remédio do Habeas-Corpus para Dilma Rousseff. Dilma está lúcida, tem o poder supremo do país, tem a caneta na mão (o regime é presidencialista).

Dilma pode e deve se libertar do gesso que a manieta e Dilma está onde está porque assim desejou, assim quis e assim quer. E assim desejou a maioria do eleitorado brasileiro, segundo o TSE. Somente Dilma é quem pode acabar com a infestação dos roedores e recuperar as finanças do país e a credibilidade do Brasil perante o concerto das Nações. Caso contrário, que renuncie. O que não pode é continuar justificando roubalheiras, crimes contra a pátria, como se fossem “malfeitos”.

9 thoughts on “Dilma e os ratos

  1. Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht, UTC, Queiroz Galvão, Engevix, Mendes Júnior, Galvão Engenharia e Iesa são responsáveis pelas construções de Brasília, ponte Rio niteroi, Itaipu, Tucuruí, estradas, pontes ,portos, refinarias. Tudo que se constrói neste país é construídos por essas empreiteiras. Agora, elas estão incriminadas na sétima fase da operação lava jato, seus diretores presos. Para o Aécio, a eleição seria ganha com a desmoralização do adversário, não com proposta, e com a ganância pelo poder envolveu todo mundo. A construção de Brasília começou em 1956,será que a pratica da propina e da corrupção começou agora ? Quantos políticos poderosos não são amigos dos donos dessas empreiteiras ? Tenho para mim que não precisava sujar a imagem da Petrobras, impondo-lhe enormes prejuízos, para prender empreiteiro financiador de campanha e identificar contratos superfaturados. Já tivemos outras oportunidades para moralizar todo o país como o Impeachment do Collor, o escândalo dos anões do orçamento, entre outros escândalos. Espero que dessa vez seja diferente. D U V I – D O – D O

  2. Dr. Jorge Béja, magnífico o exemplo das Duas Dilmas.
    Talvez o diretor nem tivesse conhecimento das ratazanas na enfermaria, que seria da obrigação do chefe da enfermaria ou outro funcionário qualquer, mas o diretor era o maior responsável por tudo que acontecia no hospital, foi exonerado
    corretamente. Assim como a Presidente Dilma é a maior responsável pela a administração
    do país, pela proliferação das ratazanas no Planalto, se sabia da existência dos ratos e não usou raticida para extermina-los, foi conivente, se não sabia, assinou um atestado de incompetência.
    De qualquer forma, a meu ver, tanto o Diretor do Hospital como a Presidente Dilma,
    não deram a devida importância a administração pública, houve descaso, indiferença.
    Um forte abraço.

  3. Grande Dr. Béja
    Lê-lo é sempre bom, muito bom.
    Mas algumas coisas, podemos – e até devemos, ter visões diferentes.
    Através delas podemos apreciar melhor os fatos, avaliá-los até atingir-se conhecimento tal que satisfaça nosso curiosidade e necessidade.

    O relato de Dillma anterior, a revolucionaria, é a visão de alguns. No entanto, na minha cabeça pequena, sempre uma pergunta restou, sem resposta. Tudo o que Dillma e os “defensores da democracia” dizem ter feito, jamais teve o apoio do povo brasileiro. A comissão da verdade só se criou e vem produzindo “as meias verdades”, necessárias, porque nossa sociedade atual não quer saber da história. Nossos revolucionários não tiveram apoio popular. Ainda no exílio e quando do retorno, diversas lideranças se juntavam só na cadeia. Fora dela, viravam inimigos. Quando o MDB se rompe, surgem quantos partidos? os ditos da direita, trocaram a sigla.

    Quanto a corrupção na Petrobras existir desde a década de 70, nada desculpa a incompetência e irresponsabilidade de todos os governos. Todos permitiram e, salvo melhor juízo, se locupletaram na mesma fonte. O que diferencia o PT dos demais, é que ele era o dona da verdade, da honestidade, da seriedade, da ética e dos bons e novos costumes que implantaria na política. Lembra, antes de ingressar no poder, quando todos os demais eram ladrões?

    Quanto ao argumento de que “tudo está aparecendo porque o PT/Dillma liberou geral”, entendo eu, é falso. Na verdade, o rolo e o lixo é tão grande que o tapete ficou pequeno.

    E os ratos, também sempre existiram? Certamente.

    Dr. Béja, quem tem o voto de um povo sério e responsável, não pode se entregar “aos negócios do parlamento”. Claro: primeiro temos de ter o povo!

    Se colocarmos os pingos nos “ii”, nossos legisladores, nos três níveis, não cumprem com seus mandatos integralmente. E assim, poderíamos colocar seus mandatos “sub judice”. Aliás já pensei uma vez e estou voltando a pensar novamente no caso.

    Infelizmente não vejo como poderá ella se livrar de todos, mesmo na hipótese de desejar.

    É impossível afastar a parte suja do PT (maior de todas), Lulla e os aliados. E ainda terá de se cuidar da oposição – fortalecida com novos nomes e uma votação enorme.

    É sempre muito bom ler seus artigos.

    Um abraço e saúde.

  4. Magnifica a história sobre a jovem de 36 anos na enfermaria do hospital, principalmente pelo fato do jovem advogado ter buscado o remédio jurídico para libertá-la do sofrimento, sem o qual os ratos consumiriam todo o corpo da paciente.

    Os ratos agem realmente dessa maneira, por instinto destroem tudo que vislumbram como alimento. Dizem até que existem mais ratos do que as quase seis bilhões de pessoas atualmente vivendo entre nós.

    Agora, os ratos que comem as nossas esperanças, que surrupiam o erário público e levam o produto da rapina para contas secretas no exterior, há !!! esses ratos são os maiores predadores da humanidade, porque o dinheiro que as ratazanas guardam lá fora para usarem não se sabe como, falta para os doentes distribuídos nos corredores e no piso dos hospitais públicos, falta para as escolas públicas, falta para as creches, falta para o desenvolvimento do país.

    E o pior prezado jurista, é que não veremos mais a totalidade desse dinheiro furtado pelos ratos de colarinho branco. Ou seja, os recursos ficarão lá dormindo até que a poeira baixe e os parentes ou o próprio salafrário faça o saque.

    Alea jacta est

  5. A história relatada pelo eminente advogado, Dr. Béja, sobre duas mulheres de nome igual, Dilma, cuja trajetória de vida pode se resgatar alguma semelhança em seu final, serviria de alento à Dilma Roussef, se esta atendesse os apelos do bom senso, da honestidade, probidade, e não se deixasse levar pela aparência inofensiva dos ratos que lhe infestam o gabinete.
    Mesmo que já esteja acostumada com a ratazana, não pode se esquecer das doenças graves que os roedores transmitem aos humanos:
    Leptospirose;
    Peste Bubônica;
    Tifo Murino;
    Febre da Mordida do Rato;
    Triquinose;
    Salmoneloses;
    Sarnas e Micoses;
    Hantavirose.
    Dilma, a presidente do Brasil, apesar de ter convivido intimamente com os ratos, que lhe deixaram uma que outra sequela nos últimos quatro anos, tem tempo de dedetizar o Palácio do Planalto, e se ver livre em definitivo das doenças que ora lhe ameaçam seriamente a sua vida pública!
    A quantidade de roedores que cercam o seu local de trabalho é muito grande, e existem de todos os tamanhos, inclusive os ferozes e mansos mas, todos, indistintamente, são transmissores de males citados acima.
    O problema é a Dilma, a Rossef, ser teimosa e entender que está imune às mordidas por mais profundas que sejam, deixando de considerar que as feridas não são apenas de fora para dentro, mas a contaminação do sangue e, consequentemente, a morte!
    Por mais amestrados que estejam, os ratos são instintivos, e precisam diariamente roer, destruir, sob pena de que seus dentes por crescerem muito rápido feri-los mortalmente, então a necessidade de desgastá-los, justamente naquilo que se encontra à disposição, desde alimentos os mais saborosos até mesmo os podres, restos, o que estiver às suas frentes.
    O resultado deste festival gastronômico proporcionado por ambientes fétidos e sujos, é mais ratos, mais roedores, que se propagam de sessenta em sessenta dias!
    Dilma, a Roussef, precisa ter alguém que lhe faça voltar à realidade das contaminações que está sujeita pela quantidade de ratos que dividem o dia com ela, inclusive fora do horário de expediente, também no Palácio da Alvorada, infestadíssimo de roedores.
    Caso continuar negligente com a higiene, Dilma, a presidente, possibilita o aumento dos roedores em escala incontrolável e, o dia que não puder mais alimentá-los será devorada inexoravelmente por eles.
    Igualmente não pode dar ouvidos aos grandes ratos que, no intuito de ajudar a controlar a população de ratazanas, sugerem uma empresa que conhecem, amiga, cordial, gente fina.
    Não!
    Esta empresa se contratada sem licitação, sem que se analise seus predicados profissionais e eficiência no combate aos ratos, poderá trazer no lugar de inseticida, FORTIFICANTE, aumentando a resistência dos pequenos mamíferos e seu contingente, além de a Dilma, a presidente, responder por contratações indevidas.
    O problema é que poderá chegar o momento crucial para a Dilma, a Roussef, que sem saber como aplacar a fome dos roedores, e porque desconhece o nosso Dr. Béja, que lhe iria instruir como se desfazer desses pestilentos animais, terá de chamar o Flautista de Hamelin!
    E, conforme a tradição petista, mesmo que o contratado resolva o problema dos ratos, pode não receber o dinheiro que a Dilma, do PT, lhe deve porque o profissional nega-se a dar comissão ao tesoureiro petista, que não lhe ajudou, mas quer ganhar em cima do seu bom e útil trabalho.
    Dilma, a Roussef, terá de suportar a vingança implacável do flautista, que será tarde para devolver os honorários do profissional que a livrou da peste porque infectada irreversivelmente por várias doenças!
    Um abraço, Dr. Béja, por mais um artigo de grande valia aos comentaristas deste blog incomparável.

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