Dilma e Serra, personificam, protagonizam e participam da eleição mais vergonhosa, mentirosa e enganosa de toda a História da República.

Helio Fernandes

Na Primeira República, foram 41 anos sem eleição, sem povo, sem voto, sem urna, sem disputa. Existia apenas um candidato, lançado pelo próprio ocupante do Catete. Não havia eleitor ou discordância. Como discordar se só havia um candidato, um partido, ninguém podia votar, a não ser os teleguiados dos donos do Poder?

Como República Velha, só saiu da História pela porta dos fundos, na verdade da mesma forma como entrara. Os tumultos eram transferidos para a “eleição” dos governadores, quase sempre dois. Um que era chamado de “eleito”, outro “garantido” pela Justiça.

(E isso não foi muito longe ou distante. Barbosa Lima Sobrinho, depois grande personagem nacional, ficou mais de um ano na Justiça, disputando com Neto Campelo quem seria o governador de Pernambuco. Nilo Peçanha, ex-presidente da República, no Estado do Rio foi eleito governador, mas teve que dividir o Poder, com outro designado pela Justiça).

Praticamente todas as eleições foram tumultuadas antes, durante e depois do que chamamos eleição. Benedito Valadares, um dentista que chegou a ser comensal de presidentes da República, distribuía os envelopes, logicamente fechados. E quando alguém protestava e reclamava, “o voto não é secreto?”, recebia como resposta, “então, se é secreto, como é que você quer saber?”.

Isso não é lenda nem folclore, e sim o retrato de uma época. Dessa forma, excluídos os 41 anos da Primeira República, os 15 anos de uma ditadura e os 21 da outra, sobrou pouco tempo para a indicação, escolha e sagração, para a decisão do cidadão-contribuinte-eleitor.

Acreditava-se, não apenas de boa fé, mas como manifestação da convicção, que esta eleição de 2010 fosse limpa, representativa, digna e verdadeira. O fato de um presidente da República estar participando da escolha feita por ele mesmo, de uma “candidata-poste”, nada surpreendente. Não foi sempre assim?

Com 135 milhões de eleitores inscritos, esperava-se que seria difícil deturpar o resultado, principalmente por causa da profundidade e da repercussão do rádio e da televisão. Diziam: “Nada poderá ser escondido, tudo será revelado, ninguém terá condições de mentir, de ficar nos subterrâneos da campanha”.

Pois a “mentiralhada” veio precisamente dos órgãos de comunicação, lógico, com a colaboração dos candidatos, e v-e-r-g-o-n-h-o-s-a-m-e-n-t-e do próprio presidente da República. (Em exercício? Ou fingindo neutralidade, apenas fingindo, como fez durante os 8 anos em que esteve e está à frente do governo?)

A baixaria, (desculpem, mas é a palavra consagrada e “autenticada” pelos dois candidatos) ideológica, política, eleitoral, parecia insuperável. Tratavam, de um lado e do outro, de tudo, de muito, de várias coisas, menos do que interessava, que era o programa, o projeto de governo, o que o povo esperava, as realizações para a independência do país e a prosperidade geral.

Mas a degradação dos insultos chegou a um nível tão baixo, de parte a parte, que precisavam mistificar de outra forma, fazer maquiagem tão deturpadora, trazer mais sensação para a televisão, que os ataques verbais já não eram suficientes.

Compreenderam (e atenderam e entenderam) que os órgãos de comunicação estava sedentos e famintos por mais “espetáculo”, por mais “malabarismo”, por mais “Cirque du Soleil”, sem a grandiosidade do verdadeiro. Mas Dilma E Serra não têm nenhuma seriedade, então entraram de cabeça no estapafúrdio, no acintoso, no desnecessário.

Os “partidários” de Dilma admitiram usar a cabeça, Serra entrou coma própria num show de “espetaculosidade”, mobilizando pessoas que nem sabiam que eram (ou seriam) participantes da transformação da baixaria verbal em baixaria física. Começou na Zona Oeste, durou alguns segundos, vá lá, minutos, que já duram hora e dias.

Jogaram uma “bolinha” de papel, que de tão pequena, bateu na cabeça (dura) de Serra, ele não percebeu nem sentiu. Continuou falando e tentando dizer alguma coisa que fugisse da “bobageira” habitual, a forma que encontrava diariamente para se comparar com a adversária poste.

Ia entrando na van, acenou tranquilamente, recebeu um telefonema, mesmo assim custou a representar a farsa. Depois, diria: “Senti o golpe, não fiquei grogue (textual) nem desmaiei, mas resolvi consultar um médico”.

Estava em Campo Grande, pelo caminho existiam vários hospitais, mas preferiu ser atendido num que ficava a 1 hora e meia de onde o “atingiram”. Esse hospital onde parou, é o mais socialaite e socialaitizado” do Rio de Janeiro. Qualquer pessoa que passe na porta já vira notícia, os atendentes desse hospital telefonam logo para vários, diversos, muitos colunistas.

Mas não havia nada a tratar, conversou algum tempo, deu a si mesmo a “recomendação de descanso”. Já estava quase noite, precisava mesmo ir para São Paulo, a “equipe” trataria da dramatização. Ligaram para um perito que está sempre à disposição para “peritar”, montaram com espantosa velocidade o “show”, não mais da “bolinha” e sim de “um objeto mais duro, que batendo na cabeça, dói mesmo”. E logo já estava nas televisões e nos sites, no dia seguinte na manchetes. E assim aconteceu.

Só que nem mesmo os farsantes mais entusiasmados do lado de Serra, acreditavam que receberiam o mais importante apoio que existia, a participação do próprio Lula. Presidente da República e inventor da candidata-poste, deu ordens: “Digam à Dilma para não entrar nesse negócio de agressão, DEIXEM EXCLUSIVAMENTE PARA MIM, LIQUIDO ISSO COM POUCAS PALAVRAS”.

Lula é tão arrogante, presunçoso, petulante e pretensioso, que se acha mais importante do que o próprio cargo de presidente, não imaginou que em vez de LIQUIDAR a questão, PRORROGARIA sua duração. E como tem que botar futebol no meio de tudo, comparou a atitude de Serra, “com a de Rojas”.

Esse Rojas foi um goleiro do Chile que engendrou uma farsa no Maracanã, eliminatória de Copa do Mundo. Só que isso aconteceu há tanto tempo, que pouca gente sabia quem era esse Rojas. Sobrou para mim, que passei o dia tendo de explicar quem era o Rojas.

O assunto não parou mais, as televisões martelaram de hora em hora, Os jornalões só “mudavam o disco”, para “tocarem” as pesquisas Datafolha, pagas pelo Globo e a própria Folha. Que não se acertavam, pagaram mas se desdiziam.

Esse “atentado” vai atravessar a semana, terá dois “debates” para maior provocação e repercussão. “Debates” na Record e na TV Globo. Um jornalão “pagador” encontrou Dilma 12 pontos na frente de Serra. O outro, também pagador, concluiu que a vantagem dela é de 10 pontos.

***

PS – Serra, (que jamais será presidente, afirmação e análise que completa 8 anos) é tão fraco, frágil e sem carisma, que não mudará coisa alguma nesses dois “debates” nas televisões de maior audiência. Embora com enorme diferença.

PS2 – Acho que não há uma possibilidade em um milhão de Serra ultrapassar Dilma. O próprio Lula fez força, mas não conseguiu.

PS3- Quanto a esse repórter, que já se fartara de garantir que anularia seu voto, agora se convenceu mesmo: se pudesse, diminuirira a votação de Dilma e de Serra. Para que assumissem (ela) mais enfraquecidos, se isso fosse possível),

PS4 – Como Lula gosta muito de futebol, termino hoje com o filósofo do futebol, Neném Prancha: “Quem pede recebe, quem se desloca tem preferência”. Dilma e Serra não pediram nem se deslocaram, nenhuma p-r-e-f-e-r-ê-n-c-i-a.

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