Dilma eleva despesas com juros, mas veta reposição de aposentados

Pedro do Coutto

O contraste de ações por parte do governo Dilma Rousseff torna-se evidente, bastando confrontar-se o teor de duas reportagens publicadas na edição de quinta-feira de O Globo. Uma, de Eliane Oliveira e João Sorima Neto, outra de Geralda Doca e Júnia Gama. A primeira destaca a elevação de 0,5% estabelecida pelo Comitê de Política Monetária sobre a taxa Selic que remunera os juro aplicados à dívida interna. A segunda assinala o veto da presidente da República ao projeto que estendia aos 30 milhões de aposentados e pensionista do INSS o reajuste anual nas mesmas bases em que é corrigido o salário mínimo.
Como se constata, dois pesos, duas medidas em sentido opostos com base em motivos frontalmente divergentes. Quanto ao veto, o argumento é a contenção de despesas previdenciárias. Relativamente à subida dos juros, o acréscimo das despesas públicas não é levado em consideração. Eliane Oliveira e João Sorima Neto, com base em dados do próprio Banco Central, revelam que a dívida interna bruta do país alcança nada menos que 3,5 trilhões de reais, dos quais 1 trilhão e 400 bilhões corrigidos pera Selic. E qual a correção aplicada aos outros 2,1 trilhões? Sim. Porque, por mais que a publicidade comercial diga o contrário, não existe financiamento sem juros. Impossível. A inflação reduziria o valor da compra?
Mas vamos aceitar a incidência de agora 14,25% ao ano em cima de 1 trilhão e 400 bilhões de reais. Um acréscimo de despesa de ordem de 7,5 bilhões. No papel. Porque, claro, os credores dos 2,1 trilhões restantes não vão assistir calados à elevação da taxa paga somente a uma fonte dos créditos totais. Assim, verifica-se que, no mínimo, o acréscimo de meio ponto percentual significará, pelo menos, 17,5 bilhões de reais por doze meses. Numa escala ampla, observa-se que o desembolso atinge em torno de 42 bilhões de reais por ano. Ou aproximadamente 15% do próprio orçamento da União para 2015.

ENDIVIDAMENTO

Diante de tal montante ( só de juros),  como costuma dizer o ministro Joaquim Levy, como falar em reduzir o endividamento? Pelo contrário – ele aumentará com a capitalização inevitável dos juros no estoque da dívida.

Poderá alguém dizer que parte do endividamento, na percentagem, de 20%, refere-se a créditos externos em dólar, com juros bem menores que os 14,5 consignados pela Selic É verdade. Porém em compensação tal fração fica exposta às oscilações do câmbio no mercado financeiro internacional. O desembolso com juros é enorme.

Superior, no seu total, à folha dos aposentados e pensionistas do INSS, prevista no orçamento em 320 bilhões. Isso de um lado. De outro, é preciso – aliás era necessário – acentuar que aplicar aos segurados a mesma correção destinada ao salário mínimo é um simples dever de justiça. Pois todos eles recolheram com base em tantos salários mínimos, para efeito de cálculo, hoje, vale frisar, até a escala de 11% sobre 4 mil e 600 reais por mês. Parte do empregado. A do empregador é de 20% sem limite. Onde está o déficit do INSS?

Mas esta é outra questão. O que se discute é que não é justo o veto (injusto) de Dilma Rousseff, o qual, diretamente, fará com que, a cada ano, maior número de inativos passe a receber um salário mínimo, quando, concretamente, passou a vida contribuindo sobre valores mais altos. Nivelar por baixo, eis a questão. Não contribui para resolver, pelo contrário, agrava a situação para o desenvolvimento da economia.

6 thoughts on “Dilma eleva despesas com juros, mas veta reposição de aposentados

  1. Bem, para este governo comprometido com bancos, é melhor alimentá-los em vez de velhos aposentados, acho que ela, Dilma Rousseff acha aposentados e pensionistas um estorvo, mas estes contribuíram para terem uma vida digna e Dilma vem injustamente seguir FHC que chamou-os de vagabundos.
    Em todo o governo Dilma Rousseff foi dar continuidade a maldade do velho déficit da previdência social caso concordasse com este aumento e ainda não provou este déficit que até seu ministro da previdência social diz não haver, quem está mentindo, até a mídia mal intencionada vai atrás da mentira de Dilma Rousseff, aliás os comentaristas de plantão, vá atrás da verdade em vez de seguir declarações inconsistentes de um governo mentiroso.

  2. O grande e experiente Sr. PEDRO DO COUTTO , escreve artigo muito Justo, na qual acusa o Governo de aumentar o Juro Básico SELIC, e de Vetar o aumento de Aposentados que ganham mais do que o Salário Mínimo, pela Fórmula de aumento do Salário Mínimo.
    E a causa disso é o Deficit Público ( Governo sempre gastando mais do que arrecada, mesmo arrecadando +- 37% do PIB, e gastando MAL, +- 98% em CUSTEIO. O grosso da Despesa fica com Folha de Pagamento e Juros da Dívida Pública). Isso causa aumento do ENDIVIDAMENTO PÚBLICO, que pressiona a INFLAÇÃO, que pressiona os JUROS,
    ( o Básico e mais ainda os Comerciais).
    Quando a situação chega a um ponto assim, o Governo além de cobrar em Impostos Diretos +- 37% do PIB, uma vez que ainda há DEFICIT de +- 8% do PIB como agora, (8% de +- R$ 6.000 Bi = R$ 480 Bi/Ano), ele cobra IMPOSTOS INDIRETOS.
    Dos Aposentados que ganham mais do que o Salário Mínimo o Governo cobra um IMPOSTO INDIRETO que é a diferença entre o Índice de Reajuste do Salário Mínimo, e a Inflação Oficial medida pelo INPC. Nos últimos 10 anos já esta dando +- 76%.
    Da Classe Média o Governo cobra outro IMPOSTO INDIRETO, no Imposto de Renda descontado na Fonte, sobre a diferença entre o Índice de Inflação ( INPC), e o Índice aplicado sobre a correção da Tabela, este sempre MENOR que a Inflação.
    Sobre TODA a Sociedade, o Governo cobra outro IMPOSTO INDIRETO sobre a diferença entre a INFLAÇÃO REAL, e o ÍNDICE expurgado OFICIAL, etc, etc, e ainda assim NÃO FECHA A CONTA.
    Onde há grandes Déficits, consequentemente grande ENDIVIDAMENTO e grande INFLAÇÃO, é um INFERNO. Abrs.

  3. COMO É QUE UM PAÍS ENDIVIDADO PAGA SALÁRIOS NABABESCOS E DEPUTADOS, SENADORES, JUÍZES E DIRIGENTES DESTA MALFADADA REPÚBLICA, ALGUNS DOS QUAIS FANTASMAS ? E COMO É QUE UM CIDADÃO QUE PAGOU O TETO MÁXIMO AO INSS (ANTIGO INPS) VAI, POUCO A POUCO, SENDO REDUZIDO AO SALÁRIO MÍNIMO ? POR QUE PRECISAMOS DE TANTOS DEPUTADOS ? ESSE BANDO DE FDP’S DEVERIAM ESTAR ENJAULADOS.

  4. Há um fator importante: O dinheiro pago aos aposentados, a maior parte volta para
    o governo em forma de impostos, considerando-se ainda os impostos em cascata:
    consumidor, comércio e indústria. O dinheiro pago de juros, não tem volta.
    A pretexto de acabar com a inflação, o governo caminha pelo caminho errado e
    endividando ainda mais o país. Uma dívida astronômica leva o país a submissão e interesses
    escusos.

  5. O MIn LEVY, da Fazenda ainda é empregado do Bradesco, segundo maior estabelecimento de crédito do país.
    sob alegação de conter a inflação, o Banco Central, vem aumentando as taxas de juros, privilegiando a rede bancária. Detona o comércio e a indústria. Mas os Bancos vão bem obrigado.
    O Brasil apresenta crescimento negativo de -1% e as despesas crescem 4,5%. As revistas econômicas em todo o mundo elevam as taxas de risco-Brasil. Pulamos a fogueira do Chavismo-Comunismo, mas estamos literalmente NA LONA. VAI LEVAR TEMPO PARA LEVANTAR-NOS. Enquanto isso elevamos o impostômetro, cortamos gastos (com inativos, v.g.) , cortamos e contingenciamos verbas, orçamentárias, de educação, saúde e segurança. Afundamos mais socialmente. Tá na hora de penhorar bens dos dilapidadores, reforçar os cofres públicos. Reduzir Ministérios e cargos. parar de aparelhar o Congresso, com ofertas de cargos comissionados. Deixar o parlamento fazer seu trabalho sem ingerências do Executivo-Monarca.

    O mundo está fazendo sua parte, comprando os produtos agrícolas brasileiros. Falta desapropriar o sitio do Lulla, em Itatiaia, o tríplex em Guarujá. a grana da OI e da Itaipava. Buscar a mala preta de Roso Noronha, cheia de euros (250 milhões) no Banco Espirito Santo (Portugal Telecon).

    Joseval Carneiro
    *Analista politico

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