Dilma entre a cruz e o caldeirão

Jorge da Cunha Lima
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Dilma ganhou as eleições para realizar o desígnio dos pobres, que sustenta com o programa social. Ganhou para manter o programa do PT, que sugere um socialismo de estado, desenvolvimentista. Ganhou, para governar, e sabe que isso, no Brasil, implica em composição, a qualquer preço, para garantir a maioria no Congresso.

A composição do novo governo de Dilma Rousseff, pela escolha de seus primeiros ministros, sugere que Dilma pretende governar, com um esquema de composição, mas com um esquema que é seu, nem dos pobres, nem do PT.

Os candidatos de Lula ao Ministério foram descartados, e isso, quando Lula já aparece como candidato preferencial do PT às eleições de 2018. A política social, a qualquer preço, com índices econômicos fabricados no Planalto, também foi adiada com a escolha de Levy, um economista conservador, com obsessão de ajuste fiscal e controle de inflação. Só a substituição de uma composição ministerial partidária, por uma composição de técnicos de alto nome, não foi realizada, pois Dilma precisa do apoio do Congresso, apoio fragilizado, apesar da composição.

UM GOVERNO SÓ DELA

Isso não fará de seu governo um governo fácil, mas fará de seu governo um governo seu. Presidenta ou presidente, quer dizer que Dilma está efetivamente assumindo o poder, para o bem ou para o mal.

Alguns adeptos do PT, ou comentaristas do partido de alto nível, acreditam que isso vai ser um desastre, pois é impossível governar com o PT sem governar com o grande chefe, que ainda é o Lula.

Alguns nacional-desenvolvimentistas, acreditam que isso é renunciar à hipótese de navegar contra a maré neoliberal que tomou conta do mundo e, no Brasil, se apoia na grande imprensa burguesa, que faria mais estragos do que toda a oposição reunida nos parlamentos e na Avenida Paulista.

Alguns partidários ou não partidários, mais otimistas, acreditam que uma boa equipe econômica, uma reforma política gradual e alguma melhoria na conjuntura internacional poderá levar o governo Dilma a uma estabilização necessária à recauchutagem do país em dois anos.

MEIAS SOLUÇÕES

Da minha parte não acredito em meias soluções. Não há meio combate à corrupção, nem meio combate à inflação. São categorias políticas e econômicas, abrangentes, quase absolutas. O congresso brasileiro é sempre pior do que o anterior. A crise internacional, incluindo a do Petróleo, não mostra sinais de recuperação, ressalvada a posição dos Estados Unidos o que não melhora em nada a situação do Brasil. As manifestações positivas da rua virão, mas infectadas pelo petismo descontente e pelos oportunistas, mascarados ou não. Os sacrifícios a serem testados pela nova equipe econômica não condizem com a índole impaciente do brasileiro, nem com a situação real dos menos afortunados.

Quero dizer que a divisão do Brasil, saudável, em outras circunstâncias, não indica vetores capazes de conduzir o país numa direção construtiva, com ética, sacrifícios, mas com esperança.

Estamos jogando com a sorte, mas a sorte não remove montanhas.

6 thoughts on “Dilma entre a cruz e o caldeirão

  1. No discurso da re-posse a presidenta falou “nenhum passo atrás”. Me lembrei do livro de Lênin, publicado em 1904: “Um passo adiante, dois passos atrás”, que era uma resposta dele à Rosa Luxemburgo, da Social Democracia. Imagino que nossa Mandatária deve ter lido o citado volume. Mas o que Dilma falou “nenhum passo atrás” é um verso do Hino dos Bombeiros. Dá a entender que ela está na posição de apagar o fogo social, e por isso nomeia centro, direita e esquerda. Já o nosso cantor, poeta popular Chico Science em sua música “Passeio no Mundo Livre” diz: “Um passo à frente e vc não está mais no mesmo lugar”. Penso, na atual conjuntura, nossa Chefa está mais para o cantante, pois equilibrar-se nesse emaranhado de interesses não deve ser fácil. Oremos por ela… e pelo Brasil.

  2. A velha e boa cascata de governar para os pobres. O tal socialismo. o show tem que continuar.
    O que interessa é um governo que não atrapalhe a produção, pois é com ela que se acaba com a pobreza.
    Quanta idiotice.
    Só mesmo no Brasil.

  3. Vale Lembrar que uma expressiva parte da classe média brasileira votou na Dilma porque não confia no PSDB, tampouco no DEM . Dilma já está na história como a primeira mulher a governar o Brasil. Mas a biografia dela brilha. Dilma, nas duas eleições que disputou, obteve mais de 100 milhões de votos. Dilma , apesar de ser tecnocrata , sem verve política, soube conduzir muito bem o seu primeiro mandato, período que ocorreram crises financeiras internacionais, e o Brasil, como fornecedor de commodities no mercado internacional sofreu reflexo em sua economia, entretanto, o Brasil manteve a inflação sob controle, o PIB, apesar de baixo, nunca caiu, o emprego continuou em alta, leis contingenciando dinheiro do pré-sal para a educação e a saúde foram aprovadas, o Pré-sal da Petrobras vai começar a produzir mais óleo e gás natural agora em 2015.
    Dilma resistiu estoicamente o que nenhum presidente brasileiro passou. Qual presidente brasileiro foi tão atacado durante tanto tempo,e ainda venceu a eleição, depois de suportar crises de todas as ordens ? Foram 2 anos de ininterruptos escândalos envolvendo ministros, políticos do PT, aliados, por onde passou foi agredida ,xingada mesmo, na copa das confederações, na copa do mundo, nos comentários dos blogs, dos maiores jornais brasileiro, das redes sociais. Sem dúvida, esta mulher é uma dama de ferro, uma leoa, sem contar que a Dilma ainda tem a seu favor o fato de nunca ter agredido o povo, apanhou , mas sabia quem estava controlando os ataques eram Aécio, FHC e Agripino, três maus caráteres da política brasileira, que queriam o poder a todo custo e assim começaram a campanha antecipada. Se aproveitaram do Brasil que eles mesmos construíram para detonar com a presidente. Mas a maioria dos eleitores estava ligada no ódio de Aécio, FHC e Agripino, sabia que são herdeiros políticos, homens improdutivos, incapazes de transmitir lealdade, que para ganhar a eleição expuseram o Brasil, detonaram com a Petrobras e as empreiteiras envolvidas em escândalos que nos governos dos três também aconteceram. Não perdoaram a Petrobras nem as empreiteiras, impuseram prejuízos homéricos ao Brasil porque eles queriam mesmo era ganhar a eleição. Não queriam moralizar nada, até porque as práticas das empreiteira são conhecidas há pelo menos 60 anos. A hipocrisia os fez perder a eleição. Agora, em seu segundo mandato, torço pelo Brasil. Que nós, que fazemos parte dos mais de 53 milhões de cidadãos que votamos na Dilma, trabalhemos mais pelo Brasil para compensar as adversidades impostas pela gangue neoliberal, que vive pendurada no governo desde que nasceu.

  4. Essa é boa. Muito ”inteligente”.
    Teve 100 milhões de votos.
    É o tal negócio.
    Me lembrei da gargalhada de Hélio Fernandes :
    ah ! ah ! ah !

  5. Me lembrei, Renato :
    somando com os votos do Lula : dá mais de 200 milhões.
    ah! ah! ah! . outra vez : ah ! ah ! ah ! . Totalizando.

  6. MEU OTIMISMO! PRECISAMOS DE APENAS UM EVENTO: O QUE FAÇA ESSA ANTA CAIR FORA DO PODER! SERIA O INICIO DE UMA SOLUÇÃO QUE É ANTES DE MAIS NADA POLITICA! ÚNICA CERTEZA: COM ELA NO PODER NÃO HAVERÁ SOLUÇÃO: SÓ DESMANDOS, VACILOS , INDEFINIÇÕES, DESGRAÇAS E CRISES POLÍTICAS-ECONOMICAS-FINANCEIRAS-SOCIAIS.
    SE LULA TIVESSE DITO: APRÉS MOI, LE DELUGE(NÃO SOU BOM EM FRANCÊS, MAS EM PORTUGUES: DEPOIS DE MIM O DILÚVIO , TERIA SIDO UM VIDENTE, MAS JAMAIS SERIA SINCERO PARA RECONHECER QUE ENTREGOU O PAÍS NAS MÃOS DE UMA IDIOTA!
    NÃO GOSTO DE SEBASTIANISMO, OS PORTUGUESES ATÉ HOJE ESPERAM A VOLTA DO REI SEBASTIÃO QUE TRANSFORMARÁ PORTUGAL DE NOVO NUMA POTENCIA. MAS ACHO BEM MAIS FÁCIL ESPERAR QUE ACONTEÇA ESSE EVENTO QUE TIRARÁ ESSA ANTA DO PODER. NEM PRECISAMOS QUE O BRASIL SEJA UMA POTENCIA, APENAS QUE FIQUE UM PAÍS MAIS DECENTE, OU PARA NÃO ESPERAR MUITO, MENOS INDECENTE

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