Dilma entre o velho e o novo

Carlos Chagas

Enquanto bombas de retardamento explodem no ministério, pois os episódios Marta Suplicy e Gilberto Carvalho são apenas o começo, a presidente Dilma hesita entre restaurar o velho ou criar o novo. Mesmo do outro lado do mundo, primeiro no Golfo Pérsico, depois na Austrália, de onde só volta segunda-feira, ela não sabe se entrega o governo aos partidos, como durante os últimos quatro anos, ou se declara independência e escolhe os melhores em cada setor, sem vinculações partidárias.

Por enquanto parece prevalecer a primeira opção, cuja consequência seria a reaproximação da presidente com o Lula, na verdade o interlocutor do PT com os demais partidos. O ministério continuaria um condomínio de poder, ainda que em contrapartida houvesse garantia de o palácio do Planalto contar com maioria parlamentar. Só que Dilma permaneceria refém não só do antecessor, mas, em especial, do fisiologismo e da incompetência praticados pelos partidos.

No reverso da medalha, selecionando uma equipe capaz de agilizar a administração e afastar a sombra da recessão, justificaria sua permanência.

FAZENDA

A pedra de toque dessa muralha indefinida repousa no ministério da Fazenda, onde, por uma dessas coincidências da política, um nome indicado pelo Lula também se acopla à necessidade de atender a exigência da escolha dos melhores. Trata-se de Henrique Meirelles, arrogante como a presidente, cioso de suas prerrogativas mesmo contra as tendências da chefe, mas em condições de trazer tranquilidade aos meios econômicos. No comando, ele atuaria com independência e desligado das pressões do PT e adjacências, mesmo teoricamente subordinado a Dilma.

Com o retorno da presidente, aguardam-se decisões para a próxima semana, mesmo se anunciadas na outra. O que não dá é Dilma ficar hesitando entre o velho e o novo, ainda que sem a garantia de sucesso. Seria bom ela não demorar muito a decidir-se, lembrando que nos estertores do governo Fernando Collor tenha sido composto um dos maiores ministérios que o Brasil formou. Só que atrasado…

CAPITAL EM FRANGALHOS

Brasília vive um de seus piores momentos, com greves estourando nos principais setores da administração pública. A cada dia funcionários de empresas de ônibus entram em greve, paralisando os transportes públicos e deixando a população à míngua. Têm razão os motoristas e trocadores, porque não recebem salários, mas as empresas que não pagam sustentam não receber o que o governo local lhes deve. São bilhões que o governador derrotado, Agnelo Queiroz, não paga, por sua vez alegando falta de recursos. Trata-se do fracasso do modelo capitalista vigente, onde a culpa é de todos, mas não é de ninguém. A intervenção no sistema de transportes públicos seria uma solução, mas coragem, quem há de ter? Nem o atual nem o futuro governador…

6 thoughts on “Dilma entre o velho e o novo

  1. A Presidenta DILMA não tem a opção entre o Velho e o Novo. (Velho): Compor uma ampla Base Aliada, subordinando-se totalmente ao PT-Presidente LULA, ou o (Novo): se independizar e Governar exclusivamente com os “Melhores”. Se optar pela opção (Novo), não terá SUSTENTAÇÃO e é provável que não chegue ao fim do Mandato.
    A prova dos nove será a estratégica escolha do Ministro da Fazenda ( que será uma espécie de Czar da Economia ). Se ela escolher o competente Sr. HENRIQUE MEIRELLES, homem de Teoria e PRÁTICA, que foi excelente Presidente do Banco Central do octavonato do bom Governo LULA/JOSÉ ALENCAR, terá optado pelo (Velho) e fará um Governo melhor. A situação Econômica está se deteriorando, embora não seja catastrófica, e ela realmente desta vez não tem opção.

  2. SOL QUADRADO – Não bastasse ter se transformado no alvo principal das investigações da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, a Petrobras agora está na mira das autoridades norte-americanas, que desejam apurar a conduta da companhia nos Estados Unidos. As apurações devem, mais uma vez, causar ENORMES DANOS à imagem da estatal brasileira, que também negocia suas ações na Bolsa de Nova York.

    De acordo com o jornal britânico “Financial Times”, em matéria publicada na edição do último domingo (9), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu investigação criminal contra a estatal. Já a Securities Exchange Commission (SEC) – órgão que regula o mercado de capitais nos Estados Unidos e equivale no Brasil à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – iniciará uma investigação civil contra funcionários da empresa.

    A situação da Petrobras nos Estados Unidos SE DETERIORA com o passar do tempo, pois uma empresa que é vulnerável a interferências políticas, começando por ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO, não pode ter suas ações comercializadas na Bolsa de Nova York, que impõe regras rígidas aos participantes do mercado acionário local.

    A investigação do escândalo conhecido como “Petrolão” poderá arranhar ainda mais a imagem do País e dificultar o acesso de outras empresas brasileiras ao mercado de capitais norte-americano.

    Na segunda-feira (10), o vice-presidente da República, Michel Temer, minimizou a investigação das autoridades dos EUA sobre suspeitas de desvio de recursos na Petrobras. Ele disse que se os EUA abriram a investigação, devem dar continuidade “como o Brasil está fazendo”. “A expressão doa a quem doer é muito correta em relação às investigações que já estão sendo feitas pelo governo federal”, disse Temer.

    É importante destacar que, ao contrário do que disse a presidente Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral, o governo federal tem feito tudo para impedir a investigação do maior escândalo de corrupção da história nacional. A ação da tropa de choque do Palácio do Planalto na CPMI da Petrobras, nesta terça-feira (11), impediu a aprovação de requerimentos, em especial de convocação dos envolvidos no esquema criminoso.

    A posição do governo brasileiro em relação às investigações que já estão em curso nos Estados Unidos é muito delicada, uma vez que para continuar comercializando ações na Bolsa de Nova York a estatal terá de reconhecer as ilegalidades, já explicitadas nas investigações, e submetendo-se, na melhor das hipóteses, a um termo de ajustamento de conduta, como informou um renomado operador do mercado financeiro internacional. Se isso acontecer, ou seja, a petrolífera reconhecendo o esquema de corrupção, O GOVERNO DO PT SERÁ ARRASTADO DE VEZ PARA O OLHO DO FURACÃO, sem direito a desculpas esdrúxulas.

    No caso de negar que o caso de corrupção tenha ocorrido, apesar do cipoal de provas incontestáveis, a Petrobras poderá ser banida da Bolsa de Nova York, o que deixaria a empresa em situação de dificuldade ainda maior. Isso significa que O GOVERNO BRASILEIRO TERÁ DE DECIDIR se salva a Petrobras ou poupa o Partido dos Trabalhadores.

  3. Se tivéssemos escolhido a Marina em vez do Aécio, não estaríamos nessa situação. Ela teria ganho da Dilma, mas infelizmente blogueiros ultrapassados fizeram a cabeça dos seus leitores com mentiras ” á moda PT “

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