Dilma erra em não aceitar debate na Globo

Pedro do Coutto

O Globo publicou manchete de página não assinada na edição de primeiro de setembro revelando – e ao mesmo tempo estranhando – a negativa de Dilma Rousseff em participar de um debate – entrevista, que o jornal tradicionalmente realiza entre candidatos a presidente, no seu auditório, reunindo editores e leitores, com transmissão aberta pela internet. A candidata do presidente Lula cometeu um erro grave, sob o ângulo ético, ao mesmo tempo desprezando um convite e acentuando uma distância em relação aos eleitores, distância que ela deveria ser a primeira a querer diminuir no rumo das urnas. Além disso, não comparecendo, esterilizou uma forte onda de comunicação que poderia utilizar.

Afinal de contas, a margem em seu favor que as pesquisas do Ibope, Datafolha, Vox Populi e Sensus sinalizaram não deveria fazê-la, como se diz por aí, esnobar exatamente aqueles que a levaram à liderança. Não importa, no caso, que tal vantagem seja aparentemente irreversível. O jogo se ganha no campo e só termina com o apito do juiz. Depois do desfecho de 1950, na opinião de Roberto da Mata a maior tragédia brasileira, ninguém em nosso país pode comemorar a vitória antes do tempo. Assim aconteceu há exatos 60 anos no Maracanã, estádio Mário Filho, quando perdemos para o Uruguai por dois a um. Na véspera de 16 de julho, um sábado, havia carnaval nas ruas do Rio. No final da tarde do dia seguinte tristeza profunda.

Não quero dizer com isso que José Serra possa virar o confronto. Não acredito. Sua campanha está péssima, todos concordam, e o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu em entrevista a Renata Lo Prete, publicada pela Folha de São Paulo, também a primeiro de setembro. FHC condenou o estilo de comunicação de seu correligionário, principalmente por apresentá-lo como o candidato da continuidade (do governo Lula). Em seguida,sustentou que também falta espontaneidade a Serra nos programas de TV.

Portanto, no momento em que tucanos criticam tucanos, é sinal que o PSDB torna-se cada vez mis distante da vitória. E do poder. Mas este não é motivo para o distanciamento elitista de Roussef. Assim como que, esquecendo o entusiasmo do eleitorado na sua direção, dissesse ao mordomo que fechasse as portas de acesso a quem está na véspera de se tornar a primeira mulher a presidir o país. Posição elitista sim. Sobretudo porque de se sentir plenamente aceita pelo povo, concordou em participar de entrevista-debate igual promovido pela Folha de São Paulo. Por quê a Folha de São Paulo e não O Globo?

Paralelamente, segundo assinalou O Estado de São Paulo, igualmente no dia primeiro deste mês, Dilma Roussef ainda não havia respondido, até agora, se aceita ou não comparecer à mesa redonda aberta pelo jornal aos três principais candidatos. Não aceitando o convite de O Globo, não respondendo até o momento em que escrevo, ao OESP, a ex-chefe da Casa Civil, em vê de ampliar, reduz por vontade própria seu espaço de comunicação com o eleitorado.

Um contra senso, uma atitude adolescente, imatura, nada produtiva. Ela tem obtido ampla cobertura dos três principais jornais do país – O Globo, FSP e O Estado de São Paulo – e da Rede Globo, líder absoluta em audiência. As pesquisas que identificaram sua disparada no caminho de outubro foram, em vários dias, principais manchetes daqueles órgão da imprensa. Aceitando participar dos convites, estaria no dia seguinte outra vez nas primeiras páginas. Será que deseja unanimidade? Esta nem Cristo conseguiu.

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